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  • Vacina contra malária que "imita" picada de mosquito se mostra promissora

    Em testes feitos com humanos, parte dos voluntários que recebeu a dosagem mais alta da vacina foi completamente imunizada contra a doença

    O laboratório americano Sanaria anunciou nesta quinta-feira que os testes de uma vacina contra a malária que “imita” uma picada do mosquito que transmite a doença foram bem sucedidos. De acordo com o estudo feito em torno da vacina, os seis voluntários que receberam o maior número de injeções – cinco doses, ao todo – foram completamente imunizados contra a doença. Os resultados foram descritos na revista Science. A vacina, porém, ainda precisa ser testada outras vezes e em um número maior de pessoas.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária causou 660.000 mortes no mundo em 2010, a maioria na África. A doença é transmitida pela fêmea do mosquito do gênero Anopheles, que injeta, no sangue de uma pessoa, parasitas que sugou da corrente sanguínea de um individuo contaminado. No Brasil, o principal parasita que causa a malária é o Plasmodium vivax. Ele é menos perigoso do que o Plasmodium falciparum, por exemplo, o mais predominante na África.

    A vacina produzida pela Sanaria, que recebeu o nome de PfSPZ, foi feita com parasitas causadores da malária inteiros e em um estágio específico, conhecido como esporozoíto. Para que os cientistas pudessem obter esses microrganismos, eles precisaram dissecar as glândulas salivares dos mosquitos Anopheles, o que torna a produção da vacina algo ainda mais complicado.

    Antes de injetar a vacina nos voluntários, porém, os cientistas enfraqueceram os parasitas em laboratório com raios X. Assim, eles não teriam força suficiente para desencadear a doença nos voluntários. A ideia é que a vacina "imite" a picada do mosquito, mas faça com que os microrganismos apenas estimulem o sistema imunológico de uma pessoa a lutar contra eles.

    Teste — Participaram dos testes 57 pessoas, sendo que 40 delas receberam diferentes doses da vacina para, depois, serem comparadas com as outras 17 do grupo de controle. Dos seis voluntários que receberam cinco injeções com a dosagem mais alta, todos obtiveram proteção completa contra a doença. E, dos nove que receberam quatro vacinas também com a dosagem mais alta, seis foram imunizados. As aplicações das injeções foram feitas com um mês de intervalo entre cada uma.

    Na opinião de Robert Seder, pesquisador do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e um dos autores do estudo, os resultados são “muito promissores”, mas ainda é preciso que novas pesquisas sobre a vacina, que envolvam um maior número de pessoas, sejam feitas.

    "Embora ainda estejamos nos primeiros estágios de teste, acreditamos que essa vacina vá ser usada um dia para eliminar a malária”, diz Stephen Hoffman, diretor-executivo do Sanaria. “É razoável sugerir que dentro de três a cinco anos uma vacina segura e confiável poderá ser uma realidade comercial e fornecer benefícios médicos para uma enorme população.”

    Sobre a doença

    O que é: Doença febril aguda, caracterizada por febres altas, calafrios e cefaleias. Se não tratada, pode gerar complicações graves, principalmente se for transmitida pelo Plasmodium falciparum, responsável por transmitir entre 15% e 20% da malária diagnosticada no Brasil. Ao redor do mundo são registrados cerca de 250 milhões de novos casos e perto um milhão de mortes por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A maior incidência é na África, onde é causa de uma entre cinco mortes infantis. No Brasil, a maior incidência está na região amazônica, mas atualmente a mortalidade é baixa.

    Transmissor: Fêmea do mosquito do gênero Anopheles. Prefere lugares como água limpa, sombreada e de baixo fluxo, comuns na região amazônica.

    O que transmite: Plasmódios (parasitas) presentes no sangue de quem tem malária. Eles se multiplicam dentro do mosquito e entram em contato com o sangue daquele que for picado pelo Anopheles infectado.


    Fonte: Revista Veja