Ciência e Saúde

26/Mai/2022 09:01h
Fatores de risco que estão por trás do suicídio de idosos
24/Mai/2022 09:01h
Dez perguntas para tirar as dúvidas (e o medo) sobre a colonoscopia
22/Mai/2022 18:40h
Pesquisa da UFV pode ajudar na descoberta de novo medicamento para tratamento da Covid-19
22/Mai/2022 09:00h
Quem são os imortalistas, que pretendem romper os limites da longevidade
19/Mai/2022 09:01h
Cuidadores: como conviver com a frustração de quase nunca receber elogios
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Ciência e Saúde - G1

  • Fatores de risco que estão por trás do suicídio de idosos


    ?Normalmente eles ficam isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo, além de estarem mais determinados a conseguir seu intento?, diz especialista Nos Estados Unidos, maio é o mês da conscientização sobre a saúde mental, o que levou o National Council on Aging, entidade criada em 1950, a realizar um seminário on-line focado nos idosos e, especificamente, sobre uma questão delicada: o suicídio. Foi assim que conheci, virtualmente, Jeffrey Shultz, um homem de 63 anos, fala mansa e uma sofrida história de vida. A carreira promissora no setor de vendas, que o levara a galgar cargos executivos, foi abalroada por um evento dramático: o suicídio de Phil, seu filho caçula, em 2012. ?Eu já havia desacelerado o ritmo para poder me dedicar a ele, que sofria de depressão severa. Depois da sua morte, me vi num quadro de estresse pós-traumático. Em meio à dor e à culpa, afundei na depressão, e sabia que quem perde um filho é mais suscetível a cometer suicídio?, contou. Em 2019, acabou saindo da empresa e a situação só piorou, porque a insegurança financeira se somava ao isolamento. ?Tinha até um plano para que minha morte parecesse acidental e minha mulher não perdesse o seguro. Terapia e o trabalho como voluntário, para evitar que outros trilhem esse caminho, me salvaram?, completou. Suicídio entre idosos: normalmente eles estão isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo Engin Akyurt para Pixabay Para o médico Yeates Conwell, professor de psiquiatria da Universidade de Rochester, há cinco Ds (em inglês) que funcionam como fatores de risco para o suicídio de idosos: depression (depressão), disconnectedness (falta de conexão, isolamento), disease (doença), disability (incapacidade) e deadly means (acesso a meios para fim à vida). ?Os idosos são mais frágeis fisicamente e, portanto, o risco de morte aumenta quando tentam suicídio. Normalmente também ficam isolados, o que faz diminuírem as chances de serem socorridos a tempo, além de estarem mais determinados a montar um plano para conseguir seu intento. Por isso as intervenções devem ser assertivas e a prevenção é chave?, alertou. O doutor Conwell informou que as armas de fogo respondem por 70% dos suicídios entre idosos norte-americanos e que os problemas geralmente estão interligados: ?uma dor crônica impede a pessoa de trabalhar ou de realizar suas atividades, provoca seu isolamento e, consequentemente, leva à depressão?. Enfatizou a importância de os serviços de saúde fazerem uma avaliação rotineira para detectar um estado depressivo, através de testes de rastreio como o PHQ-9 (questionário sobre a saúde do paciente); GDS (escala de depressão em geriatria); ou CES-D (Center for Epidemiological Scale-Depression). O paciente deve responder se perdeu o interesse nas atividades que antes lhe davam prazer; se convive com um sentimento de desânimo e desalento; se tem dificuldade para dormir ou vem dormindo em excesso; se acredita ter decepcionado a família ou si mesmo, entre outras perguntas. ?Neste caso, é preciso tomar medidas preventivas para garantir a segurança do indivíduo, como a utilização de medicamentos, psicoterapia e uma rede de apoio?, ressaltou o médico, que quis encerrar sua apresentação com a história do empresário George Eastman, criador da Kodak: ?ele se matou em 1932, com 77 anos, deixando um bilhete para os amigos: ?my work is done, why wait?? (?meu trabalho está feito, por que esperar?´). À primeira vista, pode parecer que foi um homem decidido a ditar as regras da própria vida até o fim, mas sabe-se que sofria de dores muito fortes, provavelmente causadas por uma estenose espinhal, que é um estreitamento que afeta o canal da medula espinhal. Não tinha filhos, se afastara do convívio social, e é possível que estivesse deprimido?. Este blog já tratou do tema em entrevista com o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, membro da Academia Brasileira de Ciências e professor da UFRJ, que frisou: ?não passa de mito achar que falar sobre o assunto estimula o suicídio. É exatamente o oposto e deveríamos abordar a questão durante o ano inteiro, para que as pessoas se sintam motivadas a buscar assistência?. Segundo ele, há duas faixas etárias que merecem atenção especial: jovens e idosos. Enquanto os primeiros são foco prioritário das campanhas, os mais velhos acabam relegados a uma posição secundária. ?Entre os jovens, para cada 200 tentativas de suicídio, uma tem êxito, enquanto, entre os idosos acima dos 65 anos, em cada quatro tentativas, uma dá certo?, afirmou.

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  • Dez perguntas para tirar as dúvidas (e o medo) sobre a colonoscopia


    Exame é o mais indicado para prevenir o câncer de intestino e deve ser feito a partir dos 45 anos A médica Clarisse Casali, especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia Divulgação A colonoscopia talvez seja o exame que provoca mais ansiedade entre as pessoas. Os motivos? Desconhecimento, preconceito, medo ? de passar mal durante o preparo (que realmente não é agradável) ou sentir dor (o que não acontece). São fatores que levam muita gente a postergar o procedimento ou até a evitá-lo, quando ele deveria estar na agenda dos cuidados com a saúde para quem passou dos 45 anos. Trata-se de uma avaliação do intestino grosso que tem como objetivo diagnosticar infecções, pólipos e tumores. Com o paciente sedado, é introduzido pelo ânus um colonoscópio, tubo flexível com apenas um centímetro de diâmetro com uma minicâmera na ponta. O aparelho é guiado até a parte inicial do intestino grosso, o ceco, onde fica a ligação com o intestino delgado, ou até o íleo terminal, parte final do intestino delgado. As imagens registradas pela câmera são reproduzidas num monitor e gravadas. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto, conversei com a médica coloproctologista Clarisse Casali, especialista pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Colonoscopia: entenda quem deve fazer e qual a importância do exame Quando as pessoas devem fazer uma colonoscopia? A colonoscopia é indicada a partir dos 45 anos para prevenção do câncer de intestino. Essa é uma orientação que existe desde 2018 e foi reforçada em 2021 através de um protocolo norte-americano. O início do rastreamento mudou em função do aumento expressivo do número de novos casos em pessoas jovens. Além da prevenção, ela nos permite, em algumas situações, tratar o câncer de intestino em fase inicial. Se houver casos de câncer de intestino na família, é importante antecipar a colonoscopia? Sim! Quando há caso de câncer de intestino na família, a recomendação é antecipar para os 40 anos ou 10 anos antes da idade em que foi feito o diagnóstico da primeira pessoa a adoecer. Para esclarecer: caso um parente de primeiro grau tenha sido diagnosticado com câncer aos 45 anos, a indicação é se submeter ao exame aos 35 anos. Por que é preciso fazer um preparo especial antes da realização do exame? Para avaliar a parede do intestino não podemos ter resíduos de fezes ou alimentos, então é preciso que a evacuação esteja líquida e clara. No que consiste o preparo? Em medicamentos laxativos que estimulam a evacuação. É muito importante que o paciente passe por uma consulta antes, para que possamos entender como seu intestino funciona. Assim conseguimos que o preparo seja planejado conforme as características e condições de saúde de cada um, de forma que seja o mais individualizado, confortável e seguro possível. Como prevenir que o paciente passe mal, uma vez que vai ingerir laxativos? Com orientação e cuidados com a alimentação e a ingestão de líquidos, para evitarmos a desidratação. Também utilizamos medicamentos para evitar enjoos. O procedimento é feito com anestesia? É possível sentir dor durante ou depois? O paciente será sedado e não sentirá nenhuma dor, nem durante, nem após o exame. Para sua segurança e conforto, é fundamental que a sedação seja realizada por um médico anestesista. Algumas pessoas têm um pouco de gases logo após, mas melhoram rapidamente. Os pólipos são achados relativamente frequentes na colonoscopia. O que são e qual o risco de evoluírem para um câncer colorretal? Pólipos são crescimentos anormais da parede do intestino que causam protuberâncias e podem, dependendo do tipo de célula, estar associados ao câncer de intestino. A pessoa precisa ficar internada? Deve levar um acompanhante? O preparo pode ser feito em casa ou no hospital, dependendo da idade e das condições de saúde da pessoa. O paciente precisa ficar um tempo no hospital para se recuperar da sedação e alimentar-se, sendo liberado em média uma a duas horas após. Por conta da sedação é importante, por segurança, estar acompanhado no momento da alta. Há alguma restrição alimentar depois do exame? Pedimos para evitar alimentos gordurosos e que possam causar excesso de gases. Com que regularidade é necessário submeter-se a uma colonoscopia se não tiver sido encontrada nenhuma anormalidade? Recomendo a cada 5 anos. No caso da presença de pólipos, esse tempo pode variar de acordo com o tamanho e o tipo.

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  • Pesquisa da UFV pode ajudar na descoberta de novo medicamento para tratamento da Covid-19


    A descoberta está em fase de registro de patente. Veja o objetivo do estudo, como ele foi feito e os empasses. Rastrear as mutações do vírus é fundamental para combater a pandemia de covid-19 Getty Images via BBC Apesar dos índices de mortes, casos confirmados e hospitalizações em decorrência da Covid-19 apresentarem queda nos últimos meses, a ciência mundial segue na busca por medicamentos preventivos e curativos da doença. Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Informática (DPI) da Universidade Federal de Viçosa(UFV) encontrou uma molécula que pode ser eficaz no combate à reaplicação do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. A descoberta está em fase de registro de patente. Mas o que o ramo de informática tem a ver com combate às doenças? De acordo com a professora da UFV, Sabrina Silveira, o trabalho que está sendo desenvolvido pelo Departamento de Informática é o da bioinformática - área de pesquisa que busca propor novos algoritmos da computação para tratar problemas que são essencialmente biológicos. "Esses pesquisadores criam modelos que ?ensinam? as máquinas a selecionar o que lhes interessam em meio a milhões de dados já existentes, por isso, a técnica se chama 'machine learning', que é parte da Inteligência Artificial", explicou. Objetivo do estudo A equipe da UFV partiu de bases de dados de moléculas já conhecidas e aprovadas pela agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration), utilizadas em produtos alimentícios ou farmacêuticos. Os modelos criados pelos pesquisadores da UFV buscaram moléculas com potencial para inibir uma proteína do vírus chamada protease principal (main protease 3CLpro) e que ajuda o vírus a se replicar no interior das nossas células. A técnica que consiste em focar em alvos terapêuticos já é bastante usada na indústria farmacêutica, mas é difícil encontrar moléculas capazes de fazer este trabalho com segurança. ?Nosso objetivo é reposicionar fármacos que já são conhecidos, mas podem ter outras utilizações. Nós usamos a estratégia de aprendizagem de máquina para buscar moléculas capazes de inibir o trabalho da protease principal, interferindo especificamente neste processo da replicação do coronavírus?, explicou Sabrina. Fazem parte deste trabalho os seguintes pesquisadores: Charles Santana (UFMG), Leandro Marcolino (Lancaster University - Reino Unido), Leonardo Lima (UFSJ), Raquel Minardi (UFMG), Roberto Dias e Sérgio de Paula, ambos do Departamento de Biologia Geral (DBG-UFV). Como o estudo foi feito? A pesquisadora e estudante de mestrado do programa de pós-graduação em Ciência da Computação da UFV, Isabela Gomes, é a 1ª autora do trabalho, publicado no início do mês de maio na Revista Plos One, orientado pela professora Sabrina. Isabela conta que, de todas as moléculas possíveis, as simulações moleculares computacionais selecionaram apenas 16 com potencial para inibição da proteína que ajuda na replicação do coronavírus. Na revisão de literatura deste material, as pesquisadoras foram afunilando as possibilidades e descobriram que algumas moléculas já eram estudadas por outros grupos de pesquisa. Então, elas focaram na ambenônio, que se mostrou muito promissora nos estudos computacionais, mas ainda pouco estudada para coronavírus. A seleção gerou o pedido de depósito da patente como possível novo uso da substância. Falta de verbas As pesquisadoras realizaram testes in vitro, ou seja, testando a relação da molécula com o vírus em laboratório, mas a falta de verba dificultou o trabalho. ?Enquanto as grandes empresas e universidades estrangeiras têm dinheiro para testar todos os compostos que se mostraram promissores, nós precisamos focar apenas em um ou interromper o trabalho na fase de predições experimentais feitas por computadores?, lamentou Sabrina. Com o esforço conjunto da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PPG), do Departamento de Biologia Geral (DBG) e do DPI, as pesquisadoras conseguiram comprar os insumos para iniciar os ensaios in vitro. Conforme a pesquisadora, para avançar, é fundamental ter uma equipe interdisciplinar, envolvendo especialistas em computação, bioinformática e bioquímica, em especial os experimentalistas, que podem avaliar se as predições computacionais funcionam na prática. "Agora, há um longo caminho pela frente. Se os ensaios in vitro derem certo, o próximo passo será a realização de ensaios em cultura celular e, caso os resultados sejam promissores, em animais (in vivo)", completou. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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  • Quem são os imortalistas, que pretendem romper os limites da longevidade


    Livro conta como bilionários e cientistas se uniram numa corrida para driblar a morte O imortalismo acredita na imortalidade da alma e é o alicerce de inúmeras religiões. Já os imortalistas a que me refiro têm outra meta, nada espiritual: expandir, quase indefinidamente, os limites da longevidade através da ciência. O tema, tão fascinante quanto polêmico, é o objeto de estudo do jornalista Peter Ward, que acaba de lançar o livro ?The price of immortality ? the race to live forever? (?O preço da imortalidade ? a corrida para viver para sempre?), ainda sem tradução para o português. Imortalistas: cientistas e investidores pretendem expandir os limites da longevidade Pixabay Cientistas, bilionários do setor de tecnologia e grupos que cultuam a ideia compartilham a certeza de que a humanidade tem a chance de chegar a algo perto da imortalidade. Ward mapeou essa rede de ?devotos?, começando pela Church of Perpetual Life (Igreja da Vida Perpétua), na Flórida, cujos fieis são adeptos entusiastas da criogenia humana. Conhecida cientificamente como criônica, trata-se da técnica que permite refrigerar o corpo a uma temperatura de até menos 196 graus Celsius, suspendendo o processo de deterioração durante anos. Isso tornaria possível sua reanimação no futuro, isto é, se a pessoa morre hoje vítima de uma doença incurável, poderá ser reanimada quando for possível salvá-la. A tese defendida pelos imortalistas é a seguinte: se a ciência conseguir estender a expectativa de vida em 20 ou 30 anos, ou seja, para algo entre 110 ou 120 anos, os avanços que se darão nesse campo darão um salto exponencial que vai mudar a História da humanidade. Um dos pioneiros na área foi o cientista britânico Aubrey de Grey, que trabalha com a proposta de uma medicina regenerativa, capaz de ?derrotar? o curso do envelhecimento. Prevê que, em menos de duas décadas, haverá tratamentos capazes de reparar os danos causados pelo passar dos anos antes que se transformem em patologias. A teoria soou como música para os bilionários do Vale do Silício. Sergey Brin e Larry Page (Google) e Jeff Bezos (Amazon) têm despejado muito dinheiro em pesquisas relacionadas à longevidade. Peter Ward, autor do livro sobre como os imortalistas tentam driblar a morte Divulgação Na mitologia grega, como Ward escreve, o mito de Orfeu foi criado para ensinar aos homens as consequências nefastas de desafiar a morte. Quando sua amada Eurídice morre, ele desce ao submundo para onde vão as almas dos mortos, disposto a trazê-la de volta. Sua dor comove o deus Hades, senhor desse domínio, que permite que Eurídice volte com uma condição: o casal não deve, em hipótese alguma, olhar para trás. Já perto da superfície, Orfeu quer ter certeza de que a mulher o acompanha e se vira ? é o bastante para que ela desapareça. Felizmente, a ciência prefere explorar seus limites. Numa de suas últimas edições, a revista ?MIT Technology Review? mostrou que drogas antienvelhecimento estão sendo testadas para combater a Covid-19. A enfermidade é mais letal à medida que se envelhece e uma das razões é o enfraquecimento do sistema imunológico para combater infecções. Portanto, por que não utilizar drogas que rejuvenescem o organismo para deter sua progressão? Os cientistas preferem não usar a expressão antienvelhecimento por causa da carga negativa que traz em relação à velhice, mas sabemos que este é um fator de risco concreto. A degradação do sistema imunológico também pode afetar indivíduos mais jovens cuja idade biológica está acima da idade cronológica, devido a doenças crônicas como, por exemplo, diabetes ou hipertensão. O que só comprova a beleza da ciência em sua eterna luta para se superar.

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  • Cuidadores: como conviver com a frustração de quase nunca receber elogios


    A sensação de que a dedicação e os sacrifícios passam despercebidos pode levar a um estado de exaustão Embora já tenha tratado dos desafios de ser cuidador em diversas ocasiões, faz algum tempo que não escrevo sobre o assunto. Provavelmente foi a coluna da quinta-feira passada, sobre como as mulheres demoram a buscar ajuda quando enfrentam um quadro de ansiedade e depressão, que me motivou a voltar ao tema. O motivo? São elas, quase sempre, as cuidadoras de um ente querido que se torna dependente por causa de uma demência ou doença crônica grave. Além de filhos, carreira profissional e da administração da casa, acumulam mais essa atividade, que envolve um alto grau de estresse ? e muito pouco reconhecimento. Idosa se diverte com cuidadora: sacrifícios passam despercebidos e os elogios são escassos Sentient Observer para Pixabay A sensação é de que os sacrifícios passam completamente despercebidos, o que alimenta mágoas, ressentimentos e leva a um estado de exaustão: o conhecido burnout. Idosos com sérios problemas de saúde tendem a estar focados em suas próprias dificuldades. O declínio cognitivo dos pacientes com demência pode levá-los a reagir de forma hostil ou impedi-los de manifestar seu apreço pelo zelo que lhe é dedicado. No entanto, é frequente que mesmo familiares não valorizem o duro (e incessante) trabalho, o que aumenta a frustração. Portanto, não espere o reconhecimento alheio e monte uma estratégia para lidar com os sentimentos negativos e preservar seu equilíbrio. Connie Chow tinha um diploma de economista da Universidade da Califórnia e um MBA. Chegou a ocupar uma das vice-presidências do Wells Fargo Bank, mas o fato de ter cuidado da avó durante 20 anos a fez criar o site Dailycaring.com, uma fonte de informações preciosas. São dela os conselhos abaixo para aprender a se doar sem se machucar. Esta foi minha opção: apesar de às vezes achar que não consegue exercer qualquer controle sobre sua vida, tenha em mente que esta foi uma escolha que você fez. Não perca de vista o significado dessa doação. Eu também sou uma prioridade: autocuidado não é um luxo, e sim uma necessidade. É preciso achar um tempo seu, para uma caminhada, um banho relaxante, uma xícara de chá. Não se sinta culpada em se proporcionar ?respiros? e, se tiver outras pessoas da família que possam ser acionadas, reserve pequenas férias para recarregar as baterias. O bom humor protege: aprenda a gracejar com a escassez de elogios, lembrando de um jeito leve que um ?valeu? e ?obrigado? de vez em quando são muito bem-vindos. E, quando receber um, mostre-se grata, para alimentar um círculo virtuoso. A dedicação não pode ser medida pelo estado da pessoa cuidada: a piora da condição de saúde do paciente pode provocar uma onda de recriminações de outras pessoas, que nem sequer participam do dia a dia e desconhecem a gravidade da situação, e desencadear um forte sentimento de culpa. Nem o melhor cuidador é capaz de deter a progressão de uma enfermidade. Os outros têm que saber: é comum, até entre irmãos, que, depois de alguém ser escalado para cuidar do idoso, os demais se sintam desobrigados de acompanhar o que acontece. Para evitar isso, mande relatos periódicos sobre consultas e tratamentos. As informações farão com que possam apreciar seu trabalho.

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