Ciência e Saúde

13/Dez/2019 21:50h
As razões fisiológicas para sentirmos mais vontade de fazer xixi quando está frio
13/Dez/2019 20:46h
Os controversos planos de Equador e Peru para extrair petróleo da Amazônia, criticados em cúpula do ...
13/Dez/2019 19:57h
Plantas 'gritam' quando estão sob estresse, aponta estudo
13/Dez/2019 17:03h
Clima global faz cientistas trocarem carreira acadêmica pelo ativismo
13/Dez/2019 17:03h
Cobertura vacinal contra o sarampo é de 99,4% no Brasil, diz ministério
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Ciência e Saúde - G1

  • As razões fisiológicas para sentirmos mais vontade de fazer xixi quando está frio


    Já percebeu que, quando está frio, sentimos mais vontade de urinar? Conheça as razões fisiológicas por trás desse fenômeno curioso. A frequência com que urinamos depende, em grande medida, de quanto e de qual tipo de líquido ingerimos Getty Images via BBC É muito difícil definir quantas idas diárias ao banheiro podem ser consideradas normais. Isso porque nossa vontade de fazer xixi depende em grande medida de quanto líquido bebemos, que tipo de bebida é essa, se tomamos alguma medicação e o quanto transpiramos. Apesar disso, uma medida bastante aceita é de até sete vezes ao longo do dia e uma vez à noite, como explica à BBC News Mundo Blanca Madurga, especialista da Unidade de Urologia Funcional, Feminina e Urodinâmica do Hospital Universitário Puerta del Mar, na Espanha. Mas, para além do número de idas ao banheiro, uma pergunta persiste: por que, quando está frio, costumamos urinar mais que nos dias de calor? Esse fenômeno não apenas é normal, como também ocorre com todas as pessoas, independentemente da frequência com que façam xixi. Efeitos diversos Em linhas gerais, a explicação é bastante simples. "Quando faz frio, nosso corpo não está tão dilatado quanto no verão - algo muito fácil de comprovar, se observarmos nossos pés ou nossas mãos - e esse inchaço acontece porque há uma retenção de líquidos", explica Madurga. "No inverno, como estamos mais contraídos, essa retenção de líquidos é menor e, por isso, produzimos mais urina do que no verão, quando também perdemos líquido por meio do suor", acrescenta. O que acontece durante o inverno, quando nos expomos a temperaturas baixas, é a chamada diurese do frio ou diurese induzida pelo frio. Quando as temperaturas caem, os vasos sanguíneos do nosso corpo se contraem para concentrar a maior quantidade possível de fluxo sanguíneo ao redor de nossos órgãos vitais, que ficam longe da pele. Por esse motivo, sentimos frio nas mãos, nos pés, no nariz e em outras extremidades. Quando os vasos se contraem, isso significa que o sangue - que existe na mesma quantidade - tem menos espaço para circular, fazendo subir a pressão sanguínea. É nesse momento que entra em ação a diurese: as células arteriais nos rins percebem um aumento da pressão e enviam um sinal para que os rins eliminem líquidos que não são necessários e, assim, regular a pressão arterial. Com isso, acabamos urinando mais. Essa descrição diz respeito, entretanto, a casos em que a bexiga está saudável. Mas podem existir outras situações, em que exista "uma patologia de base que seja uma bexiga hiperativa - uma bexiga que produz uma vontade de urinar urgente", diz a uróloga. "Isso pode ser gerado por uma contração involuntária do músculo que rodeia a bexiga, que se ativa quando ingerimos líquido ou com o frio em geral." Se for fazer exercício ao ar livre quando o tempo estiver gelado, prepare-se... Getty Images via BBC Bons hábitos Madurga explica que, ainda que urinemos mais no inverno, não é necessário tomar mais líquido por isso. O recomendável segue sendo "entre dois e dois litros e meio por dia", destaca a médica. Tão importante quanto manter bons hábitos de hidratação é cuidar da nossa bexiga, como explica um material informativo do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), que recomenda uma série de medidas simples para manter uma bexiga sadia. Uma das sugestões é evitar o hábito de ir ao banheiro "por via das dúvidas", já que isso faz com que nossa bexiga tenha menor capacidade. "Vá ao banheiro quando a bexiga estiver cheia e sentir que precisa ir", diz o texto. Mas o material esclarece ainda que não há problema em esvaziar a bexiga antes de ir dormir. Outra recomendação é dedicar o tempo necessário ao momento de urinar, para dar à bexiga a oportunidade de se esvaziar por completo. "Urinar às pressas pode fazer com que a sua bexiga não se esvazie por completo e aumentar o risco de infecções urinárias." Por que fazemos mais xixi no inverno?

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  • Os controversos planos de Equador e Peru para extrair petróleo da Amazônia, criticados em cúpula do clima


    Países dão sinais de que vão expandir a exploração dos cerca de 5 bilhões de barris de petróleo no solo dessas florestas. No leste do Equador e no Peru está localizada a área mais biodiversa do planeta: a chamada Bacia Hidrográfica do Amazonas, onde nasce o rio mais caudaloso do mundo. Cerca de 500 mil indígenas vivem na região, incluindo aldeias que nunca tiveram contato com pessoas de fora de sua comunidade. Mas esses 30 milhões de hectares de floresta que, segundo ambientalistas, são essenciais para mitigar as mudanças climáticas, escondem um tesouro debaixo da terra que pode ameaçar sua própria existência. Estima-se que exista o equivalente a cerca de 5 bilhões de barris de petróleo no solo dessas florestas na Amazônia. Parte dessa riqueza já está sendo explorada, mas até agora as pressões sociais conseguiram preservar uma grande parte das chamadas Bacias Sagradas. No entanto, grupos de ambientalistas e indígenas que participam da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 25), que termina nesta sexta-feira (13/12) em Madri, denunciaram que os governos do Equador e do Peru planejam expandir a exploração nessa área. Os ativistas exigiram que uma "moratória imediata" fosse imposta a novas iniciativas de extração e exploração de petróleo na região. Indígenas protestam contra exploração de petróleo na Amazônia durante a COP 25 Getty Images via BBC Kevin Koenig, diretor de Clima e Energia da Amazon Watch, que liderou a denúncia, disse em Madri à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que os planos mostram a "hipocrisia" desses países. "Certo dia, o presidente do Equador, Lenín Moreno, discursou na COP 25 sobre proteger o planeta, mas ao mesmo tempo planeja ampliar a exploração do petróleo na Amazônia", afirmou. Embora a imprensa local tenha confirmado planos nesse sentido nos dois países da América do Sul, o Peru nega e o Equador não anunciou oficialmente nenhuma nova licitação na região das Bacias Sagradas. Controvérsia no Equador Conforme informou o jornal equatoriano El Comercio, a empresa petrolífera estatal equatoriana Petroamazonas planeja expandir já em 2020 a exploração em uma área altamente controversa da Amazônia, conhecida como campo de Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT) 43. Este é um dos quase 80 blocos em que se divide a região amazônica equatoriana, considerada rica em petróleo. Até agora, o governo permitiu a exploração de petróleo em cerca de metade dessa região. Isso inclui partes da ITT, um bloco que faz fronteira com a chamada "zona intangível", onde a exploração é proibida. Mas, de acordo com o El Comercio, o governo equatoriano não apenas planeja expandir a exploração já existente na ITT. Também licitará a chamada zona Suroriente, que inclui mais de uma dúzia de blocos na fronteira ou perto da fronteira com o Peru. Trata-se de uma área gigante, que representa mais de um terço da região amazônica atualmente sob exploração de petróleo. Ministério de Minas e Energia do Peru diz que proposta de reforma busca 'fortalecer a segurança energética do país' Getty Images via BBC Área peruana A Petroperú, empresa estatal de petróleo peruana, seria a responsável por executar algumas das novas explorações. O governo peruano anunciou planos de "modernizar" o gasoduto Norperuano, operado pela Petroperú na Amazônia, a fim de aumentar sua capacidade de transporte. O objetivo também seria evitar a contaminação ambiental, uma vez que esse oleoduto tem sido alvo de muitas críticas por vários derramamentos. O presidente do conselho da Petroperú, Carlos Paredes, disse que não apenas está "melhorando o oleoduto", mas também "estendendo seu âmbito de operação". Em declarações à agência de notícias oficial Andina, Paredes disse que a companhia estatal de petróleo está trabalhando com empresas privadas e com o Ministério de Minas e Energia na preparação de um estudo que "permita identificar e propor medidas concretas que incentivem o desenvolvimento de nossa indústria na Amazônia". Consultados pela BBC News Mundo sobre possíveis planos de expansão da exploração de petróleo nas chamadas Bacias Sagradas da Amazônia, porta-vozes do ministério negaram essa possibilidade. "Não há planos de fazer alocação de lotes de hidrocarbonetos no Alto Amazonas em 2020", disse um porta-voz. A BBC também entrou em contato com o Ministério de Energia e Recursos Não Renováveis ??do Equador, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. 'Sinais' Apesar das negativas oficiais, os ativistas ambientais apontam para vários "sinais" que mostrariam a intenção dos dois países de expandir a exploração de petróleo na Amazônia. O Equador reformou sua lei de hidrocarbonetos para tornar a exploração de petróleo mais atraente para empresas estrangeiras. Enquanto isso, o governo peruano apresentou ao Parlamento um projeto de reforma semelhante. Além de aumentar o lucro para quem explora petróleo, a proposta também estende os anos de contrato. Segundo o Ministério de Minas e Energia do Peru, a reforma busca "fortalecer a segurança energética do país, ter um abastecimento de energia competitivo e melhorar os aspectos ambientais e sociais relacionados à indústria de hidrocarbonetos". Para Koenig, o principal objetivo é "reavivar a indústria petrolífera peruana". O ativista ambiental vê indícios ainda mais claros de que o Equador planeja expandir sua produção, que se concentra na região amazônica. Em maio passado, o país assinou sete contratos de petróleo nessa área e, para este ano, já anunciou para março a entrega de licitações na chamada "Rodada Intercampos", que oferece oito blocos no norte da Amazônia equatoriana. Reformulação das lei de hidrocarbonetos equatoriana é um sinal apontado por especialistas de interesse na exploração de petróleo na Amazônia Getty Images via BBC Há uma década, o então presidente equatoriano Rafael Correa havia suspendido contratos nessa área por serem considerados prejudiciais. Por outro lado, o governo de Lenín Moreno anunciou que, em janeiro de 2020, o Equador deixará de ser membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), uma decisão que permitiria aumentar livremente sua produção de petróleo. Desde 2016, a Opep promove cortes da produção de petróleo cru para estabilizar o preço no mercado internacional. Como parte dessa organização, o Equador teve de fazer o mesmo. O governo equatoriano informou que procurará aumentar sua produção de petróleo em 2% no próximo ano, atingindo 542 mil barris por dia. De acordo com um editorial publicado recentemente no El Comercio, isso exigirá que a exploração na ITT seja ampliada e a área sudeste da Amazônia seja licitada, no coração das Bacias Sagradas. Segundo a Amazon Watch, se essas propostas avançarem, será explorada uma área na Amazônia do tamanho da Itália. Initial plugin text

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  • Plantas 'gritam' quando estão sob estresse, aponta estudo


    Cientistas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, detectaram que tomateiros e pés de tabaco emitem uma grande quantidade de sinais ultrassônicos quando ficam sem água ou são cortados. Descoberta pode gerar benefícios para a agricultura, dizem os autores da pesquisa. As plantas são silenciosas? Um novo estudo diz que não - apenas não conseguimos ouvir seus sons Getty Images via BBC Pense bem antes da próxima vez que for cortar um galho ou arrancar uma folha, porque um novo estudo apontou que plantas não são seres vivos tão silenciosos e impassíveis quanto se imagina. O cientista Itzhak Khait e seus colegas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, identificaram que pés de tabaco e tomateiros emitem uma sequência de "gritos" ultrassônicos quando estão sob estresse. No entanto, os sons produzidos por estas plantas têm uma frequência muito alta para serem ouvidos por seres humanos. "Essas descobertas podem mudar a forma como pensamos sobre o reino vegetal, que foi considerado quase silencioso até agora", escrevem os autores do estudo. Plantas emitiram mais sons sob estresse Os cientistas dizem que pesquisas anteriores haviam demonstrado que a cor, formato e odor das plantas mudam em resposta ao estresse, mas afirmam que a produção de sons em situações deste tipo não tinha sido amplamente investigada. Os pesquisadores colocaram as plantas em câmaras acústicas e em estufas, e posicionaram microfones que captam frequências ultrassônicas (entre 20 e 150 kHz). Então, deixaram um grupo de plantas sem água ou cortaram seus galhos, enquanto outro grupo foi mantido em condições normais. As plantas que não foram submetidas a estresse emitiram menos de um sinal sonoro por hora, mas isso ocorreu com muito mais frequência sob condições de estresse. Os tomateiros produziram em média 25 sinais ultrassônicos por hora quando seu caule foi cortado e até 35 sinais quando ficaram sem água. Os pés de tabaco emitiram 15 sinais por hora quando aparados e 11 ao não serem regados. Animais podem usar sons para avaliar condição da planta Em estudos anteriores, pesquisadores usaram aparelhos de gravação diretamente nas plantas para ouvir sons emitidos dentro de seus caules. Foi identificado que, em plantas desidratadas, bolhas de ar se formam, estalam e provocam vibrações que normalmente levam água pelos caules. A partir disso, os pesquisadores queriam saber se algum som produzido por plantas poderia viajar pelo ar. O cientistas concluíram que os sinais ultrassônicos, em uma faixa de 20 a 100 kHz, podem ser detectados por insetos e muitos mamíferos a distâncias entre 3 e 5 metros. Também apontaram que os sons emitidos quando uma planta é cortada ou fica sem água são diferentes e conseguiram identificá-los com 70% de precisão, por meio de um programa de computador que aprendeu os padrões sônicos produzidos pelas plantas. Os autores do estudo afirmam a partir disso que outros organismos podem ter evoluído para serem capazes de classificar os sons emitidos pelas plantas e reagir a eles. "Nossos resultados sugerem que animais e possivelmente até outras plantas poderiam usar estes sons para obter informações sobre a condição de uma planta", escrevem os cientistas. "Muitas traças são capazes de ouvir e reagir a sinais ultrassônicos nas frequências e intensidades que registramos, e algumas delas usam tomateiros e pés de tabaco com hospedeiros para suas larvas. Elas podem se beneficiar disso ao evitar colocar ovos em uma planta que emite estes sons." Os pesquisadores cogitam ainda que alguns predadores podem usar estas informações a seu favor. "Se plantas emitem sons quando estão sob ataque de lagartas, morcegos podem usá-los para detectar quais são estas plantas e comer estas lagartas", dizem eles no estudo. Benefícios para a agricultura As descobertas podem ser úteis para monitorar o grau de hidratação de plantações, segundo os cientistas. "Técnicas mais precisas de irrigação podem reduzir o uso de água em até 50% e aumentar a produção", afirmam. "Num momento em que mais e mais áreas sofrem com secas devido às mudanças climáticas e a população e consumo humanos continuam aumentando, o uso eficiente da água se torna mais crítico, tanto para a segurança alimentar quanto para a ecologia." O estudo, que ainda não foi revisado por outros cientistas, aponta que, em testes preliminares, sinais sonoros foram detectados em outros tipos de plantas. "Por isso, acreditamos que muitas plantas podem ter a habilidade de emitir sons, mas ainda é necessário identificar as exatas características destes sons e as semelhanças entre eles", dizem os cientistas. Eles também afirmam que novos estudos podem explorar os sons emitidos por plantas sob outras condições de estresse, como doenças, frio, ataques de pragas ou radiação solar extrema. Estudo cogita que animais podem usar sons para obter informações sobre a condição de uma planta Getty Images via BBC

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  • Clima global faz cientistas trocarem carreira acadêmica pelo ativismo


    Estresse, esgotamento profissional e frustração com políticos levam pesquisadores a botar a mão na massa e tentar fazer alguma coisa para salvar o meio ambiente. DW conversou com três deles. Manifestantes em protestos pelo clima durante a COP 25, em Madri Cristina Quicler/AFP A maioria dos seres humanos tem a opção de se desligar das terríveis reportagens na mídia sobre como as mudanças climáticas estão afetando o planeta. Isso não é tão fácil para cientistas e acadêmicos ambientais, que passam o dia pesquisando as consequências das mudanças climáticas. Em carta publicada na revista "Science" em outubro, os biólogos Andy Radford, Stephen Simpson e Tim Gordon, disseram que a destruição da natureza desencadeia "fortes reações de luto" em quem tem forte apego emocional ao tema. Eles argumentam que os institutos de pesquisa precisam desenvolver estratégias de assistência a seus cientistas ambientais, para ajudá-los a lidar com o "estresse emocional" que têm que suportar durante seu trabalho. Após a publicação, vários colegas procuraram Radford, que é professor da Universidade de Bristol, dizendo-se reconfortados com as avaliações divulgadas. A DW falou com três especialistas que abriram mão da carreira acadêmica, optando pelo ativismo ambiental. "Minha atração pela ciência sempre foi emocional. Mas na ciência você tem que manter as emoções sob controle, pois são indesejadas na profissão", revela Wolfgang Knorr, de 53 anos, ex-pesquisador de ciências do ecossistema da Universidade de Lund, na Suécia. Ele pediu demissão do cargo em setembro passado, depois de 27 anos na profissão: "No nível emocional, tenho uma forte sensação de que há um tremendo risco por aí, e sabemos muito menos do que fingimos saber." Ele acredita que suas habilidades seriam melhor aproveitadas no ativismo ambiental, mas ainda não sabe que rumo dará a sua vida profissional. "Em 2005 entrei para o Conselho de Pesquisa em Meio Ambiente do Reino Unido. Diariamente eu participava de reuniões, debatendo novos esquemas de energia renovável ou coisas do gênero. Ao voltar para casa, no trem, eu lia notícias sobre mudanças climáticas, mas a próxima página do jornal apresentava notícias econômicas sobre expansão e crescimento do PIB. Naquele momento, ficou claro para mim que havia uma dicotomia entre o meu trabalho e o que está acontecendo no resto do mundo." Acordo de neutralidade de carbono da UE pressiona COP 25 Ele lembra que sua intuição da época o acompanhou de forma latente até os protestos pelo clima começarem maciçamente. "Eles me fizeram perceber que eu tinha potencial para ser um defensor da causa. E ganhei uma nova perspectiva sobre o que poderia fazer com essas habilidades. Espero encontrar novos usos para as aptidões que usei como cientista e utilizá-las melhor." A cientista Jess Spear, de 38 anos, deixou a ciência climática em 2013 para trabalhar numa campanha na cidade americana de Seattle, que elegeu seu primeiro vereador socialista em um século. Ela se mudou para Dublin, Irlanda, em 2017 e trabalha para um novo grupo de esquerda irlandês chamado Radical Internationalist Socialist Environmentalist (Rise). "Eu trabalhava para o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). É muito mais fácil ser uma cientista que trabalha como funcionária pública. Não era tão estressante e era gratificante. Mas na verdade não era o que eu queria produzir no mundo." Ela conta que no início de 2011 começou a se decepcionar, pois não via muita gente realmente preocupada com o clima. "Ver os constantes aumentos de emissões e os fracassos dos governos é como assistir a um trem prestes a cair do precipício em câmera lenta. Você sabe o que vai acontecer. Você se sente impotente para fazer algo quando é apenas uma pessoa." Ao começar a atuar como ativista, em 2013, Jess sentiu como se uma luz tivesse se acendido: "Foi um momento que mudou minha vida, pois me abriu possibilidades para sair da busca por soluções para me focar em ativismo comunitário." O construtor, educador e ativista comunitário francês Mathieu Munsch, de 30 anos, diz que deixou um doutorado em mudança climática na Universidade de Strathclyde, Escócia, em setembro de 2018, depois de dois anos e meio. Hoje, está construindo uma casa ecológica na zona rural da França e se envolveu na política local. Ele sentiu que se continuasse na carreira acadêmica entraria em conflito com seus valores enquanto alguém que se preocupa com o meio ambiente. "A Strathclyde tem um grande departamento de engenharia que faz pesquisas sobre fracking e recebe fundos da indústria do petróleo. Os fundos de pensão de professores dos meus departamentos são investidos em combustíveis fósseis", revela. Munsch lembra que no primeiro ano ainda acreditava estar fazendo a coisa certa, mas foi ficando cético à medida que o tempo ia passando. "Ficava cada vez mais óbvio para mim que eu nunca seria capaz de ter uma carreira de sucesso, acesso a uma pensão e tudo mais se não me beneficiasse do sistema econômico atual, que é uma causa dessas mudanças climáticas catastróficas. Era um alerta de que eu precisava sair desse sistema." Globo terrestre na conferência do clima de Madri, COP 25, em 13 de dezembro de 2019 Paul White/AP Ele conta que sofreu de uma espécie de esgotamento profissional. "Especialmente quando ficava oito horas do meu dia ao computador, lendo documentos sobre a mudança climática. Era emocionalmente pesado, embora eu não ache que fosse o profundo desespero que sei que alguns sentem", ressalva. "Algo que me ajudava era atuar em grupos de ativistas. Mas é sair e encontrar uma maneira completamente diferente de fazer coisas que me ajudou a superar o estresse e a exaustão." Hoje, muitos o parabenizam pela decisão: "Um me disse: 'Eu fiz exatamente a mesma coisa dois anos atrás, e sinto que o que estou fazendo agora tem muito mais sentido.'"

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  • Cobertura vacinal contra o sarampo é de 99,4% no Brasil, diz ministério


    Em balanço divulgado nesta sexta-feira (13) pelo Ministério da Saúde, apenas 8 estados brasileiros e o Distrito Federal ficaram abaixo da meta de imunização de 95%; há dois meses, país tinha apenas 57,19% das crianças de até um ano vacinadas. Postos da Grande Vitória terão Dia D de vacinação contra o sarampo Divulgação/ Prefeitura de Vila Velha/Arquivo O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (13) que o Brasil ultrapassou a meta esperada de cobertura vacinal contra o sarampo e atingiu, até o momento, 99,4% do público alvo. O resultado é o melhor desde 2015 (veja o gráfico abaixo), mas a pasta alerta para oito estados e o Distrito Federal que ainda não conseguiram alcançar o mínimo de 95% das crianças vacinadas antes de completar um ano de idade. Cobertura vacinal da tríplice viral em 2019. G1 Natureza O ministério destacou a intensificação das ações de vacinação e as Campanhas Nacionais de Vacinação contra o sarampo como importantes para o aumento da cobertura. Há dois meses, o Brasil registrava a mais baixa cobertura vacinal para a tríplice viral dos últimos cinco anos, 57,19%. De acordo com um boletim divulgado pelo Ministério da Saúde em 15 de outubro, em todas as regiões do país a cobertura não chegava aos 70%. No total do Brasil, o número era de 57,19% . Entenda as complicações do sarampo Surto no Brasil O número de registros confirmados de sarampo no país já soma 10.429 casos desde o início de 2019. As confirmações foram feitas por análise laboratorial (79%) ou critério clínico (21%). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira 7 de novembro no mais recente boletim do Ministério da Saúde. Confira os números, desde janeiro: 49.613 casos suspeitos 10.429 casos confirmados (21%) 19.647 descartados 19.537 ainda são investigados 14 mortes (há o registro de uma 15ª vítima, que ainda não consta no balanço oficial do Ministério) São Paulo lidera, com 5.123 casos; seguido por Paraná (227), Rio de Janeiro (70) e Minas Gerais (67). Vacina contra o sarampo Divulgação Quem deve tomar a vacina contra o sarampo? Quem ainda não tomou as duas doses da vacina na infância e na adolescência Quem não tem certeza se já tomou as duas doses deve tomar uma dose extra Vacina em duas doses Para ter proteção contra o sarampo, é necessário ter tomado duas doses da vacina a partir do primeiro ano de vida, alerta a infectologista Suzi Berbert. A prática mais comum hoje é vacinar as crianças pela primeira vez aos 12 meses e voltar para a segunda dose já aos 15 meses. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente durante todo o ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Doença altamente contagiosa O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte; Os principais sintomas são febre, manchas avermelhadas na pele do rosto e tosse persistente; A prevenção da doença é feita por meio da vacinação, e os especialistas reforçam que não há relação entre a vacina e o autismo. Saiba mais sobre o sarampo Arte/G1

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