Ciência e Saúde

15/Jan/2021 21:00h
Bolsonaro insiste em 'tratamento precoce' contra Covid-19 mesmo sem comprovação; não há medicamentos...
15/Jan/2021 20:51h
Ministério da Saúde confirma reinfecção por nova variante brasileira do coronavírus
15/Jan/2021 19:09h
Mundo não está fazendo o suficiente para frear a pandemia, diz OMS
15/Jan/2021 18:26h
Falso sentimento de segurança fez população de Manaus baixar a guarda, diz diretora da OMS: 'A luta ...
15/Jan/2021 17:29h
Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: veja perguntas e respostas
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Ciência e Saúde - G1

  • Bolsonaro insiste em 'tratamento precoce' contra Covid-19 mesmo sem comprovação; não há medicamentos para prevenir a doença, mostram estudos


    Nesta sexta-feira (15), em meio ao colapso do sistema de saúde em Manaus, o presidente voltou a defender o uso de ?antimaláricos? contra a doença. Não há comprovação de que o uso de qualquer remédio tenha a capacidade de proteger e/ou tratar o coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira (15) o "tratamento precoce" contra a Covid-19, mesmo sem qualquer comprovação científica. A insistência em defender o uso de medicamentos ineficientes contra a doença acontece em meio ao caos do sistema de saúde de Manaus, com falta de oxigênio para atendimento dos pacientes nos leitos hospitalares. Pacientes do Amazonas são transferidos para outros estados Mulher denuncia falta de oxigênio e descaso com pacientes em hospital de Manaus Mundo tem mais de 2 milhões de mortos por Covid-19, afirma universidade "Estudos clínicos demonstram que o tratamento precoce da Covid, com antimaláricos, podem reduzir a progressão da doença, prevenir a hospitalização e estão associados à redução da mortalidade", escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter. Algumas horas após a postagem, a rede social colocou uma marcação explicando que as informações não têm comprovação. Tuíte de Bolsonaro Twitter O "tratamento precoce", ou "Kit Covid", disponibilizado pelo Ministério da Saúde é uma combinação que inclui a hidroxicloroquina e a cloroquina, junto com outros fármacos. As substâncias inicialmente foram testadas em laboratório e, depois, em estudos clínicos, pesquisadores de diferentes universidades e países comprovaram que não há prevenção e/ou tratamento com a ajuda de medicamentos. "Todos os países com seriedade, que seguem a ciência, eles já compreenderam que esses medicamentos não são eficazes contra a Covid. Se esses medicamentos tivessem qualquer comprovação científica, seria impossível que esses países, onde existem pesquisadores muito sérios e instituições muito respeitadas e competentes, não estivessem recomendando para a sua população", disse Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo e pós-doutora em epidemiologia pela universidade Johns Hopkins. "O Brasil precisa deixar isso pra trás. O Brasil precisa colocar o nosso dinheiro, que é um dinheiro público, naquilo que é realmente efetivo: as vacinas e as medidas emergenciais, para que as pessoas possam fazer isolamento social com dignidade", completou Maciel. Homem carrega cilindro para tentar socorrer pacientes com Covid-19 em Manaus, no Amazonas Bruno Kelly/Reuters Nesta sexta-feira (15), centenas de pacientes de Manaus estão sendo transferidos para outros estados. As transferências ocorrem em meio ao colapso do sistema de saúde amazonense, após recorde das internações por Covid-19 e com uma nova variante do coronavírus circulando no estado. Hospitais do estado ficaram sem oxigênios para pacientes. O G1 registrou nesta quinta-feira (14) cenas de médicos transportando cilindros nos próprios carros para levar ao hospital e familiares tentando comprar o insumo. Cemitérios estão lotados e instalaram câmaras frigoríficas. 'Terrível o problema em Manaus. Agora, nós fizemos a nossa parte', diz Jair Bolsonaro Sobre o assunto, o presidente disse: "Problemas. A gente está sempre fazendo o que tem que fazer. Problema em Manaus. Terrível, o problema em Manaus. Agora, agora, nós fizemos a nossa parte. Recursos, meios. Hoje, as Forças Armadas 'deslocou' para lá um hospital de campanha. O ministro da Saúde esteve lá segunda-feira e providenciou oxigênio". Estudos de medicamentos contra a Covid Em novembro, um estudo brasileiro mostrou que pacientes que tomam cloroquina há anos tem o mesmo risco de desenvolver a Covid-19 do que aqueles que nunca tomaram. Participaram cerca de 400 estudantes de medicina e quase 10 mil voluntários espalhados por 20 centros do Brasil. Antes disso, outras pesquisas já haviam acusado a ineficácia das substâncias para prevenção e tratamento da infecção pelo coronavírus. A revista científica "Nature", uma das mais renomadas do mundo, publicou dois estudos que apontaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não são úteis contra a Covid-19. Em um dos artigos da "Nature", o medicamento anti-malárico falhou em apresentar efeito antiviral contra a Covid-19 em macacos. Já a outra pesquisa não viu efeitos da cloroquina nas células pulmonares infectadas pelo vírus, em laboratório. Agência reguladora dos Estados Unidos cancela autorização da cloroquina Em 16 de julho de 2020, outra revista, a "Annals of Internal Medicine", mostrou com testes randomizados padrão ouro, o mais preciso possível em pesquisas científicas, que a administração de hidroxicloroquina em pacientes com quadro leve de Covid-19 também não se mostrou eficaz. Esses mesmos resultados continuaram se repetindo em outros estudos. Uma pesquisa brasileira também fez testes em humanos e foi publicado no ?The New England Journal of Medicine". Mais uma vez, os pesquisadores apontaram que a hidroxicloroquina não teve eficácia no tratamento da Covid-19 em pacientes com casos leves e moderados atendidos em hospitais. OMS suspende testes com hidroxicloroquina contra a Covid-19 EUA cancelam autorização para uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19 A decisão de não recomendar o uso de antimaláricos e de um tratamento precoce não ficou a cargo apenas dos cientistas. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos com papel similar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendeu o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 em junho do ano passado. Em outubro, a Organização Mundial da Saúde divulgou seus próprios resultados: mais de 30 países envolvidos em um estudo com mais de 11,2 mil participantes. No artigo, os cientistas afirmaram que quatro antivirais utilizados contra a Covid-19 são ineficazes: remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir (combinação) e interferon beta-1a. Initial plugin text

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  • Ministério da Saúde confirma reinfecção por nova variante brasileira do coronavírus

    Pasta diz que já recebeu duas notificações de reinfecção da nova cepa originada no Amazonas. Caso confirmado é de mulher que se infectou pela primeira vez em março de 2020. Japão detecta nova variante de coronavírus em viajantes vindos do Brasil O Ministério da Saúde confirmou nesta sexta-feira (15) uma reinfecção pela nova variante do coronavírus no Brasil. O caso foi notificado na quarta-feira (13) pelo estado do Amazonas. Mutação do vírus no Amazonas: o que se sabe até agora O caso é de uma mulher que foi diagnosticada com a Covid-19 pela primeira vez em 24 de março de 2020. Nove meses depois, em 30 de dezembro, ela recebeu o segundo diagnóstico por meio de um teste RT-PCR, que identifica o material genético do vírus. A análise em laboratório mostrou um "padrão de mutações compatível com a variante do vírus SARS CoV-2, identificada recentemente pelo Ministério da Saúde do Japão, mas de origem no Amazonas", informou o Ministério. O ministério já recebeu a notificação de duas reinfecções pela nova variante do SARS CoV-2 - uma no estado da Bahia, com mutação originada na África do Sul, e essa do estado do Amazonas, confirmada nesta sexta. Segundo a pasta, os dois pacientes continuarão sendo monitorados com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) na América Latina. Casos de reinfecção Ainda segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados no Brasil outros três casos de reinfecção entre as linhagens do coronavírus que já circulavam no país. Dois ocorreram no Rio Grande do Sul e um em São Paulo. Nova variante A variante do Amazonas tem uma série de mutações que ainda não tinham sido encontradas. Ela pode ter evoluído de uma linhagem viral que circula no Amazonas desde abril do ano passado, e "ser representante de um vírus potencialmente de uma linhagem emergente no Brasil", explicou a Fiocruz Amazônia. A variante envolve mutações na proteína Spike, que faz a interação inicial com a célula humana. Esta nova cepa carrega mutações que já foram associadas à maior transmissão, mas ainda não é possível afirmar se ela é mais transmissível ou não. As mutações na proteína Spike chamam mais atenção porque elas podem afetar a transmissão do vírus, aumentando ou diminuindo. Quando essa mutação é prejudicial ao vírus, ela vai desaparecer, porque essa mutação não vai circular. As mutações neutras, que não dão vantagem ao vírus, são maioria. Porém, há essas que aparentemente dão vantagem ao vírus e são com essas que temos que ficar mais preocupados. Coronavírus: Por que a nova variante preocupa? Initial plugin text

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  • Mundo não está fazendo o suficiente para frear a pandemia, diz OMS


    Entidade alerta que a vacina não é a única solução contra a Covid-19. Número de mortos por coronavírus em todo o mundo passou de 2 milhões, segundo o balanço da Universidade Johns Hopkins Mundo tem mais de 2 milhões de mortos por Covid-19, afirma universidade O diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse nesta sexta-feira (15) que ninguém no mundo está fazendo o suficiente para conter a pandemia da Covid-19. ?O vírus está explorando a nossa falta de comprometimento, a nossa mudança de comportamento?. Ryan explicou que o aumento de casos no mundo está acontecendo porque as pessoas estão relaxando, estão reduzindo o distanciamento físico e que a vacina não é a única solução contra a pandemia. Segundo a Universidade Johns Hopkins, o mundo tem mais de 2 milhões de mortos pela Covid-19. ?A vacina é a luz no fim do túnel, um grande avanço, mas não é solução para todos os problemas, precisamos continuar com as medidas de prevenção que já temos?, alertou o diretor. VACINAÇÃO: veja perguntas e respostas E completou: ?mesmo que as vacinas sejam eficientes, as pessoas precisam ser vacinadas, os países precisam receber as vacinas, precisamos imunizar os profissionais da saúde e as pessoas mais vulneráveis?. Líder técnica da entidade, Maria van Kerkhove disse que o túnel que estamos percorrendo é longo e perigoso, mas que os países têm ferramentas para atravessar. ?Não podemos esquecer as ferramentas que já temos. Queremos que isso acabe logo, estamos cansados, mas precisamos de ação coletiva para colocar um fim na pandemia?. Vacinação contra a Covid nos EUA REUTERS/File Photo Vacinação em 100 dias O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu que as campanhas de vacinação contra a Covid-19 comecem em todo o planeta nos próximos 100 dias. "Quero ver vacinações em andamento em todos os países nos próximos 100 dias, para que os profissionais da saúde e os [cidadãos] de alto risco sejam protegidos em primeiro lugar", disse. A OMS disse que espera começar a vacinação em países pobres e de renda média baixa em fevereiro, através da aliança Covax ? uma iniciativa da organização para garantir o acesso equitativo a uma futura vacina da Covid-19. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina

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  • Falso sentimento de segurança fez população de Manaus baixar a guarda, diz diretora da OMS: 'A luta ainda não acabou'

    Para Mariângela Simão, o que está acontecendo em Manaus deve servir de alerta para outros lugares do mundo. 5 pontos sobre a Covid-19 no Amazonas A brasileira Mariângela Simão, diretora para acesso a medicamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse nesta sexta-feira (15) que o que está acontecendo em Manaus deve servir de alerta para outros lugares do mundo, para mostrar que a pandemia ainda não terminou. "Manaus passa por uma situação muito difícil. Devido a um falso sentimento de segurança, eles baixaram a guarda. É importante que aprendamos com a terrível situação que Manaus vive. Podemos evitar danos adicionais se continuarmos transmitindo a mensagem: não baixem a guarda, a luta ainda não acabou" - Mariângela Simão, diretora da OMS. NOVA VARIANTE: o que se sabe até agora COLAPSO: sem oxigênio, pacientes dependem de ventilação manual para sobreviver em Manaus APELO DE PSICÓLOGA: 'Quem tiver oxigênio, por favor traga' Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, disse que é muito fácil colocar a culpa na nova variante encontrada no estado para justificar o colapso. "As variantes podem sim ter um impacto, mas é fácil colocar a culpa na variante, no vírus. Precisamos analisar o que nós não fizemos, precisamos aceitar a nossa culpa individualmente, como comunidade, como governo, para essa falta de controle do vírus", disse o diretor de emergências. Ryan disse que a OMS se solidariza com a população brasileira e que o mundo precisa lutar contra o vírus de forma mais eficaz. "Faremos de tudo para dar apoio aos estados-membros da OMS e à população brasileira". VÍDEOS: Manaus vive colapso com hospitais sem oxigênio Initial plugin text

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  • Vacinação contra a Covid-19 no Brasil: veja perguntas e respostas


    Preciso levar um documento de identificação? Quando começa a vacinação? Ela será gratuita? A vacina será obrigatória? Veja essas e mais dúvidas. Voluntário de testes da Coronavac Jornal Nacional/Reprodução OXFORD: o que se sabe sobre a vacina de Oxford CORONAVAC: o que se sabe sobre a vacina CoronaVac TIRA-DÚVIDAS: perguntas e respostas sobre vacinas Abaixo, confira as principais perguntas e respostas sobre a vacinação no Brasil: Quando começa a vacinação no Brasil? Preciso levar algum documento ou me cadastrar em algum site? É verdade que o Ministério da Saúde está fazendo um agendamento para receber a vacina? Quais vacinas serão aplicadas no Brasil? Quais serão os grupos prioritários? Quais serão as fases de vacinação? Por que a vacinação é importante? A vacina será gratuita? Existe uma vacina melhor que a outra? Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei imunizado contra a Covid-19? A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus? Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina? A vacinação será obrigatória? Quando teremos imunidade de rebanho com a vacinação? Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular? 1 - Quando começa a vacinação no Brasil? Ainda não se sabe. Prefeitos que participaram de um encontro com o ministro da Saúde disseram que Eduardo Pazuello anunciou que o início da vacinação começará na próxima quarta-feira (20) em todo o país. Procurado pelo G1, o Ministério da Saúde não confirmou a data. O início da vacinação depende das doses das vacinas e da aprovação da Anvisa para uso emergencial da CoronaVac e vacina de Oxford. Em dezembro, o Ministério da Saúde já tinha previsto a vacinação entre 20 de janeiro e 10 de fevereiro. 2 - Preciso levar algum documento ou me cadastrar em algum site? Não. Todas as pessoas serão vacinadas, mesmo que não apresentem algum documento. Basta comprovar que pertence ao grupo prioritário correspondente à fase da vacinação. No entanto, para fazer o controle, o Ministério da Saúde diz que é importante informar o número do CPF ou apresentar o Cartão Nacional de Saúde (CNS) ? o Cartão do SUS. Caso a pessoa não esteja cadastrada nas bases de dados do Ministério da Saúde, o profissional no posto de saúde poderá registrá-lo no momento do atendimento. VEJA MAIS: documentos necessários para se imunizar Ministério da Saúde vai registrar informações de todos os vacinados contra Covid-19 3 - É verdade que o Ministério da Saúde está fazendo um agendamento para receber a vacina? Não. Em nota, o Ministério da Saúde disse que não realiza agendamento para aplicação de nenhum tipo de vacina, e nem envia códigos para celular dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). 4 - Quais vacinas serão aplicadas no Brasil? Por enquanto, duas vacinas estão sendo analisadas para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 5 - Quais serão os grupos prioritários? Segundo o plano nacional de imunização do governo, as prioridades da campanha de vacinação são: trabalhadores da área de Saúde; idosos (acima de 60 anos); indígenas; pessoas com comorbidades; professores (do nível básico ao superior); profissionais de forças de segurança e salvamento; funcionários do sistema prisional; comunidades tradicionais ribeirinhas; quilombolas; trabalhadores do transporte coletivo; pessoas em situação de rua; população privada de liberdade. LEIA MAIS: Governo inclui novos grupos prioritários em plano nacional de vacinação Veja destaques da fala do ministro Eduardo Pazuello sobre vacinação contra a Covid-19 6 - Quais serão as fases de vacinação? De acordo com o plano de imunização, as três primeiras fases incluem os seguintes grupos: Primeira fase: trabalhadores de saúde; pessoas de 75 anos ou mais; pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas; população indígena aldeado em terras demarcadas aldeada; povos e comunidades tradicionais ribeirinhas. Segunda fase: Pessoas de 60 a 74 anos. Terceira fase: pessoas com comorbidades. Ainda não está definido em qual fase serão inseridos os demais grupos prioritários. Segundo o governo, a decisão depende de aprovação das vacinas e disponibilidade. 7 - Por que a vacinação é importante? Quanto mais gente se vacinar logo no início, mais fácil será tratar eventuais pessoas que ainda não receberam suas doses e precisarão, portanto, de atendimento médico. As vacinas não garantem que o paciente não terá Covid-19 novamente, apenas diminuem a chance de infecção e também a gravidade da doença em relação às pessoas que não receberam. Por isso, mesmo os vacinados ainda poderão transmitir o coronavírus. O uso da máscara ainda será fundamental, assim como o isolamento. "Nenhuma vacina é 100% eficaz. Você só consegue maior proteção quando a maior parte da população se vacina, porque quando tem muita gente vacinando, o vírus diminui a circulação e, então, acaba protegendo também quem não está vacinado. Por isso que não é 'toma quem quer'", disse Denise Garret, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas. 8 - A vacina será gratuita? Sim. A vacina será disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde, sem custos. 9 - Eu devo tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%? Não é melhor esperar outras? Sim, você deve tomar a vacina mesmo que a eficácia dela não seja de 100%. Veja o que disseram os especialistas consultados pelo G1: "Primeiro: vem de graça pelo SUS ? por que esperar se pode não esperar? Nada impede. O sistema imunológico vai ser ativado por qualquer vacina", lembra Rodrigo Guerra, da UFSM. "Em geral, é preferível a vacina que está disponível. É melhor vacinar com uma menos eficaz do que esperar mais tempo por uma mais eficaz. Mas é uma situação bem complexa", pondera Lucia Pellanda, da UFCSPA. "Nenhuma vacina tem eficácia de 100%. Tem eficácia de 90%, nenhuma é 100%. Tem que tomar a vacina que ofereça alguma proteção e que esteja disponível ? não adianta sonhar com a vacina de 95% e ela não chegar. O risco a que eu vou ficar exposto em todo esse período é maior do que de já tomar a vacina com eficácia menor, mas com a qual eu garanto uma proteção. Para as formas um pouco mais graves, até foi uma proteção maior. Quem sabe ela proteja mais ainda para formas graves", pontua Alexandre Zavascki, da UFRGS. "As duas vacinas que estarão provavelmente disponíveis na semana que vem no Brasil [a CoronaVac e a de Oxford] são seguras e este é um fator essencial. Sendo segura, quanto mais pessoas tomarem a vacina, mas diminuímos o risco individual e coletivo e mais rápido chegaremos na imunidade coletiva", explica Otavio Ranzani, médico intensivista e epidemiologista da USP. LEIA MAIS: 10 perguntas e respostas sobre a eficácia da CoronaVac 10 - Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei imunizado contra a Covid-19? Mesmo após as duas doses da vacina, nosso organismo não gera uma resposta imune imediata, explica o infectologista Jose Geraldo Leite Ribeiro, vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). ?A proteção se dá um tempo após a aplicação da segunda dose, e esse tempo varia de acordo com cada vacina. Na maioria delas, a imunidade acontece a partir de dez ou vinte dias após a segunda dose?, afirma. 11 - A vacinação contra a Covid-19 acabará com o coronavírus? Ainda não se sabe. Em maio, a OMS afirmou que não há como prever quando se o coronavírus irá desaparecer um dia, mesmo com uma vacina (veja mais no vídeo abaixo). Porém, ainda que a vacina não seja capaz de fazer o vírus desaparecer, ela será capaz de interromper as cadeias de transmissão e conter a disseminação entre as populações. A previsão dos cientistas e da própria OMS é que o coronavírus se torne endêmico: à exemplo do que ocorre com o Influenza, que infecta novas pessoas todos os anos, o vírus continuará em circulação infectando aqueles que estiverem suscetíveis à Covid-19. OMS diz que não dá para prever quando e nem se a Covid-19 vai desaparecer 12 - Posso ser infectado pelo coronavírus ao tomar a vacina? Não, pois nenhuma vacina em testes contém o vírus vivo. ?A vacina contra a Covid-19 é uma ?vacina morta?, ou seja, são inativadas, não contém o vírus vivo. Portanto, é impossível você ser infectado ao se vacinar?, explica Ribeiro. 13 - A vacinação será obrigatória? Na prática, as vacinas no Brasil já são 'obrigatórias'. Em diversos estados e cidades brasileiras, quem quiser matricular filhos em colégios públicos, por exemplo, precisa mostrar cadernetas de vacinação em dia. A necessidade de apresentação de caderneta também é obrigatória para quem quer disputar cargos públicos no Brasil e imunização em dia é ?condição necessária? para quem se inscreve no Bolsa Família. Outro exemplo de ?obrigatoriedade? é a vacina de febre amarela. Segundo a OMS, 127 países exigem a vacinação contra a doença. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a aplicação de medidas restritivas para quem se recusar a se vacinar contra a Covid-19. Eles entenderam que essas medidas são necessárias porque a saúde coletiva não pode ser prejudicada por decisão individual. LEIA MAIS: 5 sinais de que vacinas já são 'obrigatórias' no Brasil 14 - Quando teremos imunidade de rebanho com a vacinação? Ainda é difícil de definir o prazo para atingir a imunidade de rebanho das vacinas contra a Covid-19. Um dos motivos é a falta de definição de qual será a quantidade de doses por mês no Brasil, além de uma certa incerteza dos cientistas com relação à porcentagem da população que é necessária para barrar a transmissão. A imunidade de rebanho acontece quando muitas pessoas adquirem anticorpos ou uma resposta imunológica a uma determinada doença infecciosa. O agente patogênico passa a encontrar menos pessoas sem imunidade e encontra dificuldade em se propagar, ou seja a cadeia de transmissão da enfermidade é interrompida. Para Ribeiro, é imprudente estimar quando e em qual taxa de população vacinada ocorrerá a imunidade de rebanho. ?Há autores que, por meio de modelos matemáticos, estimam que pelo menos 60% da população tem que ser vacinada para gerar imunidade de rebanho, mas é uma estimativa teórica. Eu não assinaria embaixo?, explica o infectologista da SBIm. ?Geralmente, esse dado só é conhecido depois que se vacina grande parte da população e a acompanha durante 3 ou 4 anos", diz. Outro fator a se considerar é que apenas os grupos de risco serão vacinados em 2021, uma parcela muito pequena da população. "A vacinação em 2021 não vai interferir na circulação do coronavírus. Além disso, temos que lembrar que nenhuma das vacinas em teste é 100% eficaz. Se uma vacina tem eficácia de 95%, como a da Moderna, por exemplo, quer dizer que a vacina falhou em cinco a cada cem pessoas vacinadas", completa Ribeiro. 'Imunidade de rebanho': o que é e quais os riscos de deixar a pandemia correr seu curso 15 - Não sou grupo de risco, não sei quando serei vacinado pelo SUS. Poderei comprar a vacina em uma clínica particular? Ainda não há uma previsão de quando as clínicas particulares conseguirão comprar lotes das vacinas contra a Covid-19 que forem aprovadas no Brasil. A orientação dos órgão de saúde nacionais e internacionais é que todas as doses produzidas pelos laboratórios neste primeiro momento sejam direcionadas aos governos, com a finalidade de garantir que as pessoas dos grupos de risco sejam imunizadas o mais breve possível. Assim, a resposta para esta pergunta dependerá, entre outros fatores, da capacidade de produção e entrega pelas farmacêuticas para atender tanto os governos como as clínicas particulares. VÍDEOS: Novidades sobre a vacina

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