Ciência e Saúde

11/Ago/2022 09:01h
A patrulha do intestino
09/Ago/2022 09:01h
Homens e mulheres: sobre diferenças e semelhanças
07/Ago/2022 15:52h
Parceria entre UFSJ e UFJF em pesquisa estuda padrão das mutações do novo coronavírus
07/Ago/2022 09:01h
Um pouco de psicologia positiva para cuidar melhor do dinheiro
04/Ago/2022 09:01h
Como o preconceito contra os mais velhos impacta os cuidados na saúde
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Ciência e Saúde - G1

  • A patrulha do intestino


    Estudo mostra como funciona a barreira natural que aciona o sistema imunológico contra patógenos Com uma superfície de aproximadamente 300 metros quadrados, graças às suas microvilosidades, o epitélio intestinal é composto de células que funcionam como uma barreira natural a toxinas e microrganismos patogênicos, evitando que cheguem a outros tecidos e órgãos. Cientistas do Instituto de Imunologia La Jolla, da Califórnia, divulgaram uma pesquisa fascinante mostrando como essas células enviam mensagens para as células T, do sistema imunológico, para que elas se mobilizem para deter potenciais infecções. Intolerância alimentar: sintomas mais frequentes são gases, dores abdominais, diarreia, náusea, refluxo e cansaço Mohamed Hassan para Pixabay ?A pesquisa mostra como as células da barreira intestinal, que são elementos estruturais do tecido, se comunicam com as do sistema imunológico para providenciar a defesa do organismo. As células T circulam próximas às células epiteliais como guardas de segurança, como se estivessem patrulhando a área. Elas recebem um sinal de alerta que equivale a algo como ?fiquem aqui e façam seu trabalho??, comparou Mitchell Kronenberg, diretor do instituto e principal autor do estudo. O processo depende da interação entre vários componentes, sendo que uma proteína chamada HVEM tem papel decisivo para que tudo funcione. Outro estudo revelou que pacientes com distúrbios intestinais podem ter um risco maior de desenvolver Doença de Alzheimer. Cientistas da Edith Cowan University (Austrália) analisaram amostras genéticas de cerca de 400 mil pessoas e descobriram que pacientes com Alzheimer e aqueles com alterações intestinais têm genes específicos em comum. Embora não se possa afirmar que uma enfermidade leve à outra, os resultados são considerados uma vitória da ciência. Segundo o professor Simon Laws, supervisor do trabalho, ?o achado nos traz evidências para corroborar o conceito do eixo cérebro-intestino, uma ligação de mão dupla entre a saúde cognitiva e emocional e o funcionamento dos intestinos?. Um ponto importante que chamou a atenção dos pesquisadores: níveis anormais de colesterol são apontados como fator de risco tanto para o Alzheimer quanto para as doenças do intestino. Zelar pela saúde da nossa microbiota vem ganhando cada vez mais atenção dos cientistas e a adoção de hábitos saudáveis e ajustes na dieta alimentar poderão fazer toda a diferença. Aqui vão algumas recomendações para cuidar melhor do ?eixo cérebro-intestino?: Tente controlar seus níveis de estresse, utilizando técnicas de relaxamento e meditação Durma bem Coma devagar, saboreando o alimento Mantenha-se hidratado Fique atento a sinais de intolerância alimentar. Os sintomas mais frequentes do problema são: gases, dores abdominais, diarreia, náusea, refluxo e cansaço Faça mudanças em sua dieta: não consuma alimentos ultraprocessados e aumente a ingestão de fibras, presentes em feijões, grãos integrais, nozes, frutas e vegetais. Alimentos fermentados são uma boa fonte de probióticos: por exemplo, iogurte, kefir e kombucha

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  • Homens e mulheres: sobre diferenças e semelhanças


    Mapeamento de variáveis biológicas pode ajudar na prevenção e no tratamento de doenças Nesta segunda-feira, foi divulgada pesquisa da American Cancer Society mostrando que a maior incidência de casos de câncer ocorre entre os homens. Pesquisadores liderados pela PhD Sarah Jackson avaliaram o risco para 21 tipos de câncer acessando dados de 171 mil homens e 122 mil mulheres, entre 50 e 71 anos, participantes de um estudo entre 1995 e 2011. Nesse período, houve quase 18 mil casos de câncer entre eles e 8.742 entre elas. O achado sugere que diferenças biológicas ? fisiológicas, imunológicas e genéticas ? entre os gêneros podem desempenhar um papel relevante no surgimento da doença. Homens e mulheres se igualam no risco para câncer diante de dois fatores: envelhecimento e tabagismo Stephane Mignon, Wikimedia A incidência de câncer só foi menor na população masculina em tumores na tireoide e na vesícula. Nos demais, a ocorrência chegava a ser de três vezes (laringe e bexiga) a dez vezes maior (esôfago). No entanto, homens e mulheres se igualam no risco para câncer diante de dois fatores: envelhecimento e tabagismo. É o que aponta levantamento da American Cancer Society, que também relaciona gordura corporal elevada e histórico familiar como alguns dos critérios de atenção que merecem intervenção precoce. O estudo acompanhou mais de 400 mil pessoas, sem histórico da doença, por cinco anos. Para as mulheres, a menopausa precoce, antes dos 40 anos, está associada ao risco aumentado para insuficiência cardíaca e fibrilação atrial, apontou estudo liberado semana passada pela European Society of Cardiology. Durante o climatério, período que compreende a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva, o declínio na produção do estrogênio, hormônio que tem função vasodilatadora, torna as mulheres suscetíveis a problemas cardiovasculares. Para aquelas que enfrentam tal situação, é ainda mais importante adotar um estilo de vida saudável que inclua exercícios e alimentação balanceada. Por fim, queria compartilhar outro trabalho, divulgado dia 3, que mostra como alguns indivíduos com placas amiloides em seus cérebros, que são associadas ao Alzheimer, não apresentam sinais da doença. Para a American Academy of Neurology, há fatores que serviriam como uma espécie de barreira, protegendo a memória e habilidades cognitivas, tais como participar de grupos, sejam de esportes ou religiosos, e estar envolvido em atividades artísticas. A pesquisa sugere que o chamado aprendizado contínuo ? quando nos engajamos em atividades que demandam nosso intelecto ? é extremamente benéfico, mas também é essencial cultivar conexões sociais e manter-se fisicamente ativo. Vale para todos, todas e todes!

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  • Parceria entre UFSJ e UFJF em pesquisa estuda padrão das mutações do novo coronavírus


    Pesquisadores das duas instituições analisaram dados relacionados ao combate à pandemia e efeitos da vacinação. Vírus SARS-CoV-2, foto ilustrativa Reprodução Para entender o padrão de comportamento das variantes do novo coronavírus, pesquisadores e professores das universidades federais de São João del Rei (UFSJ) e Juiz de Fora (UFJF) realizaram uma pesquisa. Saiba mais: Pesquisa inédita no Brasil busca novas variantes da covid-19 Nova variante de Covid: como cientistas brasileiros detectam BA.2 no país Variantes de covid: o estranho caminho da mutação do coronavírus que 'desaparece' e intriga cientistas no Japão De acordo com a professora da UFSJ, Carolina Xavier, os trabalhos mostram o padrão de comportamento das variantes e os impactos: efetividade da vacinação; taxa de reinfecção; letalidade; entre outros. "Tudo isso usando um modelo matemático epidemiológico criado pelo grupo e ajustado via algoritmos de inteligência computacional", explicou. Pesquisa No trabalho, foram analisados dados relacionados ao combate à pandemia da Covid-19, que investiga os efeitos de vacinação combinados à cobertura vacinal, transmissão, letalidade e reinfecção da variante ômicron nos cenários epidemiológicos do Brasil, da África do Sul e da Alemanha. Leia também: veja quem pode ser vacinado hoje e o que fazer As previsões específicas para cada país foram possíveis por causa de adaptações de alguns parâmetros específicos para a Covid-19 na utilização de um modelo clássico de modelagem epidemiológica, conhecido como SIRD. ?Matematicamente, os modelos são os mesmos, mas os parâmetros que caracterizam cada país são estimados usando dados reais. Aí desenvolvemos um modelo específico para cada localidade com seus parâmetros distintos, o que nos permite fazer essas comparações entre os países e os parâmetros, além de confrontar o modelo com a realidade em si?, relatou o professor da UFJFJ, Rodrigo Weber. Ao considerarem o número de possíveis indivíduos que poderiam ser infectados novamente, os pesquisadores puderam chegar a dados que correspondiam aos divulgados pelas autoridades nacionais de saúde. Segundo os professores, esse é um demonstrativo de como o modelo desenvolvido é uma ferramenta de importância para órgãos governamentais e autoridades sanitárias. Resultados O contágio desenfreado da variante ômicron significou, em muitos países, um ressurgimento da pandemia, após meses de queda no número de casos e mortes. A pesquisa aponta, ainda, que países com baixas coberturas vacinais, como a África do Sul, por exemplo, com aproximadamente 30% da população completamente vacinada em fevereiro de 2022, sofreram um impacto muito maior no número de casos e mortes pela doença. O estudo também mostrou que pessoas não vacinadas nos países analisados têm três a quatro vezes mais chances de óbito pela doença do que aqueles que se vacinaram. Os pesquisadores explicam que, diante das análises realizadas no estudo que avaliou as consequências da variante delta, foi possível observar uma relação importante entre a perda natural de imunidade e o aumento de infecções na população. Vacinação no Brasil O Brasil atingiu metade da população vacinada no mesmo momento de expansão da variante no mundo, em outubro de 2021, um dos principais fatores para explicar a menor taxa de transmissão no país no mesmo período em que Israel enfrentava o pico dos casos. Outro fator que elucida a ausência de um crescimento vertiginoso no cenário brasileiro da variante delta se deve à alta transmissibilidade da gama, a variante predominante antes no Brasil. O trabalho também foi capaz de avaliar que, no Brasil, a imunização em massa contra a Covid-19 foi responsável por salvar aproximadamente 300 mil vidas. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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  • Um pouco de psicologia positiva para cuidar melhor do dinheiro


    Há uma relação entre emoções como ansiedade, raiva e solidão e a autoeficácia financeira, a capacidade de se organizar e atingir metas Sarah Asebedo é diretora da faculdade de planejamento financeiro da Texas Tech University e não tem dúvidas: a psicologia positiva é capaz de desempenhar um papel relevante para as pessoas retomarem o controle de seu dinheiro. Quando nossas finanças vão mal, há boas chances de isso ter um forte impacto negativo em nosso bem-estar mental, o que torna ainda mais importante sabermos lidar com a situação. Em primeiro lugar, o que caracteriza a psicologia positiva é que, em vez de focar na doença, na patologia, ela se apoia nas forças que o indivíduo tem e que podem ser utilizadas na superação das adversidades. Planejamento financeiro: uma avaliação negativa sobre si mesmo traz efeitos adversos para poupar e investir Joel Santana para Pixabay O psicólogo norte-americano Martin Seligman diz que o problema da psicologia tradicional é ter adotado o ?modelo da patologia?, deixando de lado a busca da felicidade. Costuma usar como exemplo pessoas que conseguem nutrir um sentimento de bem-estar e otimismo mesmo encarando os reveses que fazem parte de toda trajetória. Ele criou a ?cartilha? Perma+, cujas letras correspondem a emoções positivas (positive emotions), engajamento (engagement), relacionamentos (relationships), significado (meaning) e realizações (accomplishment). O sinal + indica que precisamos também de atividade física, alimentação adequada, sono e otimismo. Investir em todas essas frentes é o caminho para superar os três Ps que atravancam nossa vida: permanência, prevalência (ou contaminação) e personalização. Permanência é a crença de que tudo continuará assim para sempre, ainda que a lógica e as evidências indiquem o contrário. Prevalência é a tendência de generalizar e deixar que um fato negativo contamine tudo à nossa volta. Por último, personalização é acreditar que, no fundo, tudo é nossa culpa. Não se trata de um manual para ser feliz em tempo integral. Se um fato provoca impacto negativo, aquilo fica gravado em nossa mente e a tendência é desencadearmos um padrão recorrente de resposta. Se não temos como alterar o que ocorreu, podemos trabalhar para atenuar a influência que determinados eventos têm sobre nós ? não estamos fadados ao fracasso! Normalmente, são os momentos ruins que mais mobilizam nossa atenção, por isso acabamos subestimando os bons. Sarah Asebedo é diretora da faculdade de planejamento financeiro da Texas Tech University Divulgação E como essa disposição mental baseada numa visão otimista das coisas pode influenciar a capacidade de planejamento financeiro e evitar comportamentos de risco? As pesquisas da professora Asebedo apontam para uma relação estreita entre sentimentos e emoções como ansiedade, raiva, solidão e contentamento e a chamada autoeficácia financeira (financial self-efficacy, ou FSE), ou seja, a capacidade de cada pessoa se organizar para executar ações e atingir metas. Quando se tem uma avaliação ruim sobre si mesmo, atributos como controle, resiliência e confiança estão em baixa, com efeitos adversos para poupar, investir e pensar a longo prazo. O trabalho de terapeutas financeiros é atividade já bastante disseminada nos Estados Unidos e auxilia não somente quem está em dificuldades com o orçamento, mas também na preparação para a aposentadoria. Um modelo batizado de ABC identifica a ativação de eventos (activating events), crenças (beliefs) e consequências (consequences). Por exemplo, permite que a pessoa mapeie um gatilho (uma compra por impulso) que alimenta suas crenças (de não saber cuidar do próprio dinheiro) e dispara uma consequência emocional, como ansiedade ou desespero. Para sair do círculo vicioso que leva muita gente a se sentir derrotada, é preciso introduzir um contraponto para rebater os pensamentos negativos de ser um perdedor. É o primeiro passo para recuperar a energia e o otimismo necessários para buscar alternativas para voltar aos trilhos.

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  • Como o preconceito contra os mais velhos impacta os cuidados na saúde


    A inteligência artificial precisa de informações para melhorar diagnósticos e a qualidade dos serviços, mas idosos são considerados ?minoria? e estão sub-representados nos bancos de dados Através de exames de ressonância magnética do cérebro, é possível constatar que expectativas positivas ? por exemplo, a crença de que uma medicação vai ser eficaz ? podem produzir mudanças químicas e hormonais no organismo, ainda que o tal remédio não tenha ingredientes ativos. Isso é o que ocorre no chamado efeito placebo: uma substância inócua é empregada como se tivesse alguma eficácia e, de acordo com pesquisadores, em um terço dos casos provoca a melhora de sintomas. Da mesma forma que um sentimento de otimismo pode desencadear respostas favoráveis em nosso corpo, o contrário também acontece e tem nome: efeito nocebo, que define os eventos adversos associados a expectativas negativas. Imagine um contexto no qual a pessoa recebe, com frequência, informações negativas sobre a situação na qual se encontra: infelizmente, trata-se de algo recorrente para os idosos. O preconceito contra os velhos é tão arraigado em nossa sociedade que alimenta (ou envenena?) o envelhecimento com visões negativas, tanto para quem vive como para quem convive com a experiência. Preconceito contra os idosos alimenta o processo de envelhecimento com visões negativas Traphitho para Pixabay Na área da saúde, ele impede que um sobrevivente de acidente vascular encefálico de 70 anos tenha à sua disposição o mesmo nível de suporte de alguém de 35 anos com quadro semelhante. Diminui as opções oferecidas a idosos para alcançar uma recuperação plena, como se, para esses, bastasse o mínimo. O exame citopatológico, conhecido como preventivo ou Papanicolau, utilizado para detectar o câncer de colo de útero, só é agendado no SUS para mulheres até 64 anos. Falemos de tecnologia de ponta: a inteligência artificial se baseia em bancos de dados para melhorar diagnósticos e a qualidade dos serviços, mas os mais velhos são considerados ?minoria? e estão sub-representados em pesquisas e levantamentos. Como beneficiar esse grupo acossado pela exclusão? Em 2020, publiquei coluna a respeito do maior estudo já realizado sobre as consequências do preconceito na saúde dos idosos. O trabalho, liderado pela psicóloga e epidemiologista Becca Levy, professora da Universidade Yale, reuniu dados de 7 milhões de pessoas em 45 países. A análise consistiu na revisão de 422 estudos publicados no mundo todo, entre 1970 a 2017, e 96% mostravam evidências de efeitos adversos do preconceito no acesso a cuidados de saúde. Também ficava claro que os estereótipos culturais afetam o bem-estar dos mais velhos. Os pesquisadores mapearam que o preconceito impactava as chances de pacientes mais velhos receberem tratamento médico adequado. Além disso, foram observadas evidências de que o acesso à saúde havia sido negado a idosos e, em 92% das pesquisas internacionais, havia indicação de que influía nas decisões médicas.

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