Ciência e Saúde

31/Mar/2020 09:29h
Últimas notícias de coronavírus de 31 de março
31/Mar/2020 09:08h
Casos de coronavírus no Brasil em 31 de março
31/Mar/2020 09:01h
Como evitar a ansiedade e a depressão causadas pelo isolamento
31/Mar/2020 08:01h
35% dos países da África têm mortes por Covid-19; especialistas alertam para possível 'hecatombe'...
31/Mar/2020 08:01h
Crescimento exponencial e curva epidêmica: entenda os principais conceitos matemáticos que explicam ...
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Ciência e Saúde - G1

  • Últimas notícias de coronavírus de 31 de março


    Espanha atinge pico de mortes em um dia relacionadas à Covid-19. Número de casos ao redor do mundo chega a 801 mil e mortes já passam dos 38 mil Vítima de Covid-19 é enterrada em cemitério de Madri. Espanha atingiu o pico de mortes pela doença Olmo Calvo/AP Photo O número de mortes diárias pelo novo coronavírus na Espanha voltou a subir nesta terça-feira (31), após uma leve queda na véspera. Nas últimas 24 horas, o país registrou 849 mortes ? o mais alto desde o início da pandemia, anunciou o ministério da Saúde. PANDEMIA: veja quais países já registraram casos da doença GUIA ILUSTRADO: sintomas, transmissão e prevenção CORONAVÍRUS: veja perguntas e respostas SÉRIE DE VÍDEOS: coronavírus, perguntas e respostas O total de mortos por Covid-19 no país subiu para 8.189 e o número de casos diagnosticados supera 94,4 mil, com 9,2 mil contágios detectados nas últimas 24 horas, o que também representa o maior número em 24 horas desde o início da crise. Já no mundo, de acordo com a universidade Johns Hopkings, em atualização das 10h, chegou a 801 mil o número de contaminados. São mais de 38 mil mortes e mais de 172 mil pessoas recuperadas da doença desde o início da pandemia. As últimas notícias desta terça-feira: Estados Unidos têm o dobro de casos confirmados em relação à China México dá início ao estado de emergência de saúde Panamá terá dias alternados para circulação de homens e mulheres Rússia reporta 500 novos casos da doença em seu território Ministério da Saúde do Irã fala em mais de 3 mil novos casos em um dia China registra mais casos de Covid-19 vindos de fora de seu território Mais de 20% dos infectados são jovens na Austrália e Nova Zelândia Comissão europeia pede respeito aos "princípios democráticos" Bielorrússia tem primeira morte confirmada Macron vai doar 4 bi de euros para produção de máscaras Enfermeira participa de uma vigília à luz de velas do lado de fora de centro médico em Los Angeles, na Califórnia (EUA), nesta segunda-feira (30) Lucy Nicholson/ Reuters Os Estados Unidos têm 164 mil casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, número que representa o dobro do número da China, onde eclodiu a pandemia no fim de 2019. Mais de 3,1 mil mortes por complicações de Covid-19 foram registradas em território americano até esta terça. Quanto ao número de infecções, os EUA estão à frente de Itália (101 mil), Espanha (94 mil) e China (82 mil) e são o país com o maior número de pessoas que contraíram o novo vírus. O que vem impressionando especialistas nos Estados Unidos é a velocidade da propagação do coronavírus Sars-Cov-2. A marca de 100.000 infecções havia sido atingida na última sexta. Acredita-se que a alta acentuada tenha relação com a expansão do programa de testes do país para o coronavírus. O governo do presidente Donald Trump vinha sendo duramente criticado por ter minimizado o risco de contágio. EUA registram mais de 160 mil casos de Covid-19 Macron promete doação Presidente da França, Emmanuel Macron prometeu doar 4 bilhões de euros à Sante Publique France, uma agência de saúde pública, para comprar máscaras e ventiladores. O presidente visitou uma fábrica de produção nesta terça, em São Bartolomeu d'Anjou, e enfatizou a necessidade de produção dos itens hospitalares. O aumento na produção de máscaras permitirá à França aumentar a capacidade de 3,3 milhões de máscaras por semana para 15 milhões até o final de abril. O país já havia pedido à China 1 bilhão de máscaras. Com mais de 45 mil contaminados em seu território, a França já registrou mais de 3 mil mortes. Em Paris, os hospitais estão operando com capacidade máxima há alguns dias. Macron em visita a uma fábrica de produção de máscaras na França Loic Venance/AP Photo Pelo mundo A China segue registrando em seu território os chamados casos "importados", procedentes de viagens ao exterior. No último sábado, o governo impôs um veto aos estrangeiros. Nas últimas 24 horas, foram registrados 48 novos casos, todos de fora de suas fronteiras. Na última segunda, apenas uma morte foi registrada. Desde o início da pandemia, 81.518 pessoas foram infectadas e 3.305 morreram pela doença. Já 76.052 receberam alta médica. O Irã reportou novas 141 mortes em seu território nas últimas 24 horas, além de 3.111 novos casos de Covid-19. Ao todo, são 44.606 contaminados e 2.898 mortes pela doença. De acordo com o Ministério da Saúde, 14.656 pacientes se recuperaram e outros 3.703 estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) espalhadas pelo país. A Comissão Europeia disse que as medidas de emergência dos países membros para combater a pandemia de coronavírus devem sempre respeitar os princípios democráticos. O anúncio chega um dia depois do Parlamento da Hungria aprovar um polêmico projeto de lei que permite ao governo de Viktor Orbán legislar por decreto, em um regime de estado de emergência sem limite de tempo. A norma prevê até cinco anos de prisão pela divulgação de "notícias falsas" sobre o vírus. A Rússia registrou 500 novos casos de infecção pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas. A capital Moscou está em seu segundo dia de confinamento, que não tem ainda previsão para acabar. O primeiro-ministro já pediu para que outras regiões do país se preparem para adotar medidas que favoreçam o isolamento social. O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, confirmou a primeira morte relacionada ao novo coronavírus no país. Trata-se de um ator de 75 anos, que morreu na cidada de Vitebsk. O idoso teve pneumonia e não resistiu. O México deu início ao seu primeiro dia de estado de emergência de saúde por causa do novo coronavírus. A medida vale até 30 de abril e é uma resposta do governo mexicano ao aumento do número de casos no país, que tem 1.094 infectados e 28 mortes. O presidente mexicano, López Obrador, foi um dos líderes estrangeiros que relutaram a aderir à prática da quarentena, mas que mudaram de posição durante o avanço da pandemia. O Panamá terá dias alternados para a circulação de homens e mulheres. De acordo com o presidente do país, Nito Cortizo, mulheres podem sair às ruas às segundas, quartas e sextas. Já os homens terão permissão para circular às terças, quintas e sábados. Aos domingos, todos terão que ficar em casa, disse o presidente em sua conta oficial no Twitter. Austrália e Nova Zelândia informaram que em seus respectivos territórios é alta a quantidade de jovens infectados pelo novo coronavírus. Na Austrália, 21% dos casos ocorrerem em pessoas de 20 a 29 anos. Na Nova Zelândia, a proporção é ainda maior: 29% são da mesma faixa etária. Uma explicação para isso é o fato de que os jovens viajam bastante nestes países. Em ambos, a maior parte dos casos é procedente do exterior. Serra Leoa confirmou seu primeiro caso de Covid-19. Trata-se de um homem de 37 anos que esteve recentemente na França e estava isolado desde o dia 16 de março. Initial plugin text

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  • Casos de coronavírus no Brasil em 31 de março

    Secretarias estaduais de saúde contabilizam 4.661 infectados em todos os estados e 166 mortos. As secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 10h desta terça-feira (31), 4.661 casos confirmados do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil. Nesta manhã, o governo do Amazonas confirmou a segunda morte no estado. Com isso, chega a 166 o número de mortos pela Covid-19 no país. São Paulo registra 113 mortes e o Rio de Janeiro tem 18 casos fatais da doença. Chega a 18 o número de mortes causadas pela Covid-19 no RJ A secretaria estadual de Saúde do Rio Grande do Sul a quarta morte no estado. Já o governo de Minas registrou a primeira morte pela doença e o numero de casos chegou a 261. Pernambuco registra mais uma morte e chega a seis no total. Rondônia registrou a primeira morte pela Covid-19. A Bahia registrou o segundo caso fatal da doença na noite desta segunda-feira. Piauí já tem quatro mortos. Santa Catarina confirmou a segunda morte pelo vírus no estado. O Ministério da Saúde atualizou seus números na tarde de segunda-feira (30), informando que o Brasil tem 159 mortes e 4.579 casos confirmados de coronavírus. O avanço da doença está acelerado: foram 25 dias desde o primeiro contágio confirmado até os primeiros 1.000 casos (de 26 de fevereiro a 21 de março). No entanto, os outros 2.000 casos foram confirmados em apenas seis dias (de 21 a 27 de março). MAPA DO CORONAVÍRUS: avanço dos casos nas cidades CORONAVÍRUS NO MUNDO: mais de 3 mil mortes foram registradas nos EUA PANDEMIA: veja quais países já registraram casos da doença GUIA ILUSTRADO: sintomas, transmissão e prevenção PERGUNTAS E RESPOSTAS: infectologistas respondem Initial plugin text

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  • Como evitar a ansiedade e a depressão causadas pelo isolamento


    Especialista recomenda fazer atividade física e respeitar as horas de sono Há 190 anos a Academia Nacional de Medicina realiza, semanalmente, sua reunião científica. Em tempos de pandemia, agora esses encontros são virtuais e acompanhei o da última quinta-feira (26), cujo tema, como não poderia deixar de ser, era o novo coronavírus. O psiquiatra Antonio Egidio Nardi, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), discorreu sobre o risco de depressão nesse período de isolamento social. Ele afirmou que, apesar de todos os desafios que o mundo está enfrentando, é um erro colocar a saúde mental em segundo plano: ?é natural que as pessoas só falem do novo coronavírus e da crise, mas é importante buscar outros assuntos. Essa saturação temática gera pensamentos obsessivos, fóbicos, hipocondríacos, que podem levar a um quadro de transtorno de ansiedade e depressão?. O psiquiatra Antonio Egidio Nardi, membro da Academia Nacional de Medicina e professor titular da UFRJ Acervo pessoal O estresse do confinamento por um período cuja duração ainda desconhecemos e o medo de encarar uma doença que pode levar à morte têm forte impacto em nosso equilíbrio, principalmente para quem mora sozinho ? segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tem 4.3 milhões de idosos vivendo nesta situação. ?A solidão é fator de risco para a depressão e para o abuso do consumo de álcool?, alertou o psiquiatra, que listou diversos cuidados que devem ser observados: 1) A atividade física é indispensável para manter a saúde mental. Mesmo dentro de casa, todos devem tentar se exercitar. 2) Respeitar as horas de sono também é fundamental. Sem sair, muita gente acaba virando a noite vendo TV e altera seu relógio biológico. 3) Ter uma alimentação saudável. 4) Conversar diminui bastante o estresse, mas ele lembra que, quando a família inteira divide o confinamento, é igualmente necessário garantir momentos de privacidade. 5) Tentar se engajar em atividades lúdicas e fazer coisas prazerosas, como ler, assistir a uma série ou procurar cursos on-line, inclusive porque há diversos grátis. ?É importante evitar pensamentos negativos. Há muitas informações equivocadas na internet, é imprescindível escolher fontes confiáveis para se informar?, ressaltou. Para os pacientes que fazem tratamento, o doutor Nardi disse que não haverá falta de medicamentos e que o atendimento presencial ainda está sendo feito. ?São muitos os desafios, como a convivência em ambientes pequenos e o longo período de confinamento. Nos sentimos frágeis, ameaçados e sem controle e precisamos nos cuidar, porque não há saúde sem saúde mental?, finalizou. VÍDEOS RJ2 conversa com especialista sobre depressão durante a quarentena Exercícios que ajudam a respirar melhor são aliados para combater a ansiedade Initial plugin text

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  • 35% dos países da África têm mortes por Covid-19; especialistas alertam para possível 'hecatombe'


    Dos 54 países no continente africano, 19 registraram mortes até 30 de março. Em outros oito, não houve casos reportados à Organização Mundial da Saúde (OMS). 30 de março: Moradores de Eldorado Park, próxima a Joanesburgo, na África do Sul, observam enquanto membros do exército e da polícia aplicam quarentena de 21 dias no país, determinada para frear a disseminação do coronavírus. A África do Sul é o país com mais casos no continente africano. Siphiwe Sibeko/Reuters Dezenove dos 54 países do continente africano registraram ao menos uma morte por Covid-19 até 30 de março. Em outros 35 países, não houve vítimas reportadas à Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo os dados mais recentes da entidade. Os balanços ainda apontam que oito não verificaram casos da doença provocada pelo coronavírus Sars-Cov-2. Em um continente com cerca de 1,3 bilhão de pessoas, há 137 mortes, que representam 0,4% do total das vítimas de Covid no mundo. Mas os números não significam que o cenário africano seja favorável. No sábado (28), o ginecologista congolês Denis Mukwege, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2018, disse em entrevista ao jornal francês "Le Monde" que é preciso agir rápido para evitar uma "hecatombe" pela doença. A palavra, usada de forma figurada, significa "uma grande perda de vidas". "Nós sensibilizamos a população à noção de distanciamento social. Um comitê de resposta foi criado. As províncias também estão se organizando, e células de crise estão sendo criadas em todos os lugares. É preciso agir rápido se quisermos evitar uma hecatombe", disse, referindo-se às medidas adotadas em seu país natal, a República Democrática do Congo. Até o dia 30, o país tinha 8 mortes por Covid-19 reportadas à OMS. Apenas 8 países africanos não reportaram casos de Covid-19 à OMS até 30/03 Wagner Magalhães/G1 O epidemiologista Paulo Andrade Lotufo, da Faculdade de Medicina da USP, usa a mesma palavra que Mukwege para descrever a possível situação do continente africano quando os casos de Covid-19 aumentarem. "Quando aquilo aparecer, vai ser uma hecatombe. As condições de atendimento lá são mais do que precárias", avalia Lotufo. Para Mukwege, a África "claramente não tem meios de enfrentar a praga" da Covid-19. "Alguns países são mais afetados que outros, notadamente a África do Sul, com mais de 400 casos, Argélia, com 230 casos, Marrocos, com 143 casos, Senegal, com 79 casos. A doença está, portanto, progredindo extremamente rápido e estou muito preocupado", declarou o médico congolês. Países africanos com mais casos de Covid-19 Desde a entrevista de Mukwege ao Le Monde, o número de casos na África do Sul, o país africano mais atingido, subiu para 1.326; na Argélia, para 584; no Marrocos, para 556; e para 162 no Senegal até a noite de segunda-feira (30), de acordo com monitoramento da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que atualiza os dados em tempo real. "A África do Sul, Joanesburgo, tem um hospital, que é o maior, e, se eu achava que o pronto-socorro brasileiro era lotado, eu descobri que não é, perto do que é aquilo", relata Paulo Lotufo. "E não são [hospitais] descentralizados, são vários hospitais grandes, a chance de contaminação é grande. A África do Sul torna o Brasil um exemplo de igualdade social", afirma o epidemiologista. No dia 15, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, declarou a Covid-19 um "desastre nacional". O país adotou uma série de medidas para conter o vírus, incluindo o fechamento de escolas, restrições a viagens e proibições de aglomerações. Até o dia 30, uma morte havia sido registrada no território sul-africano pela doença. Continente africano está em alerta com o aumento de casos do novo coronavírus Mas as restrições também adotadas em vários outros países africanos ? inclusive em alguns que nem registraram casos, como Serra Leoa e Malaui ?, se tornam difíceis em lugares com pouca infraestrutura. Moçambique, por exemplo, ainda se recupera do ciclone Idai, um ano depois. Outro fator pode agravar a situação africana é a alta incidência de outras doenças infecciosas, como tuberculose e HIV. "A sorte da África é que, economicamente, eles não têm muito contato, em termos de trocas, [então] o contágio ficou bem menor", pondera Lotufo. Até 30 de março, o continente concentrava, oficialmente, 0,67% dos casos da pandemia. Precariedade e subnotificação 27 de março: Família assiste televisão no início do toque de recolher dentro de uma casa na favela de Kibera, em Nairóbi, no Quênia. Medida foi imposta para conter o avanço da Covid-19 no país. Thomas Mukoya/Reuters De acordo com a OMS, os países da região africana estão capacitados para realizar testes para a Covid-19. Mas não há detalhes sobre a quantidade de testes disponíveis. Também no sábado (28), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse em entrevista à agência RFI que teme milhões de casos de Covid-19 no continente africano. "A África tem necessidade urgente de kits, máscaras, ventiladores [mecânicos], equipamentos de proteção para profissionais de saúde", alertou. "Ainda podemos evitar o pior na África, mas, sem uma mobilização massiva, teremos milhões e milhões de pessoas contaminadas, o que significa milhões de mortes", alertou. 30 de março: Agente de saúde mede a temperatura de uma mulher para detectar a Covid-19 entre as cidades de Abuja e Nassarawa, na Nigéria. Afolabi Sotunde/Reuters Guterres também acrescentou que a população jovem africana também não seria poupada - segundo a revista científica "Science", a idade média na África subsaariana é de menos de 20 anos de idade. Além disso, apenas 3% das pessoas naquela região têm mais de 65 anos ? comparada a 23% na Itália, por exemplo, país com a maior quantidade de mortes pela Covid-19. Até agora, pesquisas têm indicado que a doença atinge os mais velhos de forma mais severa. A Covid-19 demorou certo tempo para se espalhar em todas as regiões da África. O primeiro caso foi registrado no Egito, no norte, em 15 de fevereiro. Na África do Sul, o primeiro caso foi registrado somente no dia 6 de março. Outros países, como Guiné-Bissau e Mali, só reportaram o primeiro caso à OMS no dia 26. Esse fator, explica Lotufo, também contribui para que os países africanos ainda tenham um baixo número de mortes comparada com o tamanho da população. ?Lugares que têm casos há mais tempo têm pessoas mais doentes, mais hospitalizadas, em estado grave, que vão ter ?tempo de morrer?. Considerando o tempo de incubação, de 7 a 10 dias, que a pessoa vai pro hospital, fica um tempo internada na enfermaria, vai para a UTI ? é um tempo prolongado, de 15 a 20 dias. Isso não é novidade, a gente já viu em outras equações?, afirma. 22 de março: Agente público desinfecta globo contra a Covid-19 em jardim público em Algiers, na Argélia. Ramzi Boudina/Reuters O epidemiologista também explica que, de uma forma geral, só será possível saber a quantidade de mortes por Covid-19 na África e no resto do mundo daqui a um tempo. "Há uma enorme chance ? e isso eu falo da Finlândia até a Nigéria ? de ter subnotificação de óbitos no mundo inteiro", lembra Lotufo. "Vão tendo outros casos de Covid-19 que estão com outro diagnóstico: um que já estava velhinho, infartou, teve AVC, aí você vai ver e foi Covid. Quem está na linha de frente ? a OMS, as secretarias, o Ministério da Saúde ? está fazendo o melhor possível nessa situação. Hoje, não temos por que discutir isso. Somente daqui a um, dois anos, a gente vai ver qual é o real impacto, ao olhar a curva histórica e ver se houve um aumento da mortalidade geral [no mundo]", explica. África tem 136 mortes e mais de 4 mil infectados pelo coronavírus OMS alerta que África vive evolução dramática da pandemia de coronavírus Initial plugin text

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  • Crescimento exponencial e curva epidêmica: entenda os principais conceitos matemáticos que explicam a pandemia de coronavírus


    Veja como a matemática ajuda a entender como se comportam as novas transmissões ao longo do tempo. Número de casos do novo coronavírus acelera a uma taxa exponencial, diz OMS Enquanto cientistas correm contra o tempo para desenvolver tratamentos e vacina contra o coronavírus (Sars-CoV-2), matemáticos simulam cenários com impactos da pandemia. Uma das projeções mais recentes a ganhar destaque foi um estudo liderado pelo Imperial College de Londres. Ele estimou que o Brasil pode ter mais de 1 milhão de mortes por Covid-19 e cerca de 187 milhões de infectados em 2020 se não houver nenhuma estratégia de isolamento social e de enfrentamento do surto. Mas como são feitos esses cálculos? Segundo o professor de matemática e autor de material didático Ricardo Suzuki, é possível fazer essas estimativas porque epidemias seguem um padrão matemático chamado função exponencial, usada para representar fenômenos que se multiplicam muito rapidamente ao longo do tempo. "Na função exponencial, você vai multiplicando o número por ele mesmo. Nessa função, temos o crescimento exponencial, em que o valor inicial de um evento vai dobrar a cada período de tempo.?, explica Suzuki. O professor dá como exemplo um cenário de uma epidemia em que o número de novos casos dobra a cada 3 dias. "No primeiro dia você tem 1 caso; no terceiro dia terá 2 casos. Levou três dias para dobrar o valor inicial. No sexto dia serão 4 casos, no nono dia serão 16, e assim por diante." Ele compara: "No começo da função exponencial, o crescimento parece pequeno, se assemelha com uma função linear". Diferentemente da exponencial, na função linear o número anterior é somado ? e não multiplicado. Por isso, o crescimento linear é representado no gráfico por uma reta; já o crescimento exponencial é uma curva acentuada. "Ao longo do tempo, o crescimento exponencial atinge valores exorbitantes", diz Suzuki. No caso de um surto como o do coronavírus, o cenário é assustador, já que o número de infectados do dia anterior é sempre muito menor que o atual. O aumento exponencial de novos casos em uma epidemia é apenas uma fase de um ciclo de três etapas. Essas etapas formam o conceito matemático da curva epidêmica, que torna possível prever o ritmo do aumento de casos, o pico das transmissões e o decaimento delas (leia mais abaixo). No estágio atual da pandemia do coronavírus, a maioria dos países do mundo e o Brasil estão na fase do crescimento exponencial, em que todos os dias são registrados números maiores de novos casos que na véspera. Veja abaixo como é feito o cálculo das epidemias: Entenda o crescimento exponencial nas epidemias O físico Silas Poloni, no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que dizer que uma doença cresce exponencialmente significa na prática que "cada infectado é capaz de infectar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?. Por isso, segundo o físico Vitor Sudbrack, também da Unesp, quanto mais doentes por Covid-19 existirem, mais pessoas irão adoecer pelo vírus, já que o "crescimento exponencial é aquele em que, quanto mais se tem [infectados], mais se cresce [o número de contaminados]". Sudbrack e Poloni são membros do Observatório Covid 19 BR, um site colaborativo feito por pesquisadores de diversas universidades brasileiras para observar os dados da pandemia de coronavírus. De acordo com Suzuki, o problema do crescimento exponencial é que ele pode acelerar de forma imprevisível, uma vez que "não temos controle sobre o valor da base [o tempo que leva para os casos se multiplicarem] dessa função". É o que tem acontecido com o crescimento dos casos de coronavírus no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para o aumento da velocidade do crescimento: os primeiros 100 mil casos de Covid-19 foram registrados em 67 dias mas foram necessários apenas mais 11 dias para dobrar e atingir 200 mil casos outros quatro dias para chegar a 300 mil casos e somente mais dois dias para somar 100 mil novos casos ? superando a marca de meio milhão de infectados Entenda as etapas da curva epidêmica "As pessoas acham que matemática é trabalhar com números, mas na verdade é trabalhar com padrões", afirma Sudbrack, da Unesp. "Conseguimos calcular epidemias porque elas, em todos os lugares, seguem um padrão matemático semelhante, chamado de curva epidêmica." Antes de entender o que é essa curva, é preciso entender o ciclo que uma epidemia segue, ou seja, a evolução dela ao longo do tempo. O ciclo epidêmico é formado por três fases, que juntas formam uma "onda da epidemia": Crescimento exponencial ? representado pelo crescimento vertiginoso do número de novos casos de infecção Saturação ? ocorre quando a epidemia alcança um pico de casos Decaimento exponencial ? estágio em que a quantidade de pessoas que se recuperam da doença é maior que a de novas infectadas O padrão da curva epidêmica é justamente a onda no gráfico (veja abaixo). Ela representa o número de novos casos ao longo do tempo. Quanto maior o número de novos casos em um menor intervalo de tempo, mais acentuada a curva. Quanto menor o número de novos casos em um maior intervalo de tempo, menos acentuada a curva. Gráfico mostra a curva da epidemia de coronavírus Reprodução/Globo Ambas as curvas ? tanto a mais e quanto a menos acentuada ? alcançam um crescimento exponencial. "Mas quando conseguimos aumentar o tempo de transmissão de uma pessoa a outra, demoramos mais a alcançar o pico da curva. Ou seja, o crescimento da doença vai acontecer de maneira mais lenta?, explica Poloni. A lógica do crescimento exponencial no caso do coronavírus, contudo, é mais complexa porque, de acordo com Sudbrack, ?a transmissão do vírus no mundo conta não só com uma dinâmica de espalhamento por contágio [de uma pessoa a outras pessoas], mas também por uma dinâmica de espalhamento de epicentros [vários países se tornam centro da doença]". Por isso, o resultado final da pandemia de coronavírus é uma curva que cresce mais rápido do que as curvas de cada país. Matemático explica crescimento exponencial do novo coronavírus Isolamento social 'desacelera' pandemia O físico Silas Poloni explica que, matematicamente falando, o objetivo das autoridades de saúde neste momento não é o de zerar a transmissão, mas o de diminuir a velocidade com que isso ocorre. Ou, como se tem chamado, de "achatar a curva epidêmica". VÍDEOS: série especial mostra perguntas e respostas "A ideia de isolar as pessoas uma das outras é justamente a de reduzir o número de novas transmissões em um determinado tempo ? o máximo que der. Ou seja, o isolamento é capaz de desacelerar o crescimento exponencial da pandemia", explica Poloni. "O objetivo é que o crescimento de novos casos da doença não atinja de uma só vez um número de infectados que o sistema de saúde não suporte atender." Para Sudbrack, o melhor exemplo de como o isolamento e distanciamento social podem ser eficazes para frear o tempo de transmissão vem da Itália. "Após quase duas semanas de medidas de restrição social, o número de novos casos vem desacelerando. O tempo para o número de casos dobrar passou de 3 dias para 5,5 dias. Acredito que esse seja o maior exemplo da eficiência da quarentena na Itália", afirmou Subrack em entrevista a G1 na semana passada. Na Itália, transmissão cai duas semanas após quarentena Escultura de vidro representando o coronavírus é apresentada no estúdio do artista britânico Luke Jerram, na Inglaterra. Escultura faz tributo ao esforço médico e científico para combater a pandemia Adrian Dennis/AFP Decaimento exponencial Assim como o crescimento de uma epidemia é exponencial, a diminuição dos novos casos também será, porque a lógica é a mesma: quanto menos pessoas se infectam por dia, menor o número de doentes. "O decaimento exponencial vai acontecer quando o número de curados por dia for maior que o número de novos infectados por dia", explica Sudbrack. É essa a fase da pandemia na qual a China está neste momento ? o país vem registrando número de novos infectados sempre menor que no dia anterior. Sudbrack afirma, no entanto, que ainda não é hora de a China comemorar, segundo a lógica matemática, já que é o país poderá viver uma segunda onda da epidemia. ?Uma segunda onda de epidemia pode acontecer quando alcançamos o pico não porque saturou o número de infectados e o número de pessoas suscetíveis está baixo, mas, sim, porque as medidas de distanciamento social fizeram efeito", explica o físico. Por isso, no caso em que o decaimento exponencial é alcançado graças à eficiência do isolamento social, se as pessoas forem colocadas novamente em contato, abre-se a possibilidade de um segundo pico epidêmico. "Para isso não acontecer, os novos infectados precisam continuar sendo identificados e devidamente isolados do resto da população ainda está suscetível a ser infectada", alerta Sudbrack. O melhor exemplo, segundo os físicos, é o da Coreia do Sul, onde "o tempo de duplicação de novos casos é tão alto, que podemos dizer que eles não estão mais na fase exponencial; eles atingiram uma estagnação na transmissão". SÃO PAULO - Um homem caminha por uma rua comercial vazia no centro de São Paulo nesta terça-feira (24) depois que o governo da cidade decretou o fechamento de lojas como medida de precaução contra a disseminação do novo coronavírus Nelson Almeida/AFP China não registra novo caso de transmissão local do coronavírus Initial plugin text

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