Ciência e Saúde

21/Mai/2019 09:01h
Diagnóstico precoce melhora chances de tratar rigidez após AVC
21/Mai/2019 09:01h
Índice de suicídio entre jovens e adolescentes negros cresce e é 45% maior do que entre brancos
21/Mai/2019 09:01h
Governo federal aprova registro de mais 31 agrotóxicos, somando 169 no ano
20/Mai/2019 22:02h
Justiça da França ordena retomar cuidados de paciente em estado vegetativo
20/Mai/2019 19:40h
Botulismo: o que é e como evitar a intoxicação alimentar que pode levar à morte
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Ciência e Saúde - G1

  • Diagnóstico precoce melhora chances de tratar rigidez após AVC


    Aplicação de botox deve ser feita num prazo que maximize seus benefícios, diz professor da Universidade do Texas No Brasil, o número impressionante de cerca de 100 mil mortes por ano causadas por AVC (acidente vascular cerebral) indica apenas parte do problema. Além disso, o derrame, como é conhecido popularmente, também é a primeira causa de incapacidade no país. As pessoas sabem que um estilo de vida saudável tem papel crucial para prevenir a doença, mas o que pode fazer diferença na recuperação de um paciente que sofreu AVC? Esse era o assunto da palestra a que assisti na última quinta-feira no Rio, dada por Gerard Francisco, diretor médico do Memorial Hermann Rehabilitation Network e professor da Universidade do Texas. Nos Estados Unidos, a cada 40 segundos uma pessoa sofre derrame e uma morre a cada quatro minutos. O campo de atuação do doutor Francisco é o tratamento da espasticidade pós-AVC ? traduzindo para nós, leigos, trata-se da rigidez que acomete os músculos neste quadro. Gerard Francisco, diretor médico do Memorial Hermann Rehabilitation Network e professor da Universidade do Texas Divulgação Cerca de 40% dos pacientes desenvolvem espasticidade e ele enfatiza que iniciar na hora certa a aplicação de toxina botulínica, o conhecido botox da dermatologia estética, previne uma série de complicações. ?Uma de minhas preocupações é o momento adequado no qual devemos iniciar o tratamento. Estudos mostram que uma intervenção mais precoce pode reduzir danos?, afirma. Esta é uma sequela comum em quem sofre doença neurológica que provoque lesões de células do sistema nervoso responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários. A toxina botulínica já é empregada há 30 anos. Aprovada pela Anvisa desde 1992, o procedimento faz parte do SUS e está incluído na cobertura dos planos de saúde. O que o professor Francisco ressalta é a importância de a aplicação do botox ser feita num prazo que maximize seus benefícios. ?A espasticidade dificulta a recuperação das funções. A rigidez dos músculos chega a um patamar que prejudica o trabalho do fisioterapeuta, que não consegue realizar os exercícios necessários. Depois de tratar a espasticidade, melhoram as chances de êxito para a fisioterapia, por isso é indispensável combinar a toxina com a estimulação e a reabilitação motora. Ao contrário do que pacientes e familiares às vezes pensam, essa rigidez não significa força, na verdade mascara a fraqueza?, explicou. Ele citou casos como o da pessoa que fica com o punho tão cerrado que não consegue fazer a higiene da mão; ou aquela que não consegue baixar o cotovelo e fica impedida de vestir uma camisa. Em sua apresentação, lembrou que, depois de dez dias do AVC, é comum que a rigidez ocorra; no entanto, quando esta acontece quatro semanas depois do episódio, aumenta a probabilidade de ser severa. Sobre o momento certo de intervir, contou que a aplicação mais precoce de toxina que fez foi num indivíduo que havia sofrido derrame apenas três semanas e meia antes. ?A espasticidade tem um pico depois do AVC e é importante a observação de sinais de rigidez para atuarmos prontamente inclusive no manejo da dor?, acrescentou. O botox pode ser ministrado em qualquer músculo do corpo afetado pela rigidez e o medicamento começa a agir em 72 horas. A melhora surge, em média, em 15 dias e atinge seu pico em um mês ? normalmente são feitas aplicações a cada três meses. O neurologista Flavio Henrique Rezende Costa, professor adjunto da UFRJ e neurologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, participou do evento e lembrou que o botox começou a ser utilizado, na década de 1970, para casos de estrabismo: ?só depois a toxina botulínica passou a ser empregada para fins estéticos e na área da neurologia. Trata-se de uma substância que vem se renovando e costumo dizer que a versão 3.0 do botox é o uso nos casos de espasticidade e em distúrbios do movimento presentes em doenças neurológicas?.

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  • Índice de suicídio entre jovens e adolescentes negros cresce e é 45% maior do que entre brancos


    Dados do Ministério da Saúde mostram que risco de suicídio aumentou 12% na população jovem negra e se manteve estável entre brancos. Taxa de mortalidade por suicídio aumentou 12% entre jovens e adolescentes negros de 2012 a 2016 Pixabay Adolescentes e jovens negros têm maior chance de cometer suicídio no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O risco na faixa etária de 10 a 29 anos foi 45% maior entre jovens que se declaram pretos e pardos do que entre brancos no ano de 2016. A diferença é ainda mais relevante entre os jovens e adolescentes negros do sexo masculino: a chance de suicídio é 50% maior neste grupo do que entre brancos na mesma faixa etária. Suicídios de adolescentes: como entender os motivos e lidar com o fato Como pais e educadores podem trabalhar a prevenção ao suicídio Enquanto a taxa de mortalidade por suicídio entre jovens e adolescentes brancos permaneceu estável de 2012 a 2016, o número aumentou 12% na população negra com a mesma idade. Analisando esses dois grupos em 2016, nota-se que a cada 10 suicídios em adolescentes e jovens aproximadamente seis ocorreram em negros e quatro em brancos. Os dados são da cartilha Óbitos por Suicídio entre Adolescentes e Jovens Negros, lançada pelo Ministério da Saúde (MS) durante o Seminário Nacional de Saúde da População Negra na Atenção Primária. Os números foram calculados a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do ministério. Segundo a médica Rita Helena Borret, organizadora do seminário realizado no sábado (18), o maior risco de suicídio na população jovem negra está relacionado ao racismo estrutural, que causa maior sofrimento e adoecimento entre os jovens e adolescentes do que entre os adultos. Adolescentes homens têm maior risco A taxa de mortalidade por suicídio entre adolescentes e jovens negros apresentou um crescimento significativo no período de 2012 a 2016. Em 2012, a taxa foi de 4,88 óbitos por 100 mil. O número aumentou 12% e chegou a 5,88 óbitos por 100 mil mo ano de 2016. No mesmo período, a taxa de mortalidade por suicídio entre os jovens e adolescentes brancos permaneceu estável. Em 2012, a taxa nesse grupo foi de 3,65 óbitos por 100 mil. Em 2016, essa taxa foi de 3,76 óbitos por 100 mil. Em todos os anos analisados, o número de suicídios foi maior entre adolescentes e jovens negros quando comparados com os brancos. Em 2012, a cada 100 suicídios entre adolescentes e jovens brancos ocorreram 134 em adolescentes e jovens negros. O maior risco foi observado em 2016: neste ano, a cada 100 suicídios em adolescentes e jovens brancos, ocorreram 145 suicídios entre negros. Assim, o risco de suicídio foi 45% maior na população jovem negra. Na população negra de 10 a 29 anos do sexo masculino o risco foi ainda mais elevado: 50% maior que entre homens da mesma idade brancos. O grupo de maior vulnerabilidade é composto por homens negros mais jovens, com idade entre 10 e 19 anos. O risco de suicídio neste grupo foi 67% maior do que entre adolescentes brancos do sexo masculino. Construção de identidade na juventude Para entender porque o suicídio atinge mais jovens negros do que jovens brancos é necessário analisar os impactos do racismo na sociedade, segundo a médica Rita Borret, presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro. Organizadora do Seminário Nacional de Saúde da População Negra na Atenção Primária, Borret explica que o racismo causa impactos danosos que afetam significativamente os níveis psicológicos e psicossociais de qualquer pessoa. No caso dos jovens e adolescentes, os efeitos são ainda mais graves. "O jovem negro, quando está na fase de construir sua própria identidade, a constrói a partir do entendimento de que ser negro é ser inferior, ser feio, ser menos valorizado", explica. "Essa percepção de não pertencimento faz com que esse jovem tenha um sofrimento e um adoecimento muito maior e pode, em muitos casos, levar ao suicídio negro." A cartilha do Ministério da Saúde reconhece o racismo como um dos fatores de risco para suicídio. Rejeição, discriminação e racismo são fatores determinantes de risco para o suicídio, segundo o ministério. "Um dos grupos vulneráveis mais afetados pelo suicídio são os jovens e sobretudo os jovens negros, devido principalmente ao preconceito, à discriminação racial e ao racismo institucional", aponta a cartilha. Segundo o documento, o estigma em torno do suicídio pode ser ainda maior quando há questões raciais envolvidas. "Muitas vezes as queixas raciais podem ser subestimadas ou individualizadas, tratadas como algo pontual, de pouca importância, o que acaba culpabilizando aquele que sofre o preconceito", atesta o relatório. Para Borret, os dados da cartilha recém-lançada comprovam que o racismo e a desigualdade racial afetam a ocorrência de problemas de saúde e potencializam seus fatores de risco. "Viver em uma sociedade que trata diferente pessoas negras e brancas é adoecedor, gera um sofrimento e uma sensação de preterimento", explica a médica. "Por isso são necessárias políticas públicas focadas na saúde da população negra." Racismo nos serviços de saúde Criada em 2009, a Política Nacional de Saúde da População Negra (PNSIPN) visa garantir a equidade e a efetivação do direito à saúde de negras e negros. Apesar de ter sido criada há mais de 10 anos, a política ainda é pouco aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS). "Os gestores muitas vezes acreditam que não existe racismo no Brasil e por isso não há necessidade de aplicar as políticas nacionais para combater esse problema", afirma a médica Rita Borret. Um levantamento de pesquisadores da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e da USP mostrou que, em um universo de mais de 5 mil municípios brasileiro, somente 57 colocaram em prática a PNSIPN. Segundo a pesquisa, o estado de São Paulo é onde mais cidades aderiram à estratégia, com 27 municípios participantes. Empatados em segundo lugar estão Minas Gerais e Paraná, com apenas 4 municípios cada. "As instituições de saúde brasileiras também são instituições racistas, tanto pelo silenciamento das situações de racismo que ocorrem dentro delas como pela reprodução do racismo estrutural que existe na nossa sociedade", diz a médica Rita Borret. Apenas 17,6% dos médicos brasileiros são negros, segundo pesquisa de 2014 da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A população negra, que inclui pessoas pretas e pardas, corresponde a 50,7% dos brasileiros, conforme o Censo 2010 do IBGE.

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  • Governo federal aprova registro de mais 31 agrotóxicos, somando 169 no ano


    Número de produtos autorizados vem crescendo há 3 anos. No ano passado, foram registrados 450 agrotóxicos Agência Brasil O Ministério da Agricultura formalizou nesta terça-feira (21) o registro de mais 31 agrotóxicos. No ano todo, já são 169 produtos autorizados. O número de defensivos registrados vem crescendo significativamente nos últimos três anos, fato que preocupa ambientalistas e profissionais da saúde. Em 2015, foram 139. Em 2018, 450. O registro de um agrotóxico é feito pelo Ministério da Agricultura (Mapa), que analisa se ele funciona no combate a pragas e doenças no campo. Mas o registro só é concedido quando o produto também é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia os riscos à saúde, e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que analisa os perigos ambientais. Sem o aval dos três órgãos, ele não é liberado. Segundo o Ministério da Agricultura, o aumento da velocidade dos registros se deve a ganhos de eficiência possibilitados por "medidas desburocratizantes" implementadas nos três órgãos nos últimos anos, em especial na Anvisa. A agência confirma esforços para diminuir a lista de produtos em análise. A lista dos 169 produtos, entretanto, não é homogênea. Ela contém desde um novo princípio ativo (produto técnico) e suas "cópias" quando caem as patentes (produto técnico equivalente) até o composto que chega ao agricultor (produto formulado) e os "genéricos" desse composto (produto formulado equivalente). Em 2019, ainda não houve o registro de nenhum princípio ativo novo. O último produto técnico registrado foi o sulfoxaflor, no fim do ano passado ? ainda não foram liberados produtos formulados à base dessa substância e, portanto, ela ainda não chegou ao mercado para o agricultor. Esse princípio ativo é associado à redução do número de abelhas em estudos feitos fora do país. Uso de agrotóxicos em lavouras ameaça abelhas Dos 31 agrotóxicos registrados nesta terça-feira, 29 são produtos formulados equivalentes, ou seja, reproduções de princípios ativos já autorizados, sendo três do polêmico glifosato, associado a um tipo de câncer em processos bilionários nos Estados Unidos. Os outros dois são produtos finais: Compass e Troia, à base de ametrina e mancozebe, respectivamente, substâncias que já usadas na composição de outros venenos. Somados todos os atos de registros de agrotóxicos publicados pelo Ministério da Agricultura em 2019, o número de produtos chega a 197. Isso acontece porque os registros de 28 produtos concedidos no ano passado foram formalizados em janeiro deste ano.

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  • Justiça da França ordena retomar cuidados de paciente em estado vegetativo


    Médicos haviam interrompido alimentação de Vincent Lambert, em estado vegetativo desde um acidente de trânsito em 2008. Questão divide familiares do paciente. 'Vivo', diz pequeno cartaz escrito por manifestante em Paris contrária à interrupção do tratamento que mantém o francês Vincent Lambert vivo. Kenzo Tribouillard/AFP A corte de apelações de Paris, na França, determinou na noite desta segunda-feira (20) a retomada dos cuidados que mantêm vivo Vincent Lambert, de 43 anos, até que um comitê nas Nações Unidas se pronuncie. Ele está hospitalizado na cidade de Reims em estado vegetativo desde 2008, quando sofreu um acidente de carro. Os médicos interromperam o tratamento de Lambert ainda nesta segunda-feira, mas os pais dele recorreram à Justiça local para reverter a medida. Com o recurso, o tribunal ordena que a França adote "todas as medidas para que se respeitem as medidas provisórias solicitadas pelo Comitê Internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência em 3 de maio de 2019, que tendem a uma manutenção da alimentação e da hidratação". De acordo com a agência France Presse, que obteve acesso à decisão judicial, o caso divide a sociedade francesa e a família do paciente (leia mais abaixo). O tema da eutanásia, inclusive, entrou no debate político às vésperas das eleições ao Parlamento Europeu. Os pais e uma irmã de Lambert consideram que cortar sua dieta e hidratação é uma forma de eutanásia, método proibido na França. Por outro lado, esposa e cinco dos irmãos de Lambert denunciam uma crueldade terapêutica porque ele está em estado vegetativo e sofre lesões cerebrais consideradas irreversíveis. O caso de Vincent Lambert Vincent Lambert em leito de hospital na França recebe cuidados da irmã, em foto de 2014 Cortesia da família Lambert/AFP Lambert sofreu um acidente de trânsito em 2008, quando tinha 32 anos, e os médicos verificaram que os danos cerebrais eram irreversíveis. O caso provocou a retomada do debate sobre o fim da vida. Os médicos decidiram finalmente suspender os cuidados a partir desta segunda-feira, após a última decisão do Conselho de Estado francês. Os pais de Lambert se opõem veementemente a encerrar a vida de seu filho e recorreram contra todas as decisões judiciais de interrupção dos cuidados médicos. No sábado eles enviaram uma carta ao presidente Emmanuel Macron e pediram sua intervenção. Vídeo com suposta reação de Lambert gerou polêmica em 2015 O presidente francês, entretanto, afirmou nesta segunda-feira, em uma mensagem publicada no Facebook, que "não cabe a ele suspender" esta decisão tomada "pelos seus médicos e sua esposa, que é sua tutora legal". Do outro lado, a esposa de Lambert, Rachel, cinco de seus irmãos e um sobrinho apoiaram as decisões da justiça para interromper o atendimento. Eles denunciaram uma "crueldade terapêutica". Segundo eles, Vincent Lambert não gostaria de ser mantido vivo através de máquinas. Porém, o paciente não deixou nenhum documento por escrito manifestando esse desejo. Pais pedem que mantenham filho vivo Pierre Lambert, pai de Vincent Lambert François Nascimbeni/AFP "É uma vergonha, um escândalo absoluto, nem sequer puderam beijar seu filho", disse o advogado dos pais de Lambert, Jean Paillot. "São uns monstros!", gritou Viviane Lambert, mãe de Vincent, em frente ao hospital onde ele está internado. Em uma mensagem em referência ao caso de Lambert, o papa Francisco pediu nesta segunda-feira em um tuíte a "proteção da vida". "Roguemos pelos que vivem em estado de grave doença. Custodiemos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até seu fim natural. Não cedamos à cultura do descarte", escreveu o papa argentino em suas contas do Twitter em seis idiomas. Initial plugin text Interrupção do atendimento médico 'A qualidade de uma civilização se mede pelo respeito que ela dá aos mais fracos', diz cartaz apresentado em Paris durante protesto para manter o francês Vincent Lambert vivo Kenzo Tribouillard/AFP Validada pelo Conselho de Estado em abril, a interrupção do atendimento médico prevê que as máquinas que hidratam e alimentam o paciente sejam desligadas. Ele também será sedado "profunda e continuamente até sua morte" e receberá analgésicos como precaução. Segundo os médicos, nestas condições, o paciente falecerá em alguns dias ou uma semana. Foi o Dr. Vincent Sanchez, chefe da unidade em que Lambert está hospitalizado há vários anos, que informou à família nesta segunda-feira por e-mail sobre o início do protocolo de fim de vida. "Neste doloroso período, espero que, pelo senhor Vincent Lambert, todos saibam como abrir um parêntese e se encontrar ao seu redor, para que esses momentos sejam os mais tranquilos, íntimos e pessoais possíveis", diz o e-mail que a AFP pôde consultar. Batalha legal Os advogados Jean Paillot e Jérôme Triomphe, que representam os pais de Lambert, apresentaram mais cedo um último recurso ante o Conselho de Estado e outro ante a Corte Europeia de Direitos Humanos. Porém, o tribunal europeu rejeitou o recurso, considerando que não há nenhum "elemento novo" que o faça "adotar uma posição diferente" da de 2015, quando concluiu que parar de alimentar e hidratar este homem não consiste em uma violação do direito à vida. Os advogados igualmente encaminharam a questão para um órgão da ONU, o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que solicitou à França que não suspendesse os cuidados até que o mérito da questão fosse examinado. Mas a França não é obrigada a respeitar este pedido, disse a ministra da Saúde Agnès Buzyn.

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  • Botulismo: o que é e como evitar a intoxicação alimentar que pode levar à morte


    A conservação e o envase de alimentos, em destaque as produções caseiras, são fases delicadas no manejo de alimentos. O botulismo é causado por uma toxina liberada pela bactéria 'Clostridium botulinum' Pixabay A hospitalização de duas irmãs na Argentina, em estado grave, trouxe à tona o alerta sobre uma grave intoxicação decorrente da alimentação. Internadas na semana passada, elas apresentaram "sintomas compatíveis com o botulismo" após consumirem homus mal conservado. O botulismo pode causar complicações como fraqueza prolongada, mau funcionamento do sistema nervoso e problemas respiratórios agudos. Se não for tratada a tempo, essa intoxicação pode acabar sendo fatal - embora autoridades em saúde de vários países alertem que os casos são pouco frequentes. Os casos que de fato acontecem, porém, coincidem em algo: os pacientes adoeceram depois de consumir alimentos mal processados ??ou conservados. Qual é a origem? O botulismo é causado por uma toxina liberada pela bactéria Clostridium botulinum. As bactérias em si não são prejudiciais. Na verdade, elas estão presentes no ambiente de maneira geral, em lugares com falta de oxigênio. É o caso de conservas de alimentos, em que os esporos (unidades de reprodução) da bactéria começam a liberar a toxina. "Isso ocorre principalmente em conservas feitas sem as devidas precauções e em alimentos indevidamente processados, enlatados ou envasados ??em casa", explica a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na realidade, o nome da bactéria vem do botulus, palavra em latim para salsicha - na época da descoberta da intoxicação, era o alimento que mais frequentemente espalhava o problema. Como o botulismo pode se propagar? A OMS adverte que este tipo de intoxicação não pode ser transmitida de pessoa para pessoa, embora ela possa, sim, ser repassada especificamente pelo contato com feridas ou pela inalação. Há ainda o botulismo infantil, em que as bactérias presentes no ambiente infeccionam o intestino de crianças. Mas a toxina botulínica é transmitida principalmente por meio de alimentos mal processados ??ou com um nível muito baixo de acidez. Na lista de produtos a considerar, a organização internacional inclui vegetais enlatados com baixa acidez, como feijão verde, espinafre, cogumelos e beterraba. Carnes cruas ou peixes preservados por salga ou defumação deficientes também podem apresentar a toxina. O mesmo vale para vitaminas e suplementos alimentares. "Casos de botulismo de origem alimentar são frequentemente relacionados a alimentos prontos para consumo, embalados com pouco oxigênio", diz a OMS. Quais são os sintomas desta intoxicação? A organização sem fins lucrativos Mayo Clinic aponta que os primeiros sinais mais evidentes de intoxicação incluem fraqueza muscular, pálpebras caídas, voz fraca, vertigem, secura na boca e visão turva. As toxinas botúlicas são neurotóxicas, o que significa que afetam o sistema nervoso. Isso leva a uma paralisia e uma flacidez que podem produzir insuficiência respiratória. Com isso, um caso não tratado pode levar a um estado de saúde ainda mais grave. Quando os efeitos do botulismo começam a ser sentidos? Os sintomas normalmente se manifestam entre 12 e 36 horas após a ingestão do produto em más condições. O prazo mínimo é de quatro horas e o máximo, de oito dias, explica a Agência Espanhola de Defesa do Consumidor, Segurança Alimentar e Nutricional. Como o botulismo pode ser prevenido? Uma vez que a intoxicação pode ser gerada a partir da comida enlatada, a vácuo ou com baixa acidez, a primeira pista de que um produto não está em condições será a embalagem. As latas amassadas ou mal fechadas são os principais inimigos. Salsichas e outros embutidos caseiros ou de proveniência duvidosa também devem ser evitados. "A prevenção é baseada em boas práticas de fabricação, particularmente preservação e higiene, e o botulismo pode ser evitado pela desativação de esporos bacterianos em produtos esterilizados", diz a OMS. Qual é o tratamento? "Se você for diagnosticado com botulismo alimentar ou uma lesão precoce, a injeção de antitoxina reduz o risco de complicações, embora não possa reverter os danos já causados", explica a clínica Mayo. Os antibióticos só são recomendados caso a toxina tenha entrado na corrente sanguínea por meio de uma ferida. Quando o caso já está avançado e é diagnosticado tardiamente, é provável que o paciente precise de um respirador mecânico à medida que a toxina é liberada no corpo.

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