Ciência e Saúde

23/Set/2019 14:28h
Como o tipo de parto afeta as bactérias dos bebês
23/Set/2019 12:33h
O esquecido drama de quem vive com pessoas que sofrem de depressão
23/Set/2019 10:22h
MSF acusa Organização Mundial da Saúde de racionar vacinas
22/Set/2019 18:08h
Congresso de Cardiologia em Porto Alegre aborda a importância da inclusão da espiritualidade no aten...
22/Set/2019 13:51h
'Pena que você não conseguiu se matar': como a internet uniu vítimas de abuso de mães narcisistas...
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Ciência e Saúde - G1

  • Como o tipo de parto afeta as bactérias dos bebês


    Novas descobertas podem ajudar a explicar por que alguns bebês que nascem de cesárea correm mais risco de desenvolver certas doenças. Bebês nascidos por via vaginal têm bactérias diferentes dos nascidos por cesárea. BBC Os bebês nascidos por cesariana têm bactérias intestinais muito diferentes daqueles nascidos por via vaginal, de acordo com o maior estudo da área. Cientistas britânicos dizem que esses primeiros encontros com micróbios podem atuar como um "termostato" para o sistema imunológico. E eles podem ajudar a explicar por que os bebês nascidos por cesariana têm maior probabilidade de ter alguns problemas de saúde mais tarde na vida. Os pesquisadores enfatizam que as mulheres não devem esfregar nos bebês seus fluidos vaginais - conhecidos como "semeadura vaginal". Qual é a importância da bactéria intestinal? Nossos corpos não são inteiramente humanos - somos um ecossistema com cerca de metade das células do nosso corpo compostas por micróbios, como bactérias, vírus e fungos. A maioria delas vive em nosso intestino e é conhecida coletivamente como nosso microbioma. O microbioma está ligado a doenças como alergia, obesidade, doença inflamatória intestinal, Parkinson, a eficácias das drogas contra o câncer e até depressão e autismo. Este estudo - realizado pelo Instituto Wellcome Sanger, UCL e Universidade de Birmingham - avaliou como o microbioma se forma quando deixamos o útero estéril de nossa mãe e entramos em um mundo cheio de bactérias. Foram coletadas amostras regulares das fraldas de quase 600 bebês durante o primeiro mês de vida, e em alguns casos foram inclusive analisadas amostras fecais de bebês durante o primeiro ano de vida. O estudo, publicado na revista Nature, mostrou que bebês nascidos por parto normal recebem a maioria das bactérias precoces da mãe. Mas os bebês com cesariana apresentavam altos níveis de bactérias hospitalares, como Klebsiella e Pseudomonas. "O que me surpreendeu e me assustou foi a quantidade de bactérias que aparecem nessas crianças", disse Trevor Lawley, do Instituto Wellcome Sanger, à BBC. "Mas o que me empolga é que temos um incrível conjunto de dados que podemos desenvolver, para pensar em como estabelecer adequadamente o ecossistema humano, começando no nascimento." O microbioma Microbioma inclui bactérias, vírus e fungos BBC Você é mais micróbio que humano - se contar todas as células do seu corpo, apenas 43% são humanas O resto é o nosso microbioma e inclui bactérias, vírus, fungos e arqueas unicelulares O genoma humano - o conjunto completo de instruções genéticas para um ser humano - é composto de 20 mil instruções chamadas genes Mas adicione todos os genes em nosso microbioma e o número fica entre dois e 20 milhões de genes microbianos Nosso microbioma também é conhecido como nosso "segundo genoma" Isso afeta a saúde do bebê? Já se sabe que crianças nascidas por cesariana correm maior risco de alguns distúrbios, como diabetes tipo 1, alergias e asma. Um sistema imunológico errático - a defesa do organismo contra infecções - pode desempenhar um papel em todos eles. As diferenças entre os nascidos por partos normais e cesarianas desapareceram com o tempo e, em grande parte, se igualaram no primeiro ano de vida da criança. Portanto, uma ideia importante é que as bactérias que nos colonizam primeiro são de importância crucial e ajudam a treinar nosso sistema imunológico para diferenciar as boas das ruins. "A hipótese é que o momento do nascimento pode ser uma espécie de 'termostato', que define o sistema imunológico na vida futura", diz o pesquisador Nigel Field, da UCL. O estudo - Projeto Bioma do Bebê - continuará a acompanhar os bebês durante a infância e deve fornecer mais clareza. A maior parte dos nossos microbiomas vivem no intestino BBC Como é possível alterar o microbioma de um bebê? O método de nascimento teve o maior impacto sobre os microbiomas dos bebês, mas os antibióticos e o tempo de amamentação dos bebês também alteraram a relação incipiente entre nossas partes microbiana e humana. Pesquisas anteriores nesse campo levaram alguns a adotarem a "semeadura vaginal", prática na qual as mães esfregam fluido vaginal no rosto e na boca de seus bebês após uma cesariana. No entanto, o estudo mostrou que mesmo os bebês nascidos de parto normal não estavam recebendo mais bactérias vaginais do que os que nasceram de cesariana. Em vez disso, as bactérias transmitidas de mãe para o bebê vinham do contato com as fezes da mãe durante o parto. Os pesquisadores disseram que a semeadura vaginal arriscava expor os bebês a perigosas bactérias. No futuro, poderá ser possível dar aos bebês que nascem de cesariana um coquetel de boas bactérias ao nascer, para que o relacionamento deles com o mundo microbiano comece no caminho certo. "Estas bactérias são dedicadas a nós e nós somos dedicados a elas", disse Lawley. "Meu principal interesse é - quais são as bactérias transmitidas de mãe para filho? Isso não é um acidente, elas evoluíram profundamente com os seres humanos. É isso que queremos entender e preservar - essa forma de parentesco entre mãe e bebê." O que as grávidas devem fazer? Alison Wright, vice-presidente do Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas, disse que as descobertas são inovadoras, mas não devem impedir as mulheres de fazer uma cesariana. Ela diz: "Em muitos casos, uma cesariana é um procedimento que salva vidas e pode ser a escolha certa para uma mulher e seu bebê. O papel exato do microbioma no recém-nascido e quais fatores podem alterá-lo ainda são incertos, portanto, não achamos que este estudo deva impedir as mulheres de fazer uma cesariana".

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  • O esquecido drama de quem vive com pessoas que sofrem de depressão


    Por ser um conjunto de sintomas que podem estar presentes em aspectos variáveis em cada pessoa, a depressão não é fácil de ser diagnosticada. Depressão é doença de difícil diagnóstico. Getty Images/via BBC Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 11 milhões de brasileiros sofrem com a depressão. Pelo mundo, são quase 300 milhões de pessoas, números que fizeram a OMS chamar a doença de "mal do século". Tratamentos psiquiátricos e terapias diversas são apresentadas em textos e programas de TV. Famosos e até youtubers têm falado muito mais da doença, mas uma parte importante desta equação toda parece ficar de lado: o cuidador. Por ser um conjunto de sintomas que podem estar presentes em aspectos variáveis em cada pessoa, a depressão não é fácil de ser diagnosticada. E a pessoa que convive com o doente rotineiramente também pouco sabe o que fazer. Segundo o Ministério da Saúde, um paciente com depressão pode apresentar tristeza profunda, falta de apetite, de ânimo, pessimismo, baixa auto-estima - que aparecem com frequência - e podem combinar-se entre si. De acordo com os especialistas, o crescimento do diagnóstico pode estar ocorrendo por conta de maiores cobranças sociais e pessoais de hoje. Mas também existe mais informação e aos poucos os preconceitos estão sendo combatidos e reduzidos, o que aumenta a quantidade de pedidos de ajuda e, consequentemente, os diagnósticos. Na contramão da tendência mundial, taxa de suicídio aumenta 7% no Brasil em seis anos Setembro Amarelo: como conversar com alguém que está pensando em cometer suicídio Parceiros O psiquiatra Roni Cohen, diretor do Centro Brasileiro de Estimulação Magnética (CBREMT), aponta onde normalmente é o calcanhar de Aquiles do parceiro: "Realmente aqueles que cuidam ficam em segundo plano. Cuidar de uma pessoa com depressão requer uma sobrecarga emocional grande, principalmente porque, além de absorver o sentimento do outro, advém uma sensação de impotência quando se percebe que nem sempre a ajuda está sendo efetiva". O arquiteto S. (que preferiu não se identificar), de 33 anos, conta como aprendeu a se frustrar com a noiva, a médica I.. Ele revela que a maior dificuldade disso é saber como lidar com ela em momentos críticos. "Você sempre quer que a pessoa que você ama se sinta bem, feliz, quer fazer coisas legais juntos e às vezes eu tinha que entender que não conseguiria isso, não importa o que fizesse. É muito frustrante", explica. "E algo que agrava isso é o fato de que muitas vezes não havia nenhum motivo 'real' pra que ela se sentisse triste. Então não há um problema que você possa resolver e fazer tudo ficar bem". Um outro motivo para agravar o problema foi a negligência da família, algo muito comum no mundo dos depressivos. "Eles (os familiares) tinham um certo preconceito com tratamento psiquiátrico e medicação. A depressão dela nunca me causou transtornos diretamente, mas sim à ela. Mas como vivemos juntos me atingem de alguma forma. Não procurei ajuda psicológica e tenho certeza que isso traria benefícios." A perda de compromissos importantes era um dos maiores problemas. "Há dias que ela acaba dormindo o dia todo e perde compromissos". As dificuldades também são relatadas pelo administrador de empresas Henrique Luiz, de 38 anos, que cuida do pai doente, de 74 anos, que preferiu não ser identificado. Além da depressão, o pai foi diagnosticado com transtorno bipolar. "A maior dificuldade realmente é se aproximar em tempos de "mania", quando ele acha que está super bem e pode tudo. É neste momento que ele acaba pisando em cima de todos", relata Henrique. "Já colocamos remédios nos sucos e café para tentar conter ele, com orientação médica, até que a internação foi nossa última saída. Minha mãe, hoje falecida, sofria demais com isto, e hoje vejo que meu irmão sofre por morar com ele." Henrique acabou tendo que fazer um tratamento psiquiátrico, onde foi diagnosticado com Depressão Pós Traumática e ficou um bom tempo com remédios e terapia. "Infelizmente, o meu irmão, apesar de demonstrar claramente desequilíbrio emocional devido a condição do meu pai, não procurou ajuda." Taxa de suicídios é maior entre homens, diz OMS. Pixabay Um dos grupos mais antigos e atuantes de ajuda a pacientes e familiares é a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), situada atualmente na Vila Clementino, em São Paulo. Os grandes centros universitários pelo país dispõem também de grupos semelhantes. Há os "Neuróticos Anônimos" e grupos de portadores de transtorno bipolar. O psiquiatra Mauro Aranha, fala sobre a importância de se apoiar neste tipo de pilar: "Esses grupos ajudam portadores e familiares em prevenção e indicam rede de tratamento. Permitem também a expressão de um lugar de fala que dá um sentido mais concreto e compartilhado ao sofrimento e aponta caminhos possíveis de recuperação ou superação." A psicóloga Melina Ferreira vai além. "O ideal seria que o cuidador tivesse muito claro o que é a depressão, qual seu papel na contribuição do tratamento, quando sair de cena e quando voltar, já que pode existir uma 'contaminação' dos sintomas depressivos, devido ao ambiente, preocupação, atenção demasiada, além de suas próprias frustrações. Os profissionais da saúde precisam estar atentos e abertos para dar este apoio aos cuidadores", afirma. Há também que se separar um quadro de melancolia e tristeza com a depressão. Taxa de mortalidade por suicídio aumentou 12% entre jovens e adolescentes negros de 2012 a 2016 Pixabay Isso faz toda a diferença para o doente. Saber diferenciar as patologias e emoções naturais são fundamentais para o tratamento e melhora da pessoa tratada, aponta Melina: "A questão problemática desta relação é que a depressão tem suas peculiaridades como doença e quem ajuda pode acabar cuidando como uma tristeza, frustração ou qualquer outra emoção ruim comum ao ser humano. Isso gera conflitos e ambos sofrem com esta dinâmica: a pessoa com depressão se sente não entendida ou vista e o cuidador frustrado por não conseguir ajudar como gostaria. A depressão é uma doença muito autocentrada no paciente". A atriz e professora D., 38 anos, acabou procurando ajuda psicológica justamente para não desistir do seu namorado B., de 45. "Vou a sessões individualizadas com os médicos e analistas do meu namorado. Pedi ajuda da família. O peso é muito grande e você precisa estar preparada para lidar com as frustrações, que são muitas. Ter um grupo de apoio é fundamental". Já o arquiteto S. conta que leu bastante sobre o assunto e conversou com a psicóloga da noiva algumas vezes, sempre com ela presente, pra ficar claro que lidavam com aquilo juntos. E assim, com o tempo foi aprendendo, meio que na tentativa e erro, os tipos de conduta que poderia tomar quando ela não estava bem. "Eu tento falar com ela de maneira muito lógica. Uma característica dela é ser extremamente pessimista, ela vê todas as possibilidades das coisas darem errado e vai desdobrando isso até chegar a consequências horríveis e fica extremamente ansiosa. Então eu cito fatos parecidos onde tudo deu certo, converso sobre como seria se algo ruim acontecesse, como iríamos resolver, sempre tentando ser muito claro, pra que apesar da depressão ela veja que está tudo bem. E isso sempre tem que ser feito com muita paciência e carinho, acho que pra ela, estar perto de uma pessoa tranquila ajuda muito". Mauro Aranha pede atenção especial à depressão que agrega angústia e desinteresse por tudo e todos, isolamento social e desesperança. "São ingredientes que podem levar o enfermo ao suicídio. E não se deve temer perguntar, de maneira acolhedora, ao enfermo se ele deseja ou planeja matar-se. Isso pode salvar uma vida". Para casos mais agudos, O CVV - Centro de Valorização da Vida - realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e 24 horas todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, são gratuitas a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre ligação gratuita.

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  • MSF acusa Organização Mundial da Saúde de racionar vacinas


    A epidemia de febre hemorrágica ebola na região do Congo já provocou a morte de mais de 2.100 pessoas. Vacina contra o Ebola é dada na cidade de Mbandaka, na República Democrática do Congo REUTERS/Kenny Katombe/File Photo A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou nesta segunda-feira (23) a Organização Mundial Saúde (OMS) de racionar vacinas utilizadas para tentar controlar a epidemia de ebola na República Democrática do Congo. Em uma nota oficial, a MSF aponta que "um dos maiores problemas reside atualmente no fato de que, na prática, a vacina (contra o ebola) é racionada pela OMS, e muitas pessoas em risco não estão protegidas". Morre segundo paciente com ebola na República Democrática do Congo A organização criticou a "opacidade" da OMS na distribuição de vacinas e pediu a "criação de um comitê independente de coordenação internacional, para garantir a transparência sobre a gestão dos estoques e a distribuição de dados". O comitê poderia ser integrado por entidades como a própria OMS e a MSF, assim como a Cruz Vermelha e o Unicef, para "estimular discussões abertas com os produtores de vacinas". Integrante da equipe médica para o tratamento de ebola em Uganda Isaac Kasamani/AFP Declarada no dia 1 de agosto de 2018, a 10ª epidemia de febre hemorrágica ebola na região do Congo já provocou a morte de mais de 2.100 pessoas. Em julho, a OMS elevou o nível de ameaça do ebola para "urgência de saúde pública de alcance internacional". No total, 225 mil pessoas receberam uma dose da vacina produzida pelo laboratório Merck desde 8 de agosto de 2018, "mas o número é amplamente insuficiente", afirma a MSF em seu comunicado. "Entre 2.000 e 2.500 pessoas poderiam ser vacinadas a cada dia, contra um ritmo atual de entre 500 e 1.000 pessoas", afirma no texto a diretora de operações da MSF, Isabelle Defourny. "As razões por trás das restrições ainda são obscuras", afirma a organização.

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  • Congresso de Cardiologia em Porto Alegre aborda a importância da inclusão da espiritualidade no atendimento ao paciente


    Diretriz de Prevenção Cardiovascular vai citar a espiritualidade, além de outros temas, como pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol e tabagismo. Segundo médico, uma pessoa que está de bem consigo mesma é 'menos propensa a ter qualquer alteração no sistema cardiovascular'. Congresso de cardiologia em Porto Alegre destaca a importância da espiritualidade No Congresso Brasileiro de Cardiologia, que ocorreu neste fim de semana em Porto Alegre, médicos debateram problemas cardiovasculares e outras questões relacionadas com a saúde do coração. Um dos temas abordados foi a importância da inclusão da espiritualidade no atendimento ao paciente. Conforme o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Oscar Dutra, a Diretriz de Prevenção Cardiovascular vai citar a espiritualidade e fatores psicossociais, além de outros temas, como pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol e tabagismo. Sobre a parte espiritual, a orientação é de que o médico pergunte ao paciente sobre o assunto. "Isso é uma das normas que recomendamos na diretriz, o médico deve abordar 'você é religioso?', 'que religião você segue?', 'qual a sua tendência religiosa?'. As pessoas se abrem e contam a respeito disso. Mas isso não é feito com regularidade por conta do médico, o médico tem medo de daqui a pouco não ter resposta para tudo aquilo que o paciente está respondendo ou questionando. É um tema novo, um tema interessante", afirma. Dutra relata os benefícios que a espiritualidade pode trazer, e cita uma diminuição na probabilidade das pessoas desenvolverem problemas no sistema cardiovascular. "Quando uma pessoa está de bem consigo mesma, ela é bem mais tranquila, menos raivosa, menos propensa a ter alteração no sistema cardiovascular, pressão alta, aumento da frequência cardíaca, ou mesmo, arritmias", afirma. "Uma pessoa que tem alterações na sua espiritualidade, tem alterações no seu mecanismo de controle cardiovascular. Vou dar um exemplo, quando a gente está de bem, uma coisa que a gente ouve é 'Tô de bem com a vida'. Estar de bem com a vida significa que espiritualmente você está muito bem. Se eu estou de bem com a vida, as minhas glândulas que secretam hormônios, vão secretar muito menos. Um exemplo clássico disso é de uma glândula que se chama suprarrenal que é a responsável pela secreção de um hormônio, que é normal, mas que secretado em excesso traz problemas, como a adrenalina. Adrenalina aumenta a frequência cardíaca, adrenalina aumenta a pressão arterial, então isso é uma das consequências de não estar bem espiritualmente, não estar bem consigo mesmo", acrescenta. Dutra acrescenta que há uma diferença entre espiritualidade e religião. Conforme o cardiologista Mário Borba, o importante é que a pessoa consiga realizar uma reflexão. "Naquele paciente muitas vezes ateu, ou agnóstico, mas que aceita fazer um processo de meditação, aceita ter umas experiências mais contemplativas em relação à vida, que aceita fazer reflexões pessoais, esses pacientes que buscaram uma meditação, mesmo que não seja uma meditação religiosa, eles também tiveram benefício, e um benefício muito grande", afirma. Dutra conta que os médicos estão empolgados com a diretriz. "O campo da espiritualidade é muito antigo, mas explorado no campo médico deve ter 5 anos no máximo", acrescenta. Diretriz de Prevenção Cardiovascular vai citar a importância da espiritualidade para evitar doenças Reprodução/RBS TV Dados preocupantes no RS O coração e os cuidados para controlar a pressão alta, os níveis de açúcar, colesterol e a obesidade, também estiveram no foco do congresso. No evento, surgiram dados preocupantes sobre a saúde dos gaúchos. Na Região Sul, o RS é estado que mais registrou, em 2017, mortes por infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Foram 7.417 mortes por AVC, e 7.207 por infarto.

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  • 'Pena que você não conseguiu se matar': como a internet uniu vítimas de abuso de mães narcisistas


    Desacreditadas na infância, pessoas que não tiveram na figura da mãe o esperado "primeiro amor" encontraram nas redes sociais um local para desabafar, buscar ajuda e entender conceitos como o de "mães narcisistas": "Ela não é um ser sagrado" Se você começa a se identificar em alguma situação, procure ajuda. Não deixe que isso se torne um tema central da vida, porque há o risco de querer se encaixar em todas as situações e atrair todos os outros problemas para validar", alerta o psicanalista Christian Dunker BBC "Eu fui para a minha primeira entrevista de emprego com a camisa toda suja de sangue após levar uma surra." "Ela me acusava de querer ser amante do meu próprio pai." "Deu uma risada e disse: 'pena que você não conseguiu se matar?'" Karina*, Julia* e Larissa* levaram décadas para conseguir contar suas histórias. Quando tentavam, ninguém acreditava: "ingratas", "desnaturadas", "mal agradecidas" eram algumas das críticas que elas ouviram ao falar dos abusos que sofreram das mãos das próprias mães. Com a internet, porém, elas conseguiram. Num fenômeno recente nas redes sociais brasileiras, fazem parte de grupos, comunidades, canais no YouTube e até podcast que abordam as histórias de pessoas que sofreram com o abuso materno: de espancamentos e tortura psicológica à falta de cuidados básicos com a saúde. Cárcere privado Quando era criança, Karina sempre tinha um pedido quando os parentes ou amigos de seus pais iam visitá-los: "me leva pra sua casa?" Hoje com 53 anos, a jornalista lembra que fazia de tudo para não ter de ficar no mesmo ambiente em que a mãe. "Eu detestava férias e fim de semana porque significavam espancamentos. Eu era o saco de pancada". Ao conseguir a primeira entrevista de emprego, já aos 20 anos, ela conta que a mãe entrou no banheiro onde ela estava e a espancou com um cinto, até sangrar. Para não se atrasar, foi com a roupa suja de sangue. Há pouco mais de três anos, após um período de afastamento, Karina precisou voltar à casa da família. Havia feito um mau negócio na venda de um apartamento e passou a viver praticamente, diz, em cárcere privado. "A relação com minha mãe deveria ter sido primeiro amor. Viemos ao mundo com essa expectativa, mas quando é estabelecida uma relação tóxica, isso muda toda a sua vida. Eu poderia ganhar o Nobel que ainda não seria suficiente para ela". Karina precisou recomeçar a vida em outra cidade, o Rio de Janeiro, para cortar qualquer contato com a família. A jornalista participa de algumas das páginas nas redes sociais que tratam do abuso materno e que se referem especificamente ao conceito de "mães narcisistas", relacionado ao Transtorno de Personalidade Narcisista. Parte de uma área relativamente nova na comunidade médica, ele é identificado pela Associação Americana de Psiquiatria como uma necessidade patológica "por admiração e falta de empatia pelos outros". De acordo com o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), pessoas com esse problema também não conseguem lidar com qualquer coisa que seja percebida como crítica, se tornam impacientes ou violentas quando não recebem tratamento especial, tentam diminuir outras pessoas para se sentir superior e tiram vantagem dos outros para conseguir o que querem. "No caso específico das mães que vivenciaram a gravidez, a separação com o bebê, à medida que ele vai crescendo, é sempre difícil. Mas, quando se tem esse transtorno, isso vai virando raiva, ódio. Elas querem os filhos como imagens de si, eles não podem ter autonomia, ser independentes, viver a própria vida. Isso leva a um crescimento muito difícil e deixa um rastro de pessoas inseguras, que não se abrem, com dificuldade de enfrentar a vida", explica. Em apenas uma das páginas sobre o tema, "Narcisismo Materno", no Facebook em português, há mais de 60 mil perfis que acompanham o conteúdo. Um post traz uma imagem com a frase "As coisas não estão ficando piores. As coisas estão sendo expostas": "É triste mas ao mesmo tempo é libertador quando vc descobre que o problema nunca foi você e sim ela", comenta uma participante. 6 características de mães narcisistas Intransigência Não ouvir os outros Reação extremada a críticas Carinhosa na frente dos outros ? fria a sós Expectativa de reconhecimento Abusos físicos e psicológicos No YouTube, um vídeo publicado há um ano acumula mais de 127 mil visualizações. Uma psicóloga fala como identificar uma "mãe narcisista" : "Não tem empatia, vai responsabilizar você pelos problemas, é sempre dona da verdade. Só vai te tratar bem se precisar alguma coisa", ilustra a um público que entra numa espécie de comoção coletiva ao encontrar esses sinais nas próprias mães. Ciclo de sofrimento Quando busca as memórias mais antigas da sua infância, a auxiliar de escritório Larissa lembra dos conflitos com a mãe. Desde criança até a adolescência, recorda-se de agressões psicológicas e de se sentir sozinha. "Os meus familiares ficavam todos contra mim, e meus amigos diziam que era uma blasfêmia eu falar mal dela", lembra. De uma família evangélica em São Paulo, ouvia da mãe que era fruto de uma gravidez indesejada. Dentro de casa, viveu um "ciclo de sofrimento": foi agredida diversas vezes quando criança, ouvia críticas sobre sua aparência durante a adolescência e chegou a tentar o suicídio, aos 18 anos. Alguns anos mais tarde, ao confrontar a mãe sobre a situação, ouviu que era uma "pena" ela não ter morrido. "Ela dizia que não ia deixar eu ser feliz nunca e que queria que eu tivesse morrido. Fiquei em choque, mas também fui compreender que isso não era algo normal", diz a mulher de 36 anos, que resolveu cortar os laços familiares completamente aos 31, após ler sobre o transtorno. Hoje, Larissa administra a página "Nem toda mãe é boa" no Facebook e ajuda outras pessoas a identificarem os abusos que sofrem. Já na casa da designer Julia, no Rio Grande do Sul, notas baixas na escola primária eram motivo para humilhações. Ela não recebia qualquer tipo de ajuda em casa e a mãe se recusava a levá-la até a um ginecologista: "A mãe do meu namorado na época, quando eu tinha 18 anos, foi quem me levou pela primeira vez. Eu nem sabia que eu precisava me cuidar", relata. "Eu detestava férias e fim de semana porque significavam espancamentos. Eu era o saco de pancada", contou Karina à BBC News Brasil BBC Com um pai ausente, a mãe dizia que iria "arrebentá-la" e "matá-la" em diversas brigas. Em uma ocasião, chegou a ter o dedo quebrado. E nem quando a mãe teve um câncer e Helena precisou largar o emprego para cuidar dela, os abusos cessaram. Falando de narcisismo "Eu sempre fui uma presa fácil para ela. Ela ficou muito debilitada e começou a me culpar pela doença, dizia que vida dela era um inferno por minha causa e dizia que eu queria roubar o meu pai dela". Depois do tratamento, Helena saiu de casa e foi morar no Rio de Janeiro e, em seguida, em Londres, com zero contato com a mãe: "Passei a vida dando segunda chance e agora acabou". De acordo com o psicoterapeuta americano Les Carter, autor de livros e produtor de vídeos em inglês sobre o assunto, a demora em perceber o problema vem da falta de educação sobre questões psicológicas, tanto no Brasil quanto no exterior. "Idealmente, jovens deveriam se envolver em discussões sobre como a vida funciona, como as pessoas diferem em tipos e temperamento, como entender as emoções e gerenciar conflitos. Mas poucas pessoas se tornam adultas com o básico desse conhecimento", destacou em entrevista à BBC News Brasil. Autora do primeiro livro em português sobre a relação específica desse transtorno com a maternidade, o "Prisioneiras do Espelho", a terapeuta brasileira radicada em Luxemburgo Michele Engelke reforça que esse problema é "difícil de ser detectado", já que as pessoas que o têm não costumam procurar ajuda. Mas que, "se você aprende que nem toda mãe é boa, diminui as chances de sofrer abuso por muito tempo". Apesar de o assunto estar no radar de especialistas há alguns anos, ainda há um certo preconceito entre os profissionais da área, segundo Christian Dunker. "Como as características narcisistas de uma forma geral estão muito populares na nossa cultura, na vida cotidiana, muitos acabam deixando passar quando isso se torna um problema patológico. Só que é muito grave", relata. O psicanalista destaca ainda que o transtorno muitas vezes está ligado a outros problemas, como bipolaridade e transtorno borderline, que é um padrão de comportamento relacionado à instabilidade nos relacionamentos interpessoais e emotivos. O que se deve fazer Com essa falta de profissionais e diagnósticos, a internet acaba sendo o principal espaço para se discutirem as questões relacionadas ao narcisismo materno. Quando criou a página "Mães Narcisistas", há pouco mais de dois anos, Marcela* já imaginava que alcançaria um grande público com o seu conteúdo em português. "São pessoas que querem conversar e não podem. E eu sabia que muitas meninas passavam por isso dentro de casa, como eu ", diz. Ela também produz vídeos e podcast no YouTube para tratar sobre o assunto. Especialistas alertam, entretanto, que o conteúdo online não deve substituir o acompanhamento clínico. "As redes ajudam a melhorar esse sentimento de solidão, injustiça. Você entende que não está sozinho no mundo. Mas não pode substituir o processo transformativo. Se você começa a se identificar em alguma situação, procure ajuda. Não deixe que isso se torne um tema central da vida, porque há o risco de querer se encaixar em todas as situações e atrair todos os outros problemas para validar", explica Dunker. O psicanalista alerta que, nas comunidades, muitas pessoas podem acabar confundindo um relacionamento conturbado ou uma frieza da mãe com algum transtorno psicológico. Para quem acha que pode estar numa casa onde acontece esse tipo de abuso e não consegue ter um acompanhamento, o conselho é tentar entender que existe um problema na relação e que não é sua culpa. "Mesmo que ninguém à sua volta esteja te validando, mantenha-se verdadeiro a si mesmo. Tenha um diário para relatar essas situações, leia a respeito para que, quando você tiver autonomia financeira, seja mais fácil de se libertar", orienta Michele Engelke. Os sinais de que uma pessoa pode ter o Transtorno de Personalidade Narcisista incluem nunca mudar de opinião e não ouvir os outros; ser carinhosa na frente de outras pessoas e ter um comportamento totalmente diferente quando está a sós; ter uma reação exacerbada a críticas; e exigir ser reconhecida pelos seus atos. Todas essas reações acabam levando a abusos psicológicos e físicos. Para Karina, Julia e Larissa, o distanciamento completo da mãe foi essencial para que eles recomeçassem a vida. Entenderam que sofreram abusos e se permitiram buscar um acompanhamento psicológico. Segundo os especialistas, dependendo do nível de conflito na relação, o "contato zero" de fato acaba se tornando a única solução. Em comum, as três também dizem que não querem ter filhos. "Foi tão traumático que o meu maior medo é ter um filho e repetir esse comportamento com ele, mesmo não querendo", ilustra Karina. Para Michelle Engelke, que introduziu o tema a diversas "filhas" de narcisistas que participam das comunidades nas redes sociais no Brasil, está mais do que na hora de conversar a respeito disso: "A mãe não é um ser sagrado. Ela é mãe, mas pode cometer erros e ser abusiva". *Os nomes foram trocados para proteger a identidade das entrevistadas

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