Ciência e Saúde

18/Jun/2021 23:00h
Brasil se aproxima das 500 mil mortes por Covid-19; número de novos casos bate recorde desde início ...
18/Jun/2021 21:44h
Espécie de peixe que já foi considerada extinta com os dinossauros pode viver por 100 anos e ainda e...
18/Jun/2021 17:20h
Ajude a Nasa a escolher o nome do manequim que irá a bordo da próxima missão à Lua
18/Jun/2021 13:44h
'Tive transtorno pós-traumático após minha filha nascer', diz britânico
18/Jun/2021 11:36h
5 perguntas sobre os denisovanos, 'parentes' extintos dos humanos modernos que viveram na Terra há 5...
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Ciência e Saúde - G1

  • Brasil se aproxima das 500 mil mortes por Covid-19; número de novos casos bate recorde desde início da pandemia


    País contabiliza 498.621 óbitos e 17.802.176 casos, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa com dados das secretarias de Saúde. Média móvel de mortes ficou acima de 2 mil pelo 3º dia seguido. Brasil se aproxima de 500 mil mortes na pandemia e bate recorde de casos em 24 horas O Brasil se aproxima da triste marca de 500 mil mortes por Covid-19. O país registrou 2.449 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando nesta sexta-feira (18) 498.621 óbitos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias chegou a 2.039 --voltando a bater a marca de 2 mil pelo terceiro dia seguido. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +24% e indica tendência de alta nos óbitos decorrentes do vírus. É segundo dia consecutivo em mais de dois meses vez que essa análise indica alta nas mortes. De 12 de abril até quarta-feira (16), a curva apontou estabilidade ou queda. Houve 98.135 novos casos, a maior marca desde o início da pandemia. A marca anterior havia sido em 25 de março, 97.586. Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h desta sexta. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. Veja a sequência da última semana na média móvel: Média móvel de mortes nos últimos sete dias Arte/G1 Sábado (12): 1.961 Domingo (13): 1.997 Segunda (14): 1.970 Terça (15): 1.980 Quarta (16): 2.007 Quinta (17): 2.005 Sexta (18): 2.039 De 17 de março até 10 de maio, foram 55 dias seguidos com essa média acima de 2 mil. No pior momento desse período, a média chegou ao recorde de 3.125, no dia 12 de abril. 12 estados apresentam tendência de alta nas mortes: PR, RR, AP, RJ, PB, CE, SP, MG, RS, MA, GO, RO Em casos confirmados, desde o começo da pandemia, 17.802.176 brasileiros já tiveram ou têm o novo coronavírus, com 98.135 desses confirmados no último dia, maior número desde o começo da pandemia. A média móvel nos últimos 7 dias foi de 71.565 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de 15% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos pela primeira vez após mais de 50 dias. Mortes e casos de coronavírus no Brasil e nos estados Mortes e casos por cidade Veja como está a vacinação no seu estado Brasil, 18 de junho Total de mortes: 498.621 Registro de mortes em 24 horas: 2.449 Média de novas mortes nos últimos 7 dias: 2.039 (variação em 14 dias: +24%) Total de casos confirmados: 17.802.176 Registro de casos confirmados em 24 horas: 98.135 Média de novos casos nos últimos 7 dias: 71.565 por dia (variação em 14 dias: +15%) Estados Em alta (12 estados): PR, RR, AP, RJ, PB, CE, SP, MG, RS, MA, GO, RO Em estabilidade (12 estados): PA, SE, BA, MS, AL, AM, PI, AC, MT, TO, PE, SC Em queda (2 estados e o DF): RN, DF, ES Essa comparação leva em conta a média de mortes nos últimos 7 dias até a publicação deste balanço em relação à média registrada duas semanas atrás (entenda os critérios usados pelo G1 para analisar as tendências da pandemia). Vale ressaltar que há estados em que o baixo número médio de óbitos pode levar a grandes variações percentuais. Os dados de médias móveis são, em geral, em números decimais e arredondados para facilitar a apresentação dos dados. Vacinação Desde o começo da vacinação no Brasil, 61.859.364 pessoas já tomaram a primeira dose de vacinas contra a Covid, segundo novo balanço do consórcio de veículos de imprensa, o que corresponde a 29,21% da população. A segunda dose foi aplicada em 24.171.806 de pessoas, o que corresponde a 11,41% da população. Somando a primeira e a segunda doses, 86.031.170 vacinas já foram aplicadas. Estados com alta de mortes Arte/G1 Estados com estabilidade nas mortes Arte/G1 Estados com queda nas mortes Arte/G1 Veja a variação das mortes por estado Sul PR: +172% RS: +20% SC: -14% Sudeste ES: -37% MG: +22% RJ: +34% SP: +27% Centro-Oeste DF: -24% GO: +16% MS: +7% MT: -8% Norte AC: -7% AM: +3% AP: +37% PA: +14% RO: +16% RR: +56% TO: -12% Nordeste AL: +5% BA: +9% CE: +27% MA: +19% PB: +27% PE: -13% PI: -4% RN: -17% SE: +9% Brasil Sul Sudeste Centro-Oeste Norte Nordeste Consórcio de veículos de imprensa Os dados sobre casos e mortes de coronavírus no Brasil foram obtidos após uma parceria inédita entre G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal (saiba mais). Veja vídeos de novidades sobre vacinas contra a Covid-19:

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  • Espécie de peixe que já foi considerada extinta com os dinossauros pode viver por 100 anos e ainda está na Terra


    Novo estudo publicado nesta semana na 'Current Biology' traz novas descobertas sobre os celacantos: fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos e maturidade sexual é atingida perto dos 55 anos de vida. Peixe celacanto no Quênia em foto de 2001 George Mulala/Reuters O celacanto ? um peixe que chegou a ser considerado extinto com os dinossauros há 66 milhões de anos ? tem uma vida útil cinco vezes maior do que os cientistas pensavam até agora. Existente na Terra nos dias atuais, ele vive por cerca de cem anos, segundo estudo publicado na revista "Current Biology". Grupo de cientistas decodifica DNA do peixe pré-histórico celacanto Em 1938, um peixe celacanto foi inesperadamente encontrado vivo na costa leste da África do Sul, o que surpreendeu pesquisadores. Agora, essa nova pesquisa mostra que, além de viverem por cerca de um século, as fêmeas carregam seus filhotes por cinco anos, período de gestação mais longo já conhecido de todos os animais. Os cientistas também descobriram que o celacanto se desenvolve e cresce em ritmo mais lento que qualquer outro peixe. Ele não atinge a maturidade sexual até cerca de 55 anos. Para chegar aos resultados, os autores utilizaram os anéis de crescimento anuais presentes nas escamas dos peixes para determinar a idade individual dos celacantos ? "assim como é feita a leitura de anéis de árvores", explicou o biólogo marinho Kélig Mahé, da instituição oceanográfica francesa Ifremer, e principal pesquisador do estudo. Os celacantos apareceram pela primeira vez durante o período Devoniano, há cerca de 400 milhões de anos, 170 milhões de anos antes dos dinossauros. Com base no registro fóssil, acreditava-se que eles tinham desaparecido durante a extinção em massa que exterminou cerca de três quartos das espécies da Terra após a queda de um asteróide no período Cretáceo. Espécie atinge maturidade sexual perto dos 55 anos George Mulala/Reuters Depois de ser encontrado, o celacanto foi apelidado de "fóssil vivo", descrição rejeitada pelos cientistas: "Por definição, um fóssil está morto e os celacantos evoluíram muito desde o (período) Devoniano", disse o biólogo e co-autor do estudo Marc Herbin, do Museu Nacional de História Natural de Paris. A espécie de peixes reside no oceano, em profundidades de até 800 metros. Durante o dia, os celacantos ficam em cavernas vulcânicas sozinhos ou em pequenos grupos. As fêmeas são um pouco maiores do que os machos, atingindo cerca de dois metros de comprimento e pesando 110 quilos. Vídeo: Mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

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  • Ajude a Nasa a escolher o nome do manequim que irá a bordo da próxima missão à Lua


    Votação está na segunda rodada e vai até 29 de junho. Manequim, que deve ser lançado ao espaço em novembro, serve de preparação para a primeira missão tripulada, em 2024, que vai levar uma mulher e uma pessoa de etnia não branca ao satélite terrestre. Imagem mostra esquema com disputas entre nomes para o manequim que irá a bordo da próxima missão da Nasa à Lua. Reprodução/Nasa A agência espacial americana, a Nasa, abriu, nesta semana, uma votação para decidir o nome do manequim que estará a bordo da próxima missão à Lua, a Ártemis I. A votação está na segunda rodada, e o nome escolhido será anunciado no dia 29. A missão, não tripulada, tem previsão de lançamento em novembro deste ano e fará uma rota ao redor da Lua. Ela deve servir como preparação inicial para enviar uma mulher e uma pessoa de etnia não branca à Lua em 2024, na missão Ártemis III (veja detalhes mais abaixo). Agora, você pode escolher entre Delos e Duhart (veja significado mais abaixo e clique aqui para votar). A rodada é atualizada dia sim, dia não; na primeira, que começou na quarta (16), a disputa foi entre Ace e Wargo. Ace levou a melhor, e vai brigar nas "quartas de final" com o vencedor entre Delos e Duhart (veja imagem no topo da reportagem para entender). Veja, abaixo, os 8 nomes candidatos: ACE: Simples, prático. Significa Artemis Crew Explorer. Já está nas "quartas de final". CAMPOS: Engenhoso, solucionador de problemas. Uma dedicação a Arturo Campos, peça chave para trazer a Apollo 13 para casa. DELOS: Nostálgico, romântico. A ilha onde Apolo e Ártemis nasceram, de acordo com o mito grego. Está em votação nesta sexta (18). DUHART: Caloroso, acolhedor. Uma dedicatória a Irene Duhart Long, diretora médica do Kennedy Space Center. Está em votação nesta sexta (18). MONTGOMERY: Pioneiro, inovador. Uma dedicatória a Julius Montgomery, o primeiro afroamericano a trabalhar na estação da Força Aérea de Cabo Canaveral como profissional técnico. RIGEL: Brilhante, inspirador. A estrela gigante na constelação de Órion. SHACKLETON: Secreto, abundante. Uma cratera no polo sul da Lua e uma referência a um famoso explorador da Antártica. WARGO: Entusiasmado, apaixonado. Uma dedicatória a Michael Wargo, o primeiro cientista-chefe de exploração da agência. Já foi eliminado. O manequim Manequim da Nasa que estará a bordo da próxima missão da agência à Lua, a Ártemis I. Reprodução/Nasa O manequim ? que tem sido chamado de "moonikin" pela Nasa, em um trocadilho com a palavra "moon" (lua em inglês) e "mannequin" (manequim em inglês) ? tem corpo masculino e já foi usado em testes de vibração na Órion, a nave da Nasa para essa missão. Na Ártemis I, ele será acompanhado por dois modelos de torsos humanos, chamados "fantasmas", feitos de materiais que imitam ossos humanos, tecidos moles e órgãos de uma mulher adulta. Foto mostra os 'fantasmas' Zohar e Helga, que estarão na Ártemis I, feitos de materiais que imitam ossos humanos, tecidos moles e órgãos de uma mulher adulta. Reprodução/Nasa Esses "fantasmas" foram batizados de Zohar e Helga pela Agência Espacial de Israel (ISA) e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Os dois apoiarão uma investigação chamada Matroshka AstroRad Radiation Experiment (Mare, na sigla em inglês), que fornecerá dados sobre os níveis de radiação durante as missões para a Lua. Tudo sobre foguete gigante da Nasa que vai levar astronautas à Lua e a Marte Brasil oficializa adesão a programa da Nasa que quer voltar a enviar humanos para a Lua O "moonikin" ocupará o assento de comandante dentro da Órion. Ele será equipado com dois sensores de radiação e sensores no assento ? um sob o encosto de cabeça e outro atrás do assento ? para registrar a aceleração e vibração durante a missão enquanto a nave viaja ao redor da Lua e de volta à Terra. Os dados desses e de outros sensores dentro da nave ajudarão a Nasa a entender como melhor proteger os membros da tripulação da Ártemis II e em outras missões futuras. O manequim também vai usar um traje do Orion Crew Survival System de primeira geração ? um traje espacial que os astronautas usarão durante o lançamento, na entrada e em outras fases dinâmicas de suas futuras missões. Para chegar à Lua, espera-se que a tripulação experimente 2,5 vezes a força da gravidade terrestre durante a subida e 4 vezes em dois pontos diferentes durante o perfil de reentrada planejado. Os engenheiros da Nasa vão comparar os dados de voo da Artemis I com testes de vibração anteriores baseados em solo com o mesmo manequim e com voluntários humanos para correlacionar o desempenho antes de lançar a Ártemis II. Missões Ártemis Foto: no Centro de Pesquisa Langley da Nasa, no estado americano da Virgínia, bonecos de teste de colisão são equipados com trajes e sensores e colocados em um protótipo da Órion antes de serem jogados na Bacia de Impacto Hydro. Os testes de queda ajudam os engenheiros a avaliar e mitigar potenciais lesões na tripulação em descidas após missões no espaço. Reprodução/Nasa Existem 3 missões previstas no programa Ártemis: Ártemis I: com o manequim, dará uma volta ao redor do satélite, em novembro; Ártemis II: com pessoas, também dará uma volta ao redor do satélite, em setembro de 2023; Ártemis III: vai levar a primeira mulher e a primeira pessoa não branca (negra ou de outras etnias) para a superfície da Lua em 2024. A intenção é usar o conhecimento adquirido nessas missões para explorar a Lua de forma sustentável entre meados e final da década de 2020 e, também, para a próxima grande missão: enviar astronautas a Marte. Veja VÍDEOS de astronomia e exploração espacial:

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  • 'Tive transtorno pós-traumático após minha filha nascer', diz britânico


    Elliott Rae, de 38 anos, guardou por meses a angústia de ter visto filha e esposa correrem risco de vida após o parto. Agora, ele quer que outros pais não deixem de externar agonias e problemas de saúde mental, buscando logo ajuda. Elliott reconheceu que precisava de ajuda em 2017, depois que um jornalista perguntou sobre o nascimento da filha. Elliott Rae via BBC Por mais de um ano, o britânico Elliott Rae guardou dentro de si uma angústia que nasceu junto com o tumultuado e cheio de imprevistos parto de sua filha. Agora, ele batalha para que homens como ele coloquem para fora seu problemas e emoções ? e evitem a agonia pela qual ele passou. Ele estava no lotado metrô de Londres, quando começou a chorar sem saber por quê. "Senti uma enorme tristeza", diz, lembrando-se daquela noite de verão há cinco anos. Nada em particular acontecera naquele dia para provocar tamanha emoção. Ele havia se levantado com a filha de nove meses, como de costume, e tomou café da manhã com a esposa, Soneni. Em seguida, partiu para trabalhar em Westminster, como funcionário no departamento de transportes local. 'Solidão, exaustão e culpa': pandemia trouxe aumento da depressão na gravidez e no pós-parto Para familiares, amigos e colegas, parecia que Elliott estava bem. Ele dizia: "estou apenas cansado, me tornei pai recentemente", e isso seria o suficiente. Mas a realidade é que, desde o nascimento da filha, ele era atormentado por lembranças dos dias assustadores em que a esposa e a bebê tiveram vários problemas de saúde logo após o parto. Esse passado era suficiente para tirar uma noite de sono ou deixá-lo atordoado em um bate-papo leve com os colegas. "Não me sentia nem um pouco como eu mesmo", lembra. Quando finalmente conseguiu ajuda, Elliott foi diagnosticado com Transtorno de estresse Pós-Traumático (TEPT) e publicou um livro, Dad ('Pai', em português), no qual relata suas experiências de paternidade, junto com outros 19 pais. 'A parteira colocou a neném no peito da minha esposa e houve apenas um silêncio' O homem de 38 anos nunca se viu como alguém que pudesse desenvolver problemas de saúde mental ou precisar de terapia. Ainda mais em relação à paternidade: quando Soneni engravidou em 2015, ele ficou radiante. O trabalho de parto no hospital começou com relativa tranquilidade. O nascimento seria na água e as avós estavam lá para dar apoio, como havia sido planejado. Mas em poucas horas, a pressão arterial de Soneni começou a subir e a frequência cardíaca do bebê começou a cair, levando à transferência para um outro quarto. "Aquela sala parecia diferente, mais escura, com muitos equipamentos médicos", lembra o pai. Ele se lembra que, às vezes, a parteira apertava um botão vermelho, e em seguida a sala se enchia de médicos. Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão Não era assim que ele imaginava que as coisas seriam. Soneni estava recebendo antibióticos intravenosos porque testes detectaram uma infecção por uma bactéria Streptococcus do Grupo B, e equipe esperava que os medicamentos pudessem evitar a infecção do bebê durante o parto. Na maioria das vezes, esta infecção não é prejudicial à mãe ou ao bebê ? mas, neste caso, era. Depois de quase 24 horas de trabalho de parto, a bebê nasceu. Ela estava cinzenta e não fazia barulho. "A parteira colocou a neném no peito da minha esposa e houve apenas um silêncio. Parecia que tudo havia parado." Novamente médicos encheram a sala, e Elliott só pôde assistir, incrédulo, sua filha sendo ressuscitada de um lado da sala e sua esposa perdendo uma quantidade preocupante de sangue do outro. "Parecia que estava assistindo a um filme, e outra pessoa estava vivendo aquilo." "Durante o parto, desempenhei um papel, mas ali me sentia impotente e chocado. Tive que dar um passo atrás e confiar em pessoas que não conhecia para salvar minha família." Minutos depois, Elliott dava um beijo de até logo em Soneni e acompanhava a filha para uma unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal. "Estava muito preocupado com as duas, mas minha filha tinha cinco minutos de vida. Eu precisava ir com ela." "Quando chegamos à UTI neonatal, uma senhora olhou para mim e percebeu que estava desnorteado. Ela me disse que eu precisava me recompor e ajudar minha família." Hoje, ele se diz grato por aquelas palavras, porque elas geraram o efeito pretendido. Nos dias que se seguiram, Elliot incorporou uma postura quase profissional de eficiência, indo de um lado a outro para acompanhar muito de perto os quadros da filha e da esposa. "Não havia tempo" para cair aos prantos, mas voltar para casa na primeira noite sem a bebê nos braços e a esposa foi muito difícil. Sobreviventes de coronavírus estão sob risco de 'estresse pós-traumático', advertem médicos Poucos dias depois, os três conseguiram se acomodar juntos em um quarto do hospital, e a neném se recuperou lentamente da infecção bacteriana. Depois de 15 dias, a equipe médica passou a falar da volta da família para casa. Elliott e Soneni finalmente sentiram recuperar o fôlego. Tudo ia ficar bem. Aos cinco minutos de vida, filha de Elliott já precisou ser levada a uma UTI neonatal Elliote Rae via BBC Então, de repente, apareceu um protuberância na parte de trás da cabeça da filha. Os médicos ficaram preocupados e pediram uma ressonância magnética para descartar a possibilidade de ter ali coágulos sanguíneos ou até mesmo um tumor cerebral. Mais uma vez, Elliott sentiu uma total perda do controle. "Podia sentir a energia sendo sugada do meu corpo. Não tinha mais nenhuma", lembra o pai. "Nós dois chegamos ao fundo do poço, estávamos em nosso estado mais vulnerável." O casal passou a noite em claro e fez orações pela bebê junto com as parteiras. "Lembro-me de me perguntar de onde vinham todas aquelas lágrimas, porque chorei a noite toda." No dia seguinte, ele levou a filha para a sala de exames e colocou o minúsculo corpinho naquele enorme aparelho para adultos. Após uma angustiada espera pelos resultados, uma enfermeira irrompeu pela porta, puxando os pais para um abraço com um enorme sorriso no rosto. A protuberância não era nada para se preocupar, e a família poderia voltar para casa. 'Foi como voltar à sensação de desamparo e descontrole do nascimento' Mas as angústias em relação à saúde da filha não ficaram para trás, no hospital. "Em todas as semanas dos primeiros meses, ficávamos de prontidão para uma emergência para tudo, a cada fungada", lembra Elliott. A maior parte da licença paternidade de Elliott foi usada enquanto a família estava no hospital, então ele logo precisou retornar ao trabalho. Colegas perguntavam entusiasmados sobre o nascimento, mas ele nunca se sentia à vontade para contar pelo que tinha passado. Terapia não era algo que Elliott considerasse. Já Soneni logo reconheceu que precisava de ajuda e foi diagnosticada com ansiedade pós-parto meses após o nascimento da filha. "Me preocupava constantemente e imaginava os piores cenários", lembra a mãe. Até que uma grave reação alérgica ao trigo levou a bebê de volta ao hospital, e revelou também que a assistência estava fazendo bem a Soneni. "Ela lidou com esse episódio muito bem, mas para mim, foi como voltar à sensação de desamparo e descontrole do nascimento", lembra Elliott. Foi quando ele começou a apresentar mais sinais de TEPT: insônia, ansiedade e lembranças que surgiam de repente. "Ele me contava sobre ter experiências como se estivesse fora do próprio corpo. Foi quando comecei a me preocupar", conta Soneni, chegando às lágrimas ao pensar na pressão que o marido sentiu. Elliott reconheceu que precisava de ajuda em 2017, depois que um jornalista perguntou sobre o nascimento da filha e ele se viu lutando para abordar o assunto sem ficar angustiado. Sutilmente, o jornalista sugeriu que ele conversasse com alguém, passando o contato de um médico especializado em traumas e depressão pós-parto. "Pensava no estresse pós-traumático como algo que só soldados têm depois de ir para a guerra. Agora, sei que ele pode ser desencadeado em qualquer pessoa que passou por um evento traumático, capaz de mudar ou colocar em risco a vida." Como o estresse acontece no nosso corpo 'Como homens e pais, é muito incomum se mostrar vulnerável' Em janeiro de 2016, Elliott criou uma rede online sobre paternidade e estilo de vida chamada Music Football Fatherhood ("Música, futebol e paternidade"). Foi uma saída para falar sobre ser pai de primeira viagem, embora só depois ele tenha abordado o nascimento traumático da filha e o TEPT que desenvolveu. Outros pais começaram a entrar em contato e a se abrir, o que lhe deu a ideia de escrever um livro, Dad. "Acho que a maioria dos novos pais passa por angústias em algum momento, e isso é normal. O Music Football Fatherhood me fez perceber isso." "Há muitas histórias e não falamos delas em público. A maioria dos homens que está prestes a ter um filho não sabe metade do que é ser pai, porque não falamos sobre isso." Elliott quer que seu livro gere novas conversas. Há relatos de homens que sofreram bullying como um novo pai, que criaram filhos sendo viúvos ou foram pais de uma criança que morreu. "Como homens e pais, é muito incomum se mostrar vulnerável e falar sobre saúde mental. Ainda não é completamente aceitável", diz o pai, e agora escritor. Ele acha que há muitas maneiras de preparar os futuros pais. No seu caso, ele lia blogs e pesquisava coisas práticas, como a preparação do orçamento ou qual carrinho de bebê comprar ? mas não ia muito além disso. "Não pensava direito sobre o tipo de pai que eu queria ser, e não conversei com outros homens da minha vida. Isso nunca me ocorreu", conta. Mas agora, por meio do Music Football Fatherhood, ele começou a trabalhar com os serviços de planejamento familiar e acompanhamento pré-natal do NHS (sistema de saúde britânico) para incentivar homens a pensar sobre o que significa ser pai, como sua identidade mudará e o que isso pode significar para seus relacionamentos. Ele acha que todos os futuros pais devem ter conversas sobre saúde mental, especialmente se estiverem em uma categoria de alto risco ? como aqueles com histórico de problemas de saúde mental, que testemunharam partos traumáticos ou cujas parceiras estejam sofrendo de depressão pós-parto. Para ele, os empregadores também poderiam fazer mais, oferecendo licença paternidade igualitária em relação à maternidade e oportunidades para trabalhar com maior flexibilidade. "Olhando para trás, poderia ter tido tantas conversas, tantos momentos de intervenção. Mas me sinto sortudo por minha experiência não ter sido tão grave quanto poderia." A filha de Elliott e Soneni agora é uma menina de cinco anos alegre e atenta, que adora cachorros e compõe canções enquanto está no banho. Ela herdou o amor dos pais pela música e pela dança e começou a escrever seus próprios "livros" desde que o pai começou a escrever os dele.

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  • 5 perguntas sobre os denisovanos, 'parentes' extintos dos humanos modernos que viveram na Terra há 50 mil anos


    Qual era a aparência deles? Se acasalaram com neandertais? Como foram extintos? Confira tudo o que sabemos até agora sobre esta espécie de hominídeo que foi descoberta em 2008. Os denisovanos têm traços comuns aos humanos modernos e aos neandertais Maayan Harel via BBC Desde que os primeiros vestígios dos denisovanos foram descobertos em 2008, os cientistas não descansaram tentando obter mais informações sobre eles. A tarefa, no entanto, não tem sido fácil, porque até agora só foram encontrados pequenos fósseis desse estranho grupo de hominídeos. Quem eram os hominídeos de Denisova e por que cientistas estudam suas relações sexuais com humanos Teoria da Evolução: por que é errado dizer que viemos dos macacos e outras 4 questões sobre nossa origem Mas, graças a uma nova e complexa técnica que analisa a atividade do DNA, os pesquisadores conseguiram ter uma ideia melhor de sua aparência e de como viviam. A seguir, respondemos cinco perguntas-chave com tudo que você precisa saber sobre esta espécie extinta que viveu na Sibéria e no leste da Ásia. 1. Quem eram os denisovanos? Resumindo: nem sequer os cientistas têm certeza. Mas, de acordo com pesquisas, os denisovanos são um parente extinto dos humanos modernos que viveram na Sibéria e no leste da Ásia. Alguns especialistas argumentam que os denisovanos são uma espécie completamente nova do nosso gênero, mas outros acreditam que são simplesmente neandertais orientais. Infelizmente, é difícil saber o período exato em que eles caminharam por nosso planeta, uma vez que poucos fósseis de denisovanos foram descobertos. Caverna de Denisova, no sul da Sibéria Getty Images via BBC No entanto, os fósseis indicam que eles habitaram a caverna de Denisova, no sul da Sibéria (daí a palavra "denisovanos"), entre 50 mil e 200 mil anos atrás. Além disso, uma mandíbula denisovana descoberta em uma caverna no planalto tibetano indica que eles podiam ser encontrados na região há pelo menos 160 mil anos. Estas descobertas sugerem que os denisovanos foram contemporâneos dos neandertais e até do Homo sapiens (que surgiu pela primeira vez há cerca de 300 mil anos). Na verdade, a evidência de DNA indica que tanto os neandertais quanto os denisovanos viveram na caverna de Denisova, embora provavelmente não ao mesmo tempo. 2. Como os denisovanos foram descobertos? Os denisovanos foram o primeiro grupo de humanos a ser descoberto com base apenas em seu DNA. No entanto, isso aconteceu em grande parte por acidente. Em 2010, o geneticista alemão Johannes Krause (então estudante de doutorado) estava extraindo DNA mitocondrial do que pensava ser um osso de dedo de neandertal encontrado na caverna de Denisova. Mas não se tratava de um neandertal. Na verdade, Krause havia se deparado com uma nova linhagem: os denisovanos. Com apenas pequenos fragmentos de ossos, os cientistas conseguiram sequenciar todo o genoma de um denisovano Getty Images via BBC Essa descoberta deixou os pesquisadores em uma posição estranha e sem precedentes: ter todo o genoma de um denisovano sequenciado sem ter um único fóssil significativo, além de alguns pequenos fragmentos de ossos e dentes. Até que, em 2019, foi analisada a metade direita de uma mandíbula encontrada durante a década de 1980 na caverna Baishiya Karst, no planalto tibetano. Embora não tenham conseguido extrair o DNA, as análises de proteínas indicaram que pertencia a um denisovano. Muitos suspeitam que vários fósseis de hominídeos do leste da Ásia também são denisovanos e foram erroneamente classificados como outras espécies. Mas, sem uma análise bem-sucedida de DNA ou de proteínas, e poucos fósseis denisovanos para servir de comparação, simplesmente não sabemos. 3. Qual era a aparência dos denisovanos? Mesmo com centenas de fósseis, ainda temos muitas dúvidas sobre como eram os neandertais. E é muito difícil imaginar como é uma espécie descoberta em 2010 sem sequer ter um crânio parcial. Há 100 mil anos, diferentes grupos de humanos coexistiram Getty Images via BBC Mas embora seja incrivelmente difícil determinar como eram os denisovanos, há algumas pistas. Os poucos fósseis que existem sugerem que eles tinham dentes e mandíbula grande, e possivelmente uma caixa craniana achatada e larga. Surpreendentemente, sua aparência pode ser parcialmente recriada por uma nova técnica que utiliza a metilação do DNA. Ou seja, em vez de examinar o DNA em si, analisa a atividade do DNA e como se manifesta. Usando este método, os cientistas supõem que os denisovanos tinham uma pelve larga, uma caixa torácica grande, uma testa baixa e um crânio mais largo. 4. Eles acasalaram alguma vez com neandertais? Sim! Na verdade, um pequeno fragmento de osso de 2,5 cm encontrado na caverna de Denisova, em 2012, sugere isso. A princípio, ele não foi reconhecido e ficou escondido junto a milhares de fragmentos de ossos de animais por quatro anos. No entanto, após ser identificado como um osso de hominídeo por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, foi enviado ao Instituto Max Planck para análise posterior. O sexo entre os humanos modernos primitivos e os neandertais não era um evento raro Getty Images via BBC O resultado? Em 2018, foi anunciado que este osso de 90 mil anos pertencia a Denny (como ficou carinhosamente conhecida), uma menina com mãe neandertal e pai denisovano. Qual a probabilidade de que com pouco mais de uma dúzia de fragmentos fósseis denisovanos existentes, um deles pertencesse a tal "híbrido"? Foi algo casual ou esse tipo de acasalamento acontecia o tempo todo? 5. Por que os denisovanos foram extintos? Não temos certeza de como os denisovanos foram extintos. É certamente possível que o Homo sapiens tenha superado os denisovanos, mas, novamente, não há evidências disso. Tampouco temos certeza de quando foram extintos. Há evidências de DNA limitadas que sugerem até que eles podem ter sobrevivido na Nova Guiné ou em ilhas vizinhas até 15 mil ou 30 mil anos atrás. No entanto, sabemos que o Homo sapiens se acasalou com os denisovanos em várias ocasiões, e que este cruzamento beneficiou os humanos hoje. Por exemplo, a variante do gene EPAS1 que os tibetanos e sherpas modernos herdaram dos denisovanos faz com que eles se adaptem melhor a grandes altitudes, protegendo-os da hipóxia (condição na qual os tecidos do corpo são privados de oxigênio). Da mesma forma, os cientistas descobriram que algumas populações modernas na Oceania têm um sistema imunológico que está parcialmente codificado (e fortalecido) pelo DNA adquirido dos denisovanos. VÍDEOS mais vistos do G1 nos últimos dias

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