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  • Hormônio do crescimento garante centímetros a mais para adolescentes

    O médico Marcello Bronstein, da USP, explica que se usa um inibidor da produção do hormônio feminino no rapaz e juntamente com o hormônio do crescimento. Assim, esse adolescente teria a possibilidade de crescer mais.

    O que a natureza não dá, uma boa dose de hormônios pode garantir. Meninos e meninas estão encontrando um caminho polêmico para ganhar altura. As meninas têm a possibilidade de atrasar a menarca, a primeira menstruação, e ganhar mais tempo para crescer.

    Com o mesmo objetivo, os garotos podem inibir o hormônio feminino, que o homem produz também, e impedir assim o fechamento das placas de cartilagem. Quando as placas se fecham, o crescimento para. Bruno Vicentin, de 13 anos, cresceu um palmo desde que começou o tratamento com hormônios, há três anos. “Ele sempre estava abaixo da maioria, ele sempre foi o menor em todos os lugares”, conta a economista Mônica Pinheiro.

    “A gente tenta conseguir que a gente dê para ela a altura máxima possível do ponto de vista biológico, sem trazer consequências adversas”, aponta o presidente Sociedade Brasileira Ginecologia Endócrina, Elsimar Coutinho.

    A decisão de fazer um tratamento a base do hormônio do crescimento veio depois de Mônica ouvir vários especialistas. “No rapaz, existe uma estratégia, que não é exatamente bloquear a puberdade. O que se faz hoje é usar um inibidor da produção do hormônio feminino no rapaz. Dessa maneira, dando o hormônio do crescimento junto, ele teria uma possibilidade de crescer mais, nos casos muito bem indicados”, declara o endocrinologista Marcello Bronstein, da Universidade de São Paulo (USP).

    O médico avisa: quando se lida com hormônios, é preciso ter cuidado, porque, às vezes, se ganha e, às vezes, se perde. Por exemplo: bloquear a ação do hormônio feminino nos rapazes pode causar efeito colateral. “Existem evidências que esse bloqueio pode, sim, ser prejudicial, principalmente para os ossos do rapaz. Ele pode ter problemas ósseos, de fratura”, alerta Marcello Bronstein.
    Ana Vitória, hoje com 18 anos, começou a tomar, aos 11 anos, hormônio para atrasar a primeira menstruação. Ela retardou a menarca, mas optou por não tomar o hormônio do crescimento. “Eu lembro que senti uma dor no joelho e, quando fui procurar me informar mais sobre a dor, era a dor do crescimento, aquelas dores de crescimento na hora de dormir. Foi a única coisa que eu senti”, conta.
    Já Bruno aplica a injeção de hormônio do crescimento na perna, todas as noites. Ele está contente com o resultado, cresce uma média de quatro centímetros a cada seis meses. “No começo, eu sentia, às vezes, a minha mão doendo, mas eu perguntava para a minha mãe, e ela falava que estava fazendo efeito”, afirma o menino.
    Para Bruno, funcionou, mas o médico esclarece que o tratamento, que é muito caro, pode não dar resultado algum. “Isso tem que ser colocado dentro de um contexto muito sério e não ser usado de uma forma indiscriminada, porque isso certamente vai acarretar problemas financeiros e psicológicos, e não se pode ter certeza também se eventualmente problemas futuros de ordem de saúde”, declara o endocrinologista da USP.
    As mãos que já estão enormes ajudam o menino a aprender guitarra. Os esportes também auxiliam no crescimento. Medalha é o que não falta no quarto de Bruno, mas para crescer ele sabe que o hormônio só não é suficiente: “eles sempre me falaram que só o hormônio não vai ajudar. Tem que comer também”.
    Em um período de quatro anos, Ana Vitória cresceu seis ou sete centímetros. Depois que menstruou, ainda ganhou mais um pouquinho. Ela conta que hoje está com quase 1,59m e que o médico acha que dá para chegar em 1,60m. “Tem suas vantagens e desvantagens. Fui a um show sábado e não vi nada. Um amigo me levantou”.



    Fonte: Globo Repórter