Ciência e Saúde

23/Set/2021 14:27h
Nos EUA, homem com doença rara recebe rim transplantado do próprio marido
23/Set/2021 09:01h
Oficinas de teatro e dança com idosos vão virar espetáculos
22/Set/2021 09:00h
Gente do campo: Johanna Döbereiner descobriu que plantas podem gerar seu próprio adubo interagindo ...
21/Set/2021 09:00h
Atendimento deve englobar pacientes com demência e seus cuidadores
19/Set/2021 19:35h
Por que as drogas psicodélicas estão mais perto do mercado convencional
Ver todas

Notícia

  • Verão favorece recidiva de candidíase

    Fungos causadores da doença são muito resistentes e proliferam quando há baixa no sistema imunológico

    Ter candidíase uma vez é chato. Ter candidíase por meses seguidos, com recidivas constantes, é de tirar qualquer mulher do sério. A doença figura entre as mais frequentes no Hospital Pérola Byington, referência em atendimento à mulher na capital paulista, e deve se tornar ainda mais constante com a temporada de calor e praia em alta.
    No primeiro semestre, cerca de 60% dos atendimentos foram queixas de sintomas da candidíase e quase 80% dos casos recebem o diagnóstico da doença. As recidivas geralmente acontecem por questões ligadas ao sistema imunológico, mas o verão também pesa bastante na equação.

    O uso prolongado de biquíni molhado é um dos fatores. “O fungo causador da candidíase é favorecido pela umidade”, explica Elisabeth Leão, ginecologista do Hospital Beneficência Portuguesa. As roupas apertadas e roupas íntimas de tecido sintético também são prejudiciais.

    Não é improvável a mulher, em algum momento da vida, ter candidíase porque a doença surge a partir de fungos da flora vaginal. Eles permanecem lá, em equilíbrio com o ambiente, mas podem se proliferar em algumas situações.

    “O uso de antibióticos, por exemplo, é feito contra alguma bactéria danosa ao organismo, mas também atinge bactérias da vagina e desequilibra a região”, conta a médica. Como os fungos da candidíase são muito mais resistentes, eles sobrevivem ao antibiótico e passar a se proliferar descontroladamente.

    O resultado disso são coceiras, corrimento esbranquiçado e feridas pequenas. A mulher pode ainda sentir dor nas relações sexuais e ao urinar. Quando os sintomas têm baixa intensidade, os ginecologistas acreditam que muitas mulheres sequer procurem apoio médico. Assim, é bem provável que as estatísticas da doença, já altas, sejam ainda maiores.

    Quando o incômodo é grande e a mulher procura um médico, o tratamento imediato é feito com medicação oral, geralmente em dose única, e local. Existem pomadas para o interior da vagina, aplicadas diariamente por cerca de 10 dias.
    O processo é desconfortável e pode causar ainda mais ardência no momento da aplicação, mas os sintomas tendem a sumir em poucos dias. O problema é que muitas mulheres voltam a ter os mesmo sintomas pouco tempo depois, em questão de semanas.

    “A causa geralmente está em fatores imunológicos”, aponta a ginecologista. A queda nas defesas naturais do organismo pode acontecer pó inúmeros motivos, o que requer uma investigação médica aprofundada. O estresse, por exemplo, pode ser uma das causas.

    Estresse causa esgotamento emocional, podendo atingir até um quadro de depressão. Mas muito antes disso ele já pode provocar outras alterações metabólicas e danos ao organismo.

    Alimentação e diabetes

    Um dos primeiros passos para compensar quadros de baixa imunológica é com alimentação. Além de verificar se ela está adequada, com quantidade necessária de todos os grupos nutricionais, é preciso dar ênfase aos alimentos ricos em vitamina C, como acerola e laranja.

    Os alimentos ricos em açúcar devem ser evitados ou ter o consumo reduzido, pois eles podem alterar o pH da mucosa vaginal. “Mulheres diabéticas também possuem a mucosa vaginal com excesso de glicose”, alerta Elisabeth. E isso favorece desequilíbrios na região. O mesmo vale para ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.

    Quando as recidivas da candidíase são muito frequentes, a mulher pode urinar com menos frequência para evitar a constante ardência na vagina. Isso acaba provocando infecção urinária e reduz ainda mais as defesas naturais do organismo.

    Sexo e sabonete íntimo

    “Embora a candidíase não seja considerada uma doença sexualmente transmissível (DST), ela pode ser transmitida pelo sexo”, alerta a ginecologista. Por isso, quando a mulher sexualmente ativa recebe o diagnóstico da doença, seu parceiro também deve receber tratamento. Geralmente, um antifúngico de uso oral já resolve.

    Além disso, é importante para a mulher manter a higiene da vagina com produtos que respeitem seu pH, que é diferenciado. Os sabonetes íntimos são uma alternativa mais interessante que os sabonetes normais.

    “Eles não agridem as glândulas sudoríparas”, afirma a médica. Isso previne a evolução da candidíase para quadros de feridas na vagina, que aumentam a sensação de ardência e coceira.

    A escolha adequada do sabonete íntimo pode ser realizada com auxílio de um médico e, além disso, é fundamental que qualquer recidiva da doença seja notificada, para que novas estratégias de tratamento sejam adotadas.

    Como os fungos causadores da candidíase são muito resistentes, eles facilmente podem desencadear infestações, mas também servem de alerta para alterações sutis no organismo e princípio de doenças crônicas.



    Fonte: Delas - IG